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a qualidade
de vida dos idosos. Porém sabe-se que o nível de atividade
física pode retardar as perdas funcionais nos idosos3 e que a
aptidão cardiorrespiratória é determinante na manutenção da
independência funcional4.
 Atualmente são mais de 14,5 milhões de idosos que
vivem no Brasil, ou seja, 15% do total de habitantes5. Muitos
deles estão abrigados em instituições de longa permanência
para idosos (ILPI) onde o sedentarismo é fator marcante
que contribui para o descondicionamento físico e favorece a
ocorrência das doenças crônico-degenerativas, com grandes
chances de o idoso tornar-se dependente funcional o mais
cedo6.
Portanto, a soma entre o processo de envelhecimento e
o sedentarismo conseqüente da institucionalização potencia-
lizam as modifi cações funcionais decorrentes do envelheci-
mento e podem infl uenciar o desempenho das atividades de
vida diárias desta população6,7.
 Estas alterações podem levar a alteração no equilíbrio,
diminuir a força muscular e comprometer a locomoção inter-
ferindo na qualidade de vida6,8. Sabe-se que a diminuição da
força muscular, da fl exibilidade, da resistência, das respostas
à estímulos e do equilíbrio são responsáveis pela perda da
autonomia e da independência8,9, haja vista que idosos institu-
cionalizados, que normalmente são menos condicionados, tem
mais risco de quedas e são mais dependentes do que aqueles
que vivem em residências na comunidade7,8.
 A musculatura respiratória também sofre infl uência
do envelhecimento, sendo que a diminuição da pressão inspi-
ratória máxima (Pimáx) e pressão expiratória máxima (Pemáx)
em idosos estão relacionadas a alterações pulmonares e toraci-
cas10,11, especialmente a mudanças na mecânica diafragmatica,
ou seja, retifi cação da cúpula diafragmática12.
 A força de preensão palmar é uma medida que está
relacionada com as atividades da vida diária, que indica a força
da mão, mas que também pode ser utilizada como indicador
de força do corpo, de funcionalidade6,8, que terá declínio com
o aumento da idade7,8.
 Para avaliação da funcionalidade pode-se utilizar
o teste de caminhada de seis minutos (TC6), que é um teste
simples, de fácil aplicação e bem tolerado por idosos por per-
miter livre escolha da velocidade de caminhada13. Sabe-se que
a força muscular respiratória e a força muscular periférica são
determinantes no resultado deste teste14 e que a idade pode
alterar estas variáveis15–21. O estudo das correlações entre as
variáveis de força muscular com o resultado do TC6 em idosos
institucionalizados pode contribuir para melhor compreensão
dos fatores que infl uenciam o desempenho nesta população.
O objetivo deste estudo foi correlacionar a força de pre-
ensão palmar e respiratória com o desempenho cardiorespira-
tório avaliado por meio do TC6 em idosos institucionalizados.
 MÉTODOLOGIA
Foi realizado um estudo prospectivo com 9 idosos ins-
titucionalizados com idade média de 78,8±7,3 anos, de ambos
os gêneros. Os idosos não poderiam relatar história de angina
instável e infarto do miocárdio a menos de três meses ou in-
sufi ciência cardíaca ou doença pulmonar obstrutiva crônica
descompensadas. Não poderiam apresentar alterações neuro-
lógicas, vasculares ou do aparelho locomotor que difi cultassem
a realização dos testes e o pulso de repouso deveria ser menor
que 120 bpm. Foram excluídos os que recusaram fazer parte do
protocolo e que não atingiram os critérios de inclusão. O estu-
do foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (50/2011)
da instituição de origem dos pesquisadores e todos os idosos
assinaram termo de consentimento livre e esclarecido.
Os idosos selecionados foram questionados quanto à
presença de comorbidades por meio de entrevista, responderam
questionário referente ao nível de atividade física, passaram
por avaliação cognitiva e antropométrica.
Para avaliação do nível de atividade física foi utilizado o
questionário de Baecke. Trata-se de um instrumento recorda-
tório dos últimos 12 meses, de fácil aplicação e entendimento,
composto por 16 questões (8 sobre atividade física ocupacio-
nal; 4 sobre exercício físico no lazer; 4 de atividade física no
lazer e locomoção)22.
 Na avaliação das funções cognitivas foi aplicado o
mini exame do estado mental - MEEM23. Instrumento com-
posto de sete categorias: orientação para tempo, orientação
para local, registro de três palavras, atenção e cálculo, recorda-
ção das três palavras, linguagem e praxia visuo-construtiva. O
escore do MEEM varia de zero a 30 pontos, sendo que valores
mais baixos apontam para possível défi cit cognitivo.
Na avaliação antropométrica, o Índice de Massa Cor-
poral (IMC) foi obtido dividindo a massa corporal (kg) pela
estatura ao quadrado (m2)24. A massa foi verifi cada em balança
digital (FILIZOLA®) com o paciente vestindo roupas leves
e a estatura foi obtida por meio de estadiômetro acoplado a
balança.
 Os idosos foram submetidos à avaliação de força
muscular respiratória, força muscular periférica e ao TC6.
Todos os foram realizados sempre no mesmo horário e pelo
mesmo avaliador.
Força Muscular Respiratória
A força dos músculos respiratórios foi mensurada uti-
lizando um manovacuômetro aneróide portátil (Comercial
Medica®), calibrado, que mede as pressões positivas (Pemáx)
e negativas (Pimáx) em centímetros de água (cmH2O). Para a
verifi cação da Pimáx, o idoso foi colocado na posição semi-
-sentado, respirando dentro do bucal com as narinas ocluídas.
Os idosos foram orientados a realizar dois ciclos respiratórios
em volume corrente (VC), com o orifício de oclusão aberto.
Seguido de uma expiração até volume residual (VR), logo
após, uma inspiração forte buscando atingir a capacidade pul-
monar total (CPT), com o orifício ocluído, buscando manter
a manobra por dois segundos25,26.
Na mesma posição, para a medida da Pemáx foi solicita-
do novamente dois ciclos respiratórios em VC com o orifício de
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REVISTAINSPIRAR • movimento & saúde
Volume 4 • Número 4 • julho/agosto de 2012
oclusão aberto, posteriormente feito uma inspiração profunda
até a CPT, seguido de expiração forçada máxima até VR com o
orifício ocluído, também sustentada por dois segundos. Foram
realizadas três manobras aceitáveis para cada pressão e o maior
valor destas foi considerado, respeitando um intervalo de um
minuto entre as medidas. As medidas de Pimáx e Pemáx foram
comparados com os valores previstos 25,26.
Força Muscular Periférica
A força de preensão palmar foi avaliada utilizando o di-
namômetro Crown® que possui capacidade de 50 kgf. Durante
o teste os sujeitos foram orientados a permanecer sentados em
uma cadeira com apoio para braços e tronco, com joelhos e
quadris a 90 graus, antebraço em posição neutra, cotovelo a
90o e ombro aduzido. Foram feitas 3 medidas em cada mão
com intervalo de 1 minuto entre elas, sendo a força sustentada
durante cinco segundos para cada tentativa e com estímulo
verbal constante 27,28. Para a análise foi considerada a maior
medida sustentada de cada membro.
Teste de Caminhada de Seis Minutos
Previamente ao teste de caminhada foi avaliada a fre-
quência respiratória (f) pela contagem dos movimentos torá-
cicos durante um minuto; a frequência de pulso e a saturação
de pulso de oxigênio (SpO2) por meio do oxímetro de pulso
portátil (MORIYA® - Modelo 1005) posicionado no segundo
dedo da mão dominante do individuo; a pressão arterial (PA)
com auxilio de estetoscópio (Rappaport Premium) e esfi gmo-
manômetro calibrado (Premium) no braço dominante e a escala
de Borg foi explicada e mostrada aos sujeitos solicitando que
graduassem tanto o grau de dispnéia como a presença de dor
em membros inferiores.
O TC6 foi realizado num corredor plano, aberto, a som-
bra, com distância de 30 metros, demarcados a cada 1 metro e
sinalizado no início e no fi nal do trajeto. O sujeito foi orientado
a caminhar a maior distância possível durante 6 minutos, e