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na densidade dos con-
drócitos foi aceita. Foi observado um aumento na população
de condrócitos da zona superficial da cartilagem articular do
fêmur ( p=. 0,007) e da tíbia no grupo imobilizado por 45 dias
( p=0,0051) quando comparado ao seu controle. Portinho et
al. 20, não encontraram diferença significativa em ratos imo-
bilizados por 15 dias, contudo, Galvão et al. 8, e Del Carlo
et al. 9, referem um aumento da população de condrócitos
nas zonas superficial e intermediária, dispostos de forma
irregular e não em colunas como na cartilagem normal em
ratos imobilizados por 45 dias, o que corrobora com nossos
achados. Bertolini et al. 19, também verificaram um aumento
na população de condrócitos, tanto nos ratos imobilizados
por 7dias como naqueles imobilizados por 14 dias o que
confirma os resultados obtidos neste estudo. Com a restrição
de movimento e de carga, a maturação da cartilagem sofre
uma interrupção e, como resultado, os condrócitos migram
para a superfície articular, porém permanecem imaturos e
começam a se degenerar.19
Foi verificado um aumento de grupos isógenos nos
fêmures dos grupos experimentais tanto em 21 como em
45 dias quando comparados aos respectivos controles. Este
aumento também foi observado por Galvão et al.8 e Del
Carlo et al. 9 que sugerem que tal fato possa ser indicio
de um processo de divisão celular em resposta ao estresse
anormal, constituindo-se um mecanismo natural de defesa
da cartilagem. Bertolini et al. 19, também verificaram um
aumento no número de grupos isógenos no grupo imobili-
zado por 14 dias o que confirma nossos achados. Devido ao
aumento da atividade mitótica dos condrócitos, estes irão
formar grupos de duas a quatro células, na qual representam
uma, duas ou mais divisões celulares de um condrócito ori-
ginal. Estas células são chamadas de grupos isógenos. Tal
formação indica um processo de divisão celular em resposta
ao estresse anormal, comportando-se como um mecanismo
de defesa da cartilagem. Mesmo após um longo período de
imobilização, os condrócitos continuam a se dividir em uma
tentativa de manter a integridade da matriz e, consequente-
mente, da cartilagem articular 19.
Não foram evidenciadas alterações na espessura ou no aspecto estrutural das trabéculas do osso subcondral, no que se refere
a aumento das pequenas cavidades presentes no osso esponjoso e adelgaçamento da massa óssea, tanto na tíbia quanto no
fêmur dos ratos imobilizados por 21 e 45 dias (Figuras 3 e 4).
Figura 4- Fotomicrografi a de uma secção longitudinal de 6µm da epífi se distal do fêmur e da tíbia dos ratos submetidos à
imobilização por 45 dias. Trabéculas ósseas (seta). A: Fêmur controle; B: fêmur experimental; C: tíbia controle; D: tíbia
experimenta HE, 320X.
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Volume 4 • Número 4 • julho/agosto de 2012
movimento & saúde • REVISTAINSPIRAR
Não foram observadas alterações na espessura ou no
aspecto estrutural das trabéculas do osso subcondral em ne-
nhum dos grupos estudados, o que corrobora com os achados
de Portinho et al.20 Em contraste aos achados obtidos neste
experimento Volpn et al.5. observaram diminuição do trabe-
culado na região metafisária, diminuição do volume ósseo,
diminuição na espessura trabecular, aumento da separação
trabecular, porém, não se verificaram diferença significativa
no número de trabéculas em ratos imobilizados por 28 dias.
Ressalta-se, no entanto, que as características ósseas podem
variar conforme o tempo de imobilização, metodologia
utilizada, bem como o tipo estudo.
CONCLUSÃO
Por um período de 45 dias de imobilização as cartilagens
articulares do fêmur e da tíbia sofrem alterações na população
de condrócitos.
O aumento de grupos isógenos nos fêmures dos grupos
experimentais tanto em 21 como em 45 dias indicam um pro-
cesso de divisão celular como mecanismo de defesa adotado
pela cartilagem.
Sugere-se estudos experimentais controlados cujo grupo
controle não seja constituído pelo membro contralateral do
próprio grupo experimental.
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