Contabilidade Geral   José Jayme Moraes Junior (2013)
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Contabilidade Geral José Jayme Moraes Junior (2013)


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que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o
reconhecimento de aumento de ativo ou de diminuição de passivo. Mas isso não significa
que todo aumento de ativo ou redução de passivo corresponda a uma receita.
Exemplos:
I \u2013 Venda de mercadorias à vista: há um aumento de ativo em virtude do recebimento de
dinheiro e caracteriza uma receita (aumento do patrimônio líquido).
II \u2013 Prescrição de uma dívida: há uma diminuição de passivo em virtude da prescrição da
dívida (obrigação de pagar) e caracteriza uma receita (aumento do patrimônio líquido).
III \u2013 Compra de um veículo a prazo: há o aumento de ativo em virtude do veículo e há um
aumento do passivo em virtude do financiamento a pagar. Portanto, não houve geração
de receita (não há alteração do patrimônio líquido).
A Estrutura Conceitual não detalha, mas são exemplos de receitas realizadas pelo regime
de competência:
\u2013 nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem
compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens
anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta
prestados;
Exemplo: venda de mercadoria a prazo (o dinheiro ainda não foi recebido, mas a receita
considera-se realizada, pelo princípio da competência, no momento da entrega da
mercadoria).
\u2013 quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o
desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior;
Exemplo: a empresa possuía um determinado tributo a pagar, mas o governo fez uma
remissão, ou seja, não há mais a necessidade do pagamento por parte da empresa. Portanto,
houve a extinção de um passivo (tributo a pagar) sem o desaparecimento concomitante de
um ativo de valor igual ou maior.
Repare que, se houvesse o pagamento do tributo, sumiria o passivo (tributo a pagar) e
haveria o desaparecimento de um ativo (dinheiro) no mesmo valor. Neste caso, não é
receita.
\u2013 pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros;
Exemplo: nascimento de bezerro em uma empresa de pecuária. Ou seja, não houve a
intervenção de ninguém (exceto do boi e da vaca. Risos), mas a empresa ganhou um novo
ativo (bezerro).
\u2013 no recebimento efetivo de doações e subvenções.
Exemplo: doação de um terreno, pelo governo de determinada localidade, para que a
empresa construa uma fábrica (é uma forma de desenvolvimento da região) ou subvenção
de determinado tributo, por um período de tempo, para a empresa se instalar em uma
região específica (a empresa pagará uma alíquota diferenciada \u2013 menor \u2013 daquele tributo).
1.1.4.4.1.5.6. Reconhecimento de Despesas
As despesas são reconhecidas na demonstração do resultado quando surge um
decréscimo, que possa ser determinado em bases confiáveis, nos futuros benefícios
econômicos provenientes da diminuição de um ativo ou do aumento de um passivo.
Isso significa, de fato, que o reconhecimento de despesa ocorre simultaneamente com o
reconhecimento do aumento do passivo ou da diminuição do ativo.
Exemplos:
I \u2013 Provisão para obrigações trabalhistas: há grande chance de a empresa perder uma causa
trabalhista na justiça e, prevendo isso, é feita uma provisão, que gera um aumento do
passivo e caracteriza uma despesa (diminuição do patrimônio líquido).
II \u2013 Depreciação de um equipamento: a depreciação ocorre em virtude do desgaste pela
utilização do equipamento e ela reduz o valor contábil do referido equipamente, o que
gera uma redução do ativo e caracteriza uma despesa (diminuição do patrimônio
líquido).
As despesas são reconhecidas na demonstração do resultado com base na associação
direta entre elas e os correspondentes itens de receita, fato conhecido como confrontação
entre despesas e receitas (Regime de Competência), que envolve o reconhecimento
simultâneo ou combinado das receitas e despesas que resultem diretamente das mesmas
transações ou outros eventos.
Uma despesa deve ser reconhecida imediatamente na demonstração do resultado
quando:
I \u2013 Um gasto não produz benefícios econômicos futuros ou quando e na extensão em que os
benefícios econômicos futuros não se qualificam, ou deixam de se qualificar, para
reconhecimento no balanço patrimonial como um ativo.
Exemplo: Compra de material de escritório. Se o material vai ser utilizado no período
não há necessidade de reconhecimento como ativo, podendo ser considerado diretamente
como despesa do período (o gasto com a compra).
II \u2013 Um passivo é incorrido sem o correspondente reconhecimento de um ativo.
Exemplo: Passivo decorrente de garantia de produto. A empresa vendeu o produto e
ofereceu garantia de dois anos. Portanto, há uma obrigação da empresa caso ocorra algum
problema com o produto coberto pela garantia durante dois anos.
A Estrutura Conceitual não detalha, mas são exemplos de despesas incorridas pelo
regime de competência:
\u2013 quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua
propriedade para terceiro;
Exemplo: Na venda de mercadorias para terceiros, há a saída da referida mercadoria do
estoque e, com isso, o custo destas mercadorias é uma despesa incorrida no período.
\u2013 pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo;
Exemplo: A legislação permite que determinados bens sejam depreciados ao longo de sua
vida útil em virtude de desgaste ou obsolescência. Esta depreciação é uma despesa incorrida
no período (o valor econômico do ativo sofre uma redução, pois é calculado como: Custo
de Aquisição \u2013 Depreciação Acumulada).
\u2013 pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.
Exemplo: Ao pagar uma dívida com atraso (após o vencimento), há a incidência de juros
e multa, ou seja, surgiram novos passivos sem os ativos correspondentes.
1.1.4.5. Mensuração dos Elementos das Demonstrações Contábeis
A mensuração é o processo que consiste em determinar os valores pelos quais os
elementos das demonstrações contábeis devem ser reconhecidos e apresentados no balanço
patrimonial e na demonstração do resultado. Esse processo envolve a seleção de uma base
específica de mensuração.
Diversas bases de mensuração são empregadas em diferentes graus e em variadas
combinações nas demonstrações contábeis. Essas bases incluem o seguinte:
Custo histórico:
\u2013 Ativos: são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de
caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da
aquisição, podendo ou não ser atualizados pela variação na capacidade geral de compra
da moeda; e
\u2013 Passivos: são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da
obrigação ou, em algumas circunstâncias (por exemplo, imposto de renda), pelos valores
em caixa ou equivalentes de caixa que serão necessários para liquidar o passivo no curso
normal das operações, podendo também, em certas circunstâncias, ser atualizados
monetariamente.
Custo corrente:
\u2013 Ativos: são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que teriam de
ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço
patrimonial; e
\u2013 Passivos: são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não
descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data do balanço
patrimonial.
E aí? Percebeu a diferença entre o custo histórico e o custo corrente? Veja o caso dos
ativos:
Custo Histórico: valor justo na data de aquisição do ativo.
Custo Corrente: valor caso o ativo fosse adquirido na data de confecção do balanço
patrimonial.
Percebeu agora? Vamos fazer um exemplo numérico. Suponha que a empresa J4M2
adquiriu um veículo, para utilizar na entrega de suas mercadorias vendidas, em
01/07/2010, por R$ 40.000,00. Suponha que, caso o veículo fosse vendido em 31/12/2010
(data do balanço patrimonial), a empresa tivesse conseguido R$ 30.000,00.
Custo Histórico do Veículo = R$