Contabilidade Geral   José Jayme Moraes Junior (2013)
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Contabilidade Geral José Jayme Moraes Junior (2013)


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A observância dos Princípios de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e
constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).
Na aplicação dos Princípios de Contabilidade há situações concretas e a essência das
transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.
Isto significa que, independentemente da forma jurídica aplicada, a Contabilidade deve
traduzir, primordialmente, o efeito econômico da transação, isto é, aquilo que, de fato, as
transações representam para o patrimônio (essência das transações) deve prevalecer sobre
os seus aspectos formais ou aparentes.
Exemplo: A empresa aérea Vai Voando possui 10 aviões, todos eles obtidos por meio de
arrendamento mercantil financeiro, ou seja, a propriedade jurídica dos aviões é da empresa
arrendadora. Contudo, como o controle, os benefícios e os riscos em relação aos aviões são
da empresa arrendatária (Vai Voando), estes aviões devem ser classificados em seu ativo não
circulante imobilizado.
A essência das transações deve prevalecer sobre os seus aspectos formais ou aparentes.
1.1.5.1. Princípio da Entidade
O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e
afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio
particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma
pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou
finalidade, com ou sem fins lucrativos.
Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus
sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.
O Patrimônio pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. Portanto, o
patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, mas
nenhuma classificação resultará em novas entidades. Por exemplo, as divisões ou
departamentos de uma entidade não representam novas entidades, pois não são
autônomas. Uma nova entidade pode surgir, por exemplo, no caso de uma cisão parcial,
onde parte do patrimônio de uma entidade é transferida para outra entidade criada
naquele momento. Nessa situação, há um novo patrimônio, autônomo, pertencente a uma
nova entidade.
A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova
ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil. As entidades cujas
demonstrações contábeis são consolidadas mantêm sua autonomia patrimonial, pois seus
patrimônios permanecem de sua propriedade. Como não há transferência de propriedade,
não pode haver formação de novo patrimônio, condição primeira da existência jurídica de
uma Entidade. Além disso, a consolidação se refere às demonstrações contábeis, mantendo-
se a observância dos Princípios de Contabilidade no âmbito das entidades consolidadas,
resultando em uma unidade de natureza econômico-contábil.
Já caiu em prova!
(Técnico em Contabilidade-Ministério da Saúde-2009-Cespe) Segundo o princípio da entidade, a soma ou agregação de
patrimônios autônomos resulta em uma nova entidade de natureza econômico-contábil.
A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova
ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil. Ou seja, se uma empresa
é controladora de outra empresa (possui mais de 50% do capital votante) e faz um balanço
consolidado (da controladora e da controlada) por exigência de lei, esta consolidação não
forma uma nova empresa. As empresas controladora e controlada continuam como
empresas separadas. Portanto, o item está errado.
1.1.5.2. Princípio da Continuidade
O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no
futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam
em conta esta circunstância.
O Princípio da Continuidade afirma que o patrimônio da entidade, na sua composição
qualitativa e quantitativa, depende das condições em que provavelmente se desenvolverão as
operações da entidade. A suspensão das suas atividades podem provocar efeitos na utilidade
de determinados ativos, com a perda até mesmo integral de seu valor.
A situação-limite na aplicação do Princípio da Continuidade é aquela em que há a
completa cessação das atividades da entidade. Nessa situação, os ativos materiais, como
estoques, ferramentas ou máquinas, podem ter seu valor modificado substancialmente. O
passivo também é afetado, pois muitas obrigações de longo prazo, por exemplo, terão que
ser quitadas antes da extinção da entidade.
Já caiu em prova!
(Contabilidade\u2013IRB-2006\u2013Esaf) A avaliação das mutações patrimoniais, segundo o princípio contábil da
continuidade, deve considerar a hipótese de que, até que surjam evidências em contrário,
a) a empresa continuará a operar indefinidamente no futuro.
b) a contabilidade deve registrar continuamente todos os atos e fatos administrativos.
c) a contabilidade deve funcionar ininterruptamente dentro da empresa.
d) as operações passíveis de registro contábil devem ter seqüência em diversos períodos.
e) os métodos e critérios utilizados devem ser consistentes em vários períodos.
O Postulado da Continuidade considera que a entidade é capaz de gerar riqueza de
forma continuada (ininterrupta). Logo, a avaliação das mutações patrimoniais, segundo o
princípio contábil da continuidade, deve considerar a hipótese de que, até que surjam
evidências em contrário, a empresa continuará a operar indefinidamente no futuro
(conforme definição do postulado da continuidade das entidades). A resposta é a
alternativa \u201ca\u201d.
1.1.5.3. Princípio da Oportunidade
O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos
componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.
Portanto, o Princípio da Oportunidade exige a apreensão, o registro e o relato de todas as
variações sofridas pelo patrimônio de uma entidade, no momento em que elas ocorrerem.
A integridade diz respeito à necessidade de as variações serem reconhecidas na sua
totalidade, isto é, sem qualquer falta ou excesso.
A tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que
ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza, na forma relatada no item anterior.
A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação
contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação
entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.
Já caiu em prova!
(Senado\u2013Analista Legislativo\u2013Contabilidade\u20132008-FGV) \u201cParentes abalados e equipes médicas tentam na quinta-
feira identificar os corpos carbonizados das 153 vítimas do acidente ocorrido na véspera no aeroporto de Madri. A
investigação sobre esse desastre aéreo, o pior na Espanha desde 1983, começou na quinta-feira e deve levar um
ano para ser concluída.\u201d (Reuters, agosto de 2008) De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade,
determine o princípio contábil que deve ser seguido na situação acima para que a Contabilidade forneça
informações úteis a seus usuários.
a) Registro pelo Valor Original.
b) Continuidade.
c) Conservadorismo.
d) Competência.
e) Oportunidade.
A empresa aérea em questão deverá adotar o princípio da prudência, que será visto
adiante (para previsão de pagamento de indenização às vítimas) e que não consta nas
alternativas, e o princípio da oportunidade, para que possa fornecer informações
necessárias aos seus usuários. A resposta correta é a alternativa \u201ce\u201d.
Já caiu em prova!
(Analista Judiciário-Área Administrativa-Especialidade Contabilidade-TRT 24R-2011-FCC) O princípio contábil que
determina que o registro das variações patrimoniais, desde que tecnicamente estimável, deve ser feito mesmo na
hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência, é o Princípio da:
a) Continuidade.
b) Exclusividade.
c) Oportunidade.
d) Entidade.
e) Prudência.
De acordo com o Princípio da Oportunidade,