Direito Penal II
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respectivamente por autor e partícipe. 
b) Relevância causal de cada conduta: nem toda conduta configura 
participação, pois é necessário eficácia causal, provocando, facilitando 
ou, ao menos, estimulando a conduta principal. 
c) Vínculo subjetivo entre os participantes: deve existir entre os 
participantes liame psicológico (elo psicológico). Ou seja, deve existir 
consciência de que participam de uma obra comum. Ausência deste 
elemento (o liame) psicológico desnatura o concurso de pessoas. 
Somente a adesão voluntária objetiva ou subjetiva à atividade de 
outrem, visando a realização do objetivo comum cria o vínculo de 
concurso de pessoas e sujeita à responsabilidade penal. 
d) Identidade de infração penal: é uma divisão de trabalho com 
atividades dispares, mas convergentes a um só fim típico. Respondem 
todos por um único tipo penal. 
 
 
 
ESPÉCIES DE PARTICIPAÇÃO 
A participação pode apresentar-se de varias formas: instigando, 
induzindo ou auxiliando. 
 Instigação: a) ocorre quando o partícipe atua sobre a vontade do 
autor (instigado); 
*instigar: animar, estimular, reforçar uma ideia criminosa do autor. 
b) Induzimento: significa suscitar a ideia, tornar a iniciativa 
intelectual, fazer surgir no pensamento do autor uma ideia até 
então inexistente; 
c) Cumplicidade ou auxílio: é a participação material em que o 
partícipe exterioriza a sua contribuição através de um 
comportamento de um auxílio. Pode efetivar-se, por exemplo, 
através do empréstimo da arma do crime, de um veículo para 
deslocamento, etc. 
d) Autoria mediata: é quem consegue diretamente a execução por 
meio de pessoa que atua sem culpabilidade. A pessoa está insciente 
da prática do crime. Obs.: neste caso não há concurso de pessoas 
porque o executor do crime não estava consciente de que estava 
praticando um crime. 
e) Cooperação dolosamente distinta: aqui ocorre o chamado desvio 
subjetivo de condutas. Isso acontece quando a conduta executada 
difere daquela idealizada pelo partícipe. Ou seja, do crime praticado 
pelo autor. Ex.: Pedro contrata João para dar uma surra em José. 
 João por sadismo mata José; Vide § 2, art 29, cp.
f) Autoria Colateral: ocorre quando duas ou mais pessoas 
informando uma a contribuição da outra realizam condutas 
convergentes objetivando a execução da mesma infração penal. EX: 
quando dois indivíduos sem saber um do outro colocam-se de tocaia 
e quando a vítima passa desferem tiros ao mesmo tempo matando-
a OBS: não existe concurso de pessoas porque não há liame 
psicológico entre as pessoas na tocaia. 
g) Antijuridicidade: é ação de relação de contrariedade entre o fato 
típico e a norma jurídica. Ela é a contradição entre a conduta e o 
ordenamento jurídico. Vide art 23, cp (exclusão de ilicitude); 
 
\uf0e8 Legítima Defesa \u2013 art. 25, cp \u2013 entende-se em legítima defesa quem, 
usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente a direito seu ou de outrem; 
OBS: agressão é toda conduta humana que ataca ou coloca em perigo 
um bem jurídico. 
OBS²: a legítima defesa deve ser atual. Ou seja, deve acontecer no 
presente, se a agressão aconteceu no passado, o revidador deixa de ser 
legítima defesa para tornar-se vingança; 
OBS³: defesa de agressão injusta -> usando dos meios necessários -> 
agressão atual ou iminente -> moderação. 
OBS: enquanto a vítima estiver sendo atacada, ele/ela está agindo com 
moderação. Cessado o ataque, qualquer tentativa excessiva de defesa 
passa para a falta de moderação (excesso); 
OBS: excludente de ilicitude, mas não de culpabilidade. 
 
 Legítima defesa putativa: \uf0e8 não é excludente d ilicitude. É uma 
excludente de culpabilidade (art 20. § 1º) _ Quando alguém se julga 
erroneamente diante de uma agressão injusta ou atual iminente, 
encontrando-se, portanto legalmente autorizado a repeli-la; existe a 
legítima defesa putativa quando há um antecedente que justifique o 
erro de entendimento da situação na qual o agente se encontra (o 
agente comete o crime, mas não é apenado). 
\uf0e8 Estado de Necessidade: considera-se em estado de necessidade quem 
pratica o fato para salvar de perigo atual que não provocou por sua 
vontade nem podia de outro modo evitar _ Direito próprio ou alheio, 
cujo sacrifício nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. EX: furto 
famélico (subtração para matar a fome própria ou de outrem). 
Destruição de mercadorias de uma embarcação ou aeronave para 
salvar a tripulação; tábua do naufrago (tábua de salvação) \u2013 a tábua só 
comporta um peso, porém há três náufragos; um se salva e os outros 
são sacrificados. 
 
 
 
 
Pedro Henrique A. Guerreiro. 
 
 
11/04/2016