Direito Administrativo - Intervenção do Estado no Domínio Econômico e Social - Resumo
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Direito Administrativo - Intervenção do Estado no Domínio Econômico e Social - Resumo


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a praticar as condutas proibidas/censuradas (bem como desestimular o infrator a ser reincidente na conduta), e estimular a pessoa a praticar as condutas de conformidade com as regras do comportamento positivo. O objetivo não é castigar e nem arrecadar dinheiro para o Poder Público. E sim regular o convívio social correto.
Sujeito passivo (sujeito às infrações e de responder por elas) \u2013 pessoas físicas e jurídicas (direito privado ou direito público). O menor também (ex.: ficar por mais tempo do que o permitido com algum livro da biblioteca pública. Mas não acontece o mesmo para alguns casos, como dirigir sem CNH). 
Infrator e responsável subsidiário: Infrator é o sujeito que pratica a infração e responderá por ela com a sanção. Responsável subsidiário é quem responderá pela infração caso quem a cometeu não possa responder ou não responda por ela.
Há casos em que se exclui a infração cometida, que são os casos em que falta o elemento subjetivo da voluntariedade. E outros que se exclui a sanção apenas, que são: obediência hierárquica, estrito cumprimento do dever legal, e exercício regular do direito.
Para que seja infração, devem ser obedecidos os seguintes princípios:
- Legalidade \u2013 Submissão da Administração à lei. Portanto, tanto as infrações como as sanções devem ser instituídas em lei (não decretos, portarias, etc.). Com exceção dos órgãos que travam vínculo com a Administração (concessão de telecomunicação, por exemplo, ou admissão de alguém na biblioteca pública). E também de normas que exigem sua conclusão com averiguação técnica e científica, como o que é considerado droga, por exemplo, ou outro exemplo: segurança contra fogo em edificações. Se a lei impõe a adoção de equipamentos de prevenção e segurança contra incêndio, cabe averiguação para saber o que será tecnicamente necessário, que completará o que a lei não especificou.
- Anterioridade \u2013 não se aplica sanção e nem infração sem que haja uma lei anterior. A posterior ao ato praticado não pode valer.
- Tipicidade \u2013 Identificação correta da conduta para que o infrator saiba o que não pode se incorrer mais, sem ficar na dúvida; e para saberem previamente qual conduta adotar e qual não adotar; e para que a incursão seja reconhecida. Caracterização das condutas proibidas de maneira clara e objetiva. Da mesma forma para as sanções. Não seria considerada válida a sanção que fosse tipificada de 20 reais a 5000 reais de multa, pois não deixaria claro, e o administrador teria uma liberdade de governar (discricionariedade exagerada) sobre os administrados, sendo que estes deveriam ser governados pela lei. Além da falta de razoabilidade, no caso.
- Princípio da exigência de voluntariedade \u2013 não é dolo nem culpa. Só o animus de praticar a conduta. Mesmo que haja a transferência da sanção, pois houve o animus do filho menor, por exemplo.
Para que haja sanção, os seguintes princípios:
- Proporcionalidade \u2013 Sanções proporcionais com a gravidade da infração praticada. Se desproporcional, a sanção é inválida. Se há dúvida quanto à gravidade, sanção menor.
- Devido processo legal \u2013 Toda sanção administrativa deverá ser submetida ao devido processo legal. Dificuldades práticas \u2013 no caso da multa, o auto de infração é apenas um aviso de lançamento da multa. No caso de apreensão de equipamentos, alimentos, destruição, não há o devido processo legal, pois são medidas acautelatórias e não sanções administrativas, então não precisam de um processo preliminar.
- Princípio da Motivação \u2013 A Administração é obrigada a expor fundamentos em que se embasa a infração. Não só do dispositivo, mas da conduta; e por que agravou ou por que gradou. 
Diferença entre providência administrativa acautelatória e sanção administrativa: medidas adotadas de imediato pela Administração para prevenir eventuais danos ao interesse público ou boa ordem administrativa. Paralisa comportamentos que possam gerar danos. Não visa estimular ou intimidar. Ex.: apreensão de medicamentos ou alimentos impróprios para o consumo, expulsão de aluno, interdição de estabelecimento que esteja poluindo. 
Só se converterá em sanção administrativa depois da oportunidade de defesa, após processo.
Multas:
Todas as sanções cumprem seu papel intimidador. São classificadas, nesse sentido, em:
- Sanções que se limitam a cumprir essa finalidade;
- As que, além disso, visam ressarcir a Administração por prejuízo que a infração causou (multas reparatórias);
- As de caráter cominatório.
A multa não pode ser confiscatória (elevada demais). Princípio da Proporcionalidade. E a multa deve cessar quando o infrator ingressar em juízo.
Há o dever de sancionar toda vez que for identificada uma infração. Não pode ser discricionário. Mas há o princípio da insignificância, com lesividade mínima, insignificante.
Poder de polícia:
Os cidadãos possuem direitos constitucionais, mas seu usufruto deve ser compatível com o bem estar social. O uso da liberdade e da propriedade deve estar compatível com a utilidade coletiva.
Liberdade e propriedade são diferentes de direito à liberdade e direito à propriedade. Há limites para os primeiros, enquanto não há limites administrativos para os últimos.
A Administração tem o dever de reconhecer alguns direitos que não estão na lei. Ação discricionária. As atividades praticadas já previstas em lei, a Administração só deve assegurar o respeito à lei. As que não estão, a Administração deve analisar as circunstancias objetivas e subjetivas, pela periculosidade da atividade (ato obsceno, violento, etc.) e pela inexistência de perigo no caso de permitir uma vedação genérica, como a autorização de porte de arma.
Não se pode falar em limites de direitos. Se não há tumulto, a Administração não pode intervir numa passeata, por exemplo. Mas há limites no exercício da propriedade e da liberdade, que só delineiam a esfera de direito tutelado.
Poder de polícia: setor de atividade estatal que delineia o âmbito da liberdade e propriedade a partir das leis, ajustando-os aos interesses coletivos, e que executa as leis através dos atos administrativos. Este é o sentido amplo, abrange atos tanto do Executivo quanto do Legislativo.
Por isso, é uma expressão infeliz, pois engloba leis e atos administrativos, que são diferentes. A Administração não tem esse amplo poder de disposições superiores (leis), senão o de atuar com base na lei, conferindo a serem exercidos dentro da lei.
Sentido estrito de poder de polícia: é a polícia administrativa, que está relacionada unicamente com as intervenções do Poder Executivo (abstratas e concretas \u2013 regulamentos; e autorizações, licenças e injunções), com o fim de prevenir atividades que contrastam com o interesse coletivo.
O poder da policia administrativa é emanado de sua supremacia geral, que nada mais é do que a supremacia das leis, que são concretizadas através dos atos da Administração. É diferente da supremacia especial (ou relação especial de sujeição).
Supremacia geral \u2013 a Administração só possui poder de agir se tiver extraindo esse poder da lei.
Supremacia especial \u2013 Decorrente de relação especial da Administração com o indivíduo. Usuários, concessionários, servidores públicos. Para se reconhecer a supremacia especial:
- Situação de vínculo entre a Administração e círculo de pessoas diferentes das demais pessoas em geral. Ex.: Servidor Público e Estado; matriculados e Universidade Pública; internados e hospital público; matriculados na biblioteca pública e Biblioteca. Diferente das demais pessoas que não tem essas relações.
Portanto, exigem uma disciplina interna. Regras, disposições restritivas ou disposições benéficas, etc. Ex.: Horário, sanção, disciplina para estudantes daquelas; condições de higiene, regras pra visitantes, segurança pra hospitais, etc. Seria impossível que todas essas regras fossem ditadas por leis. Para isso, existem condições:
- Encontrar seu fundamento último na lei, que confere atribuição de fazer regras, sendo estas especificações da lei.
- Fundamentar