Direito Administrativo - Intervenção do Estado no Domínio Econômico e Social - Resumo
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Direito Administrativo - Intervenção do Estado no Domínio Econômico e Social - Resumo


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seu poder nas relações de sujeição especial, assim como o poder contratual encontra seu fundamento no contrato;
- Restringir suas disposições ao que for necessário somente;
- Atrelar suas disposições no princípio de razoabilidade e proporcionalidade, sem exageros.
E não podem:
- Desobedecer direitos, deveres e obrigações da lei e da CF;
- Extravasar a intimidade da relação;
- Exceder em nada daquilo que for estritamente necessário;
- Produzir efeitos que restrinjam direitos de terceiros.
Os atos da supremacia especial não englobam o poder de policia (limitação administrativa a liberdade e a propriedade).
Essência do poder de polícia:
É incorreto dizer que é um poder negativo (não positivo). Pois, por ex.: impedir uma construção que possa vir a enfear a cidade é positivo, pois impede que a cidade se enfeie, e também constrói um valor estético da cidade.
Porém, o poder de polícia na sua maioria é negativo, visa impedir certos atos. Exige um não fazer. Mas isso é bom, porque a utilidade pública é conseguida através do poder de polícia indiretamente. Diretamente é o serviço público. Mas enquanto o poder de polícia obtém a utilidade pública de forma indireta, o serviço público a obtém diretamente. Ambas são prestações do Estado.
Exceção: Ação positiva do proprietário que tem o dever de ajudar sua propriedade de modo a cumprir uma função social, devendo efetuar edificação.
Características do poder de policia:
- provém de autoridade pública;
- é imposta coercitivamente pela Administração;
- Abrange genericamente as atividades e propriedades.
- Impõe abstenções aos particulares, ao invés de deveres positivos de fazer ou de dar.
Às vezes há aparência de fazer: fazer habilitação para motorista, colocar equipamento contra incêndio nos prédios, etc. Mas isso é aparência. O Poder Público quer evitar que os particulares façam algo nocivo ou perigoso.
O Poder Público também não sujeita os bens ao interesse público, como nas servidões. Apenas estabelece limitações a propriedade privada que favorece a utilidade social.
Incumbe a Administração manifestar-se discricionariamente, examinando a conveniência e oportunidade de concordar com a prática do ato que seria vedado ao particular à falta de autorização. E o caso do porte de arma, por exemplo. E licença pra construir.
A atuação administrativa marca-se pela repressão a uma atuação antissocial. Somente se poderá considerá-la preventiva relativamente, isto é, em relação aos futuros danos outros que adviriam da persistência do comportamento reprimido. É claro que não leva o infrator ao Judiciário para aplicar a sanção, nem captura delinquentes. Mas é repressiva sim.
Age repressivamente também na apreensão de produtos danificados já vendidos, ou coibindo eventos onde já aconteceu uma atividade antissocial ou obscena. Age depois, e não preventivamente.
A polícia judiciária, portanto, não se difere da administrativa pelo caráter repressivo, pois ambas são repressivas, mas se diferem devido à atuação da primeira sob o regimento das normas penais, enquanto a outra, sob as normas administrativas.
A polícia administrativa manifesta-se tanto por disposições genéricas (como regulamentos e portarias que disciplinam horário de venda de bebida alcoólica, por exemplo) como por disposições específicas (como apreensão de jornal com noticia imoral, guichamento de veículo que obstrua via, etc.).
A atividade de polícia agrega fiscalizadores que atuam de modo a prevenir também. Ex.: fiscalizar caça, fiscalizar condição de veiculo, fiscalizar pesos de produtos, etc.
O poder de policia é discricionário no sentido amplo (Legislativo \u2013 delimitar a liberdade e a propriedade). Mas não o é no sentido estrito (polícia administrativa).
A polícia administrativa é a atividade da Administração Pública de condicionar, com fundamento em sua supremacia geral e na forma da lei, a liberdade e a propriedade dos indivíduos, mediante ação ora fiscalizadora, ora preventiva, ora repressiva, impondo coercitivamente aos particulares um dever de abstenção, a fim de conformar-lhes os comportamentos aos interesses sociais.
Os atos jurídicos da policia administrativa não podem ser delegados aos particulares, porque uns poderiam ter supremacia sobre outros.
Mas certos atos materiais, que antecedem os atos jurídicos de polícia administrativa, podem ser delegados ou contratados aos particulares (chamados de Credenciamento). Exemplo: empresas que possuem e operam equipamentos fotossensores, que captam a velocidade dos veículos, contratadas pelo Poder Público para a fiscalização do cumprimento de normas de trânsito. Não há supremacia entre os particulares, pois não há expedição de sanção ou decisão de algo, apenas há uma constatação de um fato.
Mas há ainda a prática sucessiva de ato jurídico de polícia, que o particular pode exercer. Ato jurídico que interfere somente na propriedade e nunca na liberdade do administrado. Ex.: Executar a demolição de uma propriedade irregular desocupada, quando o proprietário se recusa a intimação para fazer isso por seus meios.
Há também os atos executados por meio de máquinas \u2013 emissão de auto de infração por parquímetros, pertencentes a particulares, mas não delegados.
Para executar os atos da polícia administrativa, a Administração Pública não precisa de uma declaração ou autorização do Poder Judiciário. Ela pode por si mesma fazer o comportamento do individuo se enquadrar às regras da Administração. Dissolução de comício ou passeata, quando perturbam, por exemplo, são asseguradas pelos órgãos administrativos. Poder Executivo, e não Judiciário.
Essas medidas são feitas nas seguintes hipóteses: quando a lei autorizar; quando a adoção da medida for urgente, que acarrete risco pra coletividade; quando não houver outra via de direito. Essa coação administrativa é feita porque se fosse depender do Judiciário, os valores pereceriam pela demora. 
A obediência compulsória da Administração não fere a legalidade. Mandado de segurança e habeas corpus são medidas que podem defender o particular. Os meios coativos são uma necessidade imposta em nome dos interesses públicos. Mas tem um limite: atingimento da finalidade legal. Nunca deve se servir dos meios mais enérgicos do que os necessários. É preciso a proporcionalidade entre a coação e a finalidade pretendida. E só é aplicada a coação quando não houver outro meio.
Se houver excessos, pode se apresentar de dois modos:
- Quando a intensidade da medida é maior que a necessária. Ex.: emprego de violência para dissolver reunião pacífica, mas não autorizada;
- Quando a extensão é maior que a necessária. Ex.: apreensão de todo um jornal que publicou algo imoral, se só poderia apreender o da região afetada.
Setores da polícia administrativa:
- Policia de caça (protege fauna terrestre);
- Polícia de pesca (protege a fauna aquática);
- Polícia de divertimentos públicos (protegendo valores sociais feridos por teatros e cinema);
- Polícia florestal (protege a flora);
- Polícia de pesos e medidas (fiscaliza padrões de medida, em defesa da economia popular);
- Polícia de tráfego e trânsito (segurança e ordem nas rodovias);
- Polícia dos logradouros públicos (tranquilidade pública);
- Polícia da sanitária (saúde pública, incidindo em várias outras polícias).
Em resumo, a polícia administrativa se propõe a salvaguardar os valores:
a) de segurança publica; 
b) de ordem publica; 
c) de tranquilidade publica; 
d) de higiene e saúde publicas; 
e) estéticos e artísticos; 
f) históricos e paisagísticos;
g) de riquezas naturais; 
h) de moralidade pública; 
i) de economia popular.
Polícia administrativa na União, Estados e DF: As atividades de polícia administrativa incubem a quem legisla sobre a matéria.
- União \u2013 art. 22 CF. Concorrerá com Estados no art. 24.
- Estados \u2013 parágrafo 1º do art. 25, em concorrência com a União no art. 24.
- Municípios \u2013 art. 30.
- DF \u2013 art. 32, parágrafo 1º. Concorrente art. 24.
Muitos são arrolados como