DESAFIOS DO DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORANEOal000135
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DESAFIOS DO DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORANEOal000135


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liberdade de escolha dos
consumidores, de outro, produzirão os melhores resultados sociais: qualidade dos bens e
serviços e preço justo. BARROSO, Luís Roberto; \u201cA ordem econômica constitucional e os
limites à atuação estatal no controle de preços\u201d, in Temas de Direito Constitucional \u2013
Tomo II, Rio de Janeiro, Renovar, 2003, p. 58. Para uma melhor compreensão do princípio
da livre concorrência no direito brasileiro, ver GRAU, Eros Robert, A Ordem Econômica
na Constituição de 1998, São Paulo, Malheiros, 7. ed., 2002, p. 250-258. O mesmo autor
lembra que, no Brasil, o princípio da livre concorrência está na Constituição de 1988, em
complemento ao art. 170, IV, e compõe-se, ao lado de outros, no grupo do que tem sido
referido como \u2018princípios da ordem econômica\u2019.
30 O princípio da não-discriminação visa a possibilitar igualdade de tratamento entre os
Estados-membros da OMC, protegendo-os contra a ocorrência de concessões bilaterais e
possibilitando a entrada de novos competidores no mercado internacional, aspectos estes
que o tornam um dos importantes pilares para a manutenção do sistema multilateral de
comércio implementado pelo GATT/OMC. Este princípio está subdividido em duas partes:
cláusula da nação-mais-favorecida e tratamento nacional. MARQUES, Frederico do Valle
Magalhães, O direito internacional da concorrência e os princípios da organização
mundial do comércio, Rio de Janeiro, Renovar, no prelo.
31 O princípio da reciprocidade visa a assegurar que, mediante negociações em direitos
alfandegários e outras matérias afins, deverá haver reciprocidade quando da adesão de um
país. Assim, o GATT, por meio da reciprocidade de concessões e vantagens mútuas que um
Membro estende ao outro, procura manter equilibrados os esforços dos Estados para
liberalizar o comércio. MARQUES, Frederico do Valle Magalhães, O direito internacional
da concorrência e os princípios da organização mundial do comércio, Rio de Janeiro,
Renovar, no prelo.
32 Este princípio tem como finalidade o acesso de todos os Membros às informações dos
demais Membros sobre as medidas governamentais relevantes relacionadas aos Acordos,
incluindo informação sobre a legislação em vigor e ações governamentais, fazendo que os
Estados e os agentes econômicos tenham acesso a tais informações e possam melhor utilizar
e tirar proveito das vantagens criadas pelo sistema multilateral de comércio constituído
através da OMC. Além disso, este princípio possibilita melhor controle e monitoramento
da implementação e da aplicação dos acordos celebrados no âmbito OMC, bem como o
cumprimento de suas respectivas obrigações.MARQUES, Frederico do Valle Magalhães,
O direito internacional da concorrência e os princípios da organização mundial do
comércio, Rio de Janeiro, Renovar, no prelo.
33 O princípio do tratamento especial e diferenciado deverá ser implementado pela introdução
de tratamento preferencial concedido pelos países desenvolvidos aos países em
CONTROVÉRSIAS COMERCIAIS INTERNACIONAIS: OS PRINCÍPIOS DO DCI E OS LAUDOS DO MERCOSUL
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cada Estado-Parte dos tratados que o consagram \u2013 no caso do Brasil, o da
OMC e o do Mercosul \u2013, deve evitar a adoção de medidas nacionais
contrárias ao livre comércio, por meio da eliminação de barreiras tarifárias
e não-tarifárias ao comércio internacional, ou mediante o combate de práticas
que venham a limitar o regular funcionamento do mercado (prática de
dumping, atos de concorrência desleal, abuso do poder econômico, acordos
de restrição vertical).
O pleno desenvolvimento do livre comércio dá-se pela manutenção
de concorrência leal entre os diversos operadores do comércio internacional,
com o combate à concorrência predatória e às práticas comerciais abusivas.
Para garantir a manutenção do primeiro, o segundo deve estar funcionando
adequadamente. A incidência do princípio do livre comércio e da livre concorrência
ao caso concreto \u2013 operação econômica internacional \u2013 é que dará o
contorno da interpretação e da aplicação das demais normas de uma
organização internacional e, conseqüentemente, do julgamento dos casos
submetidos ao seu sistema de solução de controvérsias, estabelecendo, ao
lado dos demais princípio, a medida e o alcance das regras de tal organização
internacional para cada caso.
Ainda na categoria de princípios gerais \u2013 classificam-se para todas
as relações jurídicas e somam-se os da boa-fé, ligados ao da Pacta Sunt Servanda
e o Due Process of Law.34 Os princípios referidos são fundantes da ordem
desenvolvimentos, como, por exemplo, (i) acesso preferencial a mercados; (ii) tratamento
mais favorável na implementação dos dispositivos da Rodada Uruguai; e (iii) assistência técnica
para auxiliar na implementação dos acordos. Cumpre ressaltar que tais concessões serão
baseadas em compromissos de boa-vontade, e não obrigatoriedade, como deveria ser.
MARQUES, Frederico do Valle Magalhães, O direito internacional da concorrência e os
princípios da organização mundial do comércio, Rio de Janeiro, Renovar, no prelo.
34 Os princípios Pact Sunt Servanda e Due Process of Law são atinentes a qualquer ato
internacional. Accioly e Nascimento e Silva ressaltam que \u201cDionisio Anzilotti, foi buscar
na norma pacta sunt servanda o fundamento do DIP. Segundo Anzilotti, a norma tem \u201cum
valor jurídico absoluto, indemonstrável e que serve de critério formal para diferençar as
normas internacionais das demais\u201d. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados
de 1969 consagrou o princípio em seu artigo 26, nos seguintes termos: \u201cTodo tratado em
vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé\u201d. ACCIOLY, Hidelbrando e
NASCIMENTO E SILVA, Geraldo Eulálio, Manual de Direito Internacional Público, São
Paulo, Saraiva,2000, 14. ed.; p. 24. J. F. Rezek, ao explicar a perspectiva histórica do direito
dos tratados, lembra que \u201c[o] direito dos tratados, parte fundamental do Direito das Gentes,
apresentava, até o romper deste século [XX], uma consistência costumeira, exceto por dois
princípios \u2013 a boa- fé e o pact sunt servanda \u2013 em que muitos autores, mas não todos, preferiam
reconhecer transcendência distintivas das normas resultantes da prática interestatal. REZEK,
J. F., Direito dos Tratados, Rio de Janeiro, Forense, 1984, p. 13.
JORNADAS DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO NO ITAMARATY
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jurídica internacional e interna. O primeiro reflete a regra segundo a qual
os tratados devem ser seguidos e cumpridos de boa-fé.35
No direito internacional, o princípio da boa-fé está consagrado no
parágrafo 2o, do artigo 2o, da Carta das Nações Unidas, o qual estabelece
que \u201ctodos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os
direitos e vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão
cumprir de boa-fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a presente
Carta\u201d.36
 O segundo impõe o respeito ao devido processo legal e está
relacionado, principalmente, aos procedimentos de solução de controvérsias,
fazendo que tais organizações promovam e assegurem o direito dos Estados
em instaurar procedimentos e apresentarem suas defesas, estabelecendo
condições justas e eqüitativas nos procedimentos instaurados.
Esses princípios são utilizados como base das decisões dos sistemas
de solução de controvérsias das organizações internacionais multilaterais
ou regionais; por isso, vamos analisá-los nos laudos do Mercosul.
PARTE II
3. Os sistemas de solução de controvérsias comerciais e os princípios
Podem ser divididos em: (i) sistemas estatais nacionais de solução de
controvérsias: Poder Judiciário Nacional; (ii) sistemas privados de solução de
controvérsias: Tribunais Arbitrais (nacionais e internacionais); (iii) sistemas
35 A palavra boa-fé vem do latim bona fides, boa confiança. A boa-fé vincula as partes ao
dever da lealdade \u2013 incluindo a idéia de confiança. A boa-fé objetiva, por sua vez, reflete
uma norma de conduta, dever de agir com lealdade e em observância aos padrões sociais,