DESAFIOS DO DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORANEOal000135
460 pág.

DESAFIOS DO DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORANEOal000135


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.991 materiais556.888 seguidores
Pré-visualização50 páginas
da integração.
Há uma correlação entre a compreensão do Direito pelo modelo da commom
law, e a que emergiu no Mercosul do labor dos Tribunais Arbitrais. A criação
do TPR, ainda que sem as prerrogativas do Tribunal existente na
Comunidade Européia, certamente fará que essa função seja revista e
ampliada.
de Brasília, surgem desacordos sobre pontos de direito, ou seja, que há um conflito de
opiniões legais ou interesses entre as Partes relativo, à compatibilidade de normas aplicadas
pelo Brasil com a normativa Mercosul.\u201d
JORNADAS DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO NO ITAMARATY
130
Tabelas dos laudos
O Resultado dos Laudos
País
Recte
Recdo
Sucesso
Sucesso
Parcial
Argentina
4
3
2 (4; 9)
2 (1; 2)
Brasil
2
5
1 (3)
2 (1; 2)
Acordo (10)
Paraguai
1
1 (8)
Uruguai
3
2
3 (5; 6; 7)
Acordo (10)
Tipos de Controvérsias no Mercosul
\uf8e9 2005. Profa. Nadia de Araujo
CONTROVÉRSIAS COMERCIAIS INTERNACIONAIS: OS PRINCÍPIOS DO DCI E OS LAUDOS DO MERCOSUL
131
Temas dos Laudos (1)
Laudo Assunto
Aplicação pelo Brasil de medidas restritivas de acesso
ao mercado
Subsídios do Brasil à exportação de carne de porco
Medidas de Salvaguarda aplicada pela Argentina aos
têxteis
Medidas antidumping aplicada pela Argentina para
frangos congelados do Brasil
1º. Ar/Br
2º. Ar/Br
3º. Br/Ar
4º. Br/Ar
Temas dos Laudos (2)
Laudo Assunto
Restrições pelo Uruguai ao acesso de bicicletas
Restrições à importação de pneus usados
Restrições fitossanitárias aos produtos argentinos
Imposto sobre circulação interna de cigarros
provenientes do Paraguai
5º. Ar/Br
6º. Ar/Br
7º. Br/Ar
8º. Br/Ar
Temas dos Laudos (3)
Laudo Assunto
Estímulo dado pelo Uruguai à industrialização de lã
Controvérsia sobre medidas discriminatórias e
restritivas ao comércio do tabaco
Sobre importação de pneus usados (ainda não
publicado, já pelo Protocolo de Olivos)
9º. Ar/Br
10º. Ar/Br
11º. Br/Ar
Antonio Paulo Cachapuz de Medeiros1
INTRODUÇÃO
O Direito dos Tratados é ramo do Direito Internacional Público.
Tem por objeto disciplinar a conclusão, por escrito, de acordos de vontade
entre pessoas internacionais, dispondo sobre direitos e obrigações
recíprocos. Abrange os princípios e as normas que concernem a negociação,
entrada em vigor, observância, aplicação, interpretação, emenda,
modificação, nulidade, extinção e suspensão da execução dos acordos
internacionais.
O Direito dos Tratados é alvo da atenção dos organismos
internacionais, que buscam codificá-lo, dos legisladores nacionais, da
diplomacia e daqueles que se dedicam ao estudo do Direito Internacional.
Muitas controvérsias giram em torno de aspectos do Direito dos
Tratados, impulsionadas tanto pela expansão das relações internacionais,
e conseqüente aumento do número dos tratados, como pelo processo de
democratização dos sistemas políticos internos e de redução do déficit
democrático dos organismos internacionais.
A necessidade de atualizar o Direito dos Tratados no Brasil tem
sido destacada em teses defendidas no Curso de Altos Estudos do Instituto
Rio Branco.
José Vicente da Silva Lessa, na tese intitulada \u201cA Paradiplomacia
e os Aspectos Legais dos Compromissos Internacionais Celebrados
por Governos Não-Centrais\u201d, sublinhou, por exemplo, a \u201causência no
Brasil de uma lei reguladora da negociação, da assinatura, da
133
Atualização do Direito dos Tratados*
* As opiniões expressas neste trabalho devem ser creditadas unicamente ao autor e não
refletem, necessariamente, o ponto de vista do Ministério das Relações Exteriores.
1Doutor em Direito (USP). Professor Universitário, Consultor Jurídico do Ministério
das Relações Exteriores, Professor do Instituto Rio Branco.
JORNADAS DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO NO ITAMARATY
134
processualística e da execução dos atos internacionais \u2013 circunstância
à que se agrega a relutância em ratificar a Convenção de Viena sobre o
Direito dos Tratados\u201d. Uma lei nacional de tratados, tal como existente
em inúmeros países, concluiu Lessa, \u201cteria a conveniência de
regulamentar aspectos sobre os quais persistem dúvidas recorrentes,
inclusive no plano federal. Essas dúvidas estão relacionadas à
caracterização das partes contratantes, à forma dos atos e suas
hierarquias, à concessão de plenos poderes, à entrada em vigor, à
ratificação e a vários outros aspectos.\u201d2
Clemente de Lima Baena Soares, por sua vez, na tese \u201cO Processo
Legislativo e a Aprovação de Acordos Internacionais Assinados pelo
Brasil\u201d, grifou que:
[M]esmo passados quase cem anos entre a entrada em vigor da
Constituição de 1891 e a promulgação da atual Carta de 1988, não foi
possível disciplinar, de forma inequívoca, a função de cada Poder no
processo de celebração de atos internacionais e de sua posterior
aprovação interna, ratificação, implementação e eventual denúncia.
[...] Os imprecisos dispositivos constitucionais dão margem a múltiplas
interpretações jurídico-doutrinárias sobre o alcance e limite das
prerrogativas dos dois Poderes (Executivo e Legislativo) nessa área.
[...] É inevitável a adoção de normativa jurídica equilibrada que se
ajuste às exigências de dinamismo da atual macroestrutura
internacional.3
Paulo Caliendo e Valério de Oliveira Mazzuoli entendem
igualmente \u201cnecessária a promulgação de uma lei de tratados no Brasil,
onde se deixem bem fixadas as regras brasileiras relativas à
integração, eficácia e aplicabilidade dos tratados internacionais em
nosso País\u201d.4
2 LESSA, José Vicente da Silva. \u201cA Paradiplomacia e os Aspectos Legais dos Compromissos
Internacionais Celebrados por Governos Não-Centrais\u201d. Tese aprovada no XLIV Curso
de Altos Estudos do Instituto Rio Branco. Mimeo., p. 109.
3 BAENA SOARES, Clemente de Lima. \u201cO Processo Legislativo e a Aprovação de Acordos
Internacionais Assinados pelo Brasil\u201d. Tese aprovada no XLVIII Curso de Altos Estudos
do Instituto Rio Branco. Mimeo., p. 130-31.
4 CALIENDO, Paulo & MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Projeto de Lei Complementar
sobre a Aplicação das Normas Internacionais no Brasil. Mimeo., p.4.
ATUALIZAÇÃO DO DIREITO DOS TRATADOS
135
1. CONSTITUIÇÃO, RELAÇÕES EXTERIORES E PODER DE CELEBRAR TRATADOS
Desde o século XVIII, consolidou se a idéia de que a política
externa \u2013 materializada juridicamente através dos tratados internacionais
\u2013 tem como centro de impulsão o Poder Executivo.
Entretanto, ao mesmo tempo, ficou assentado o direito do
Legislativo de velar para que os interesses nacionais não sejam afetados
por equívocos do Executivo na direção das relações exteriores.
Os rumos da política externa e os métodos da ação diplomática
devem ser confiados ao Executivo, mas o Legislativo precisa exercer
controle sobre a atividade governamental.
O consentimento do Poder Legislativo, requisito do âmbito interno
dos Estados, por conseguinte, executado depois da negociação e da
assinatura dos acordos internacionais, por agentes designados pelo Chefe
do Poder Executivo, e antes de sua ratificação definitiva, passou a integrar
a formação da vontade do Estado para obrigar se internacionalmente.
Encontrar fórmula que permita organizar os poderes constituídos
do Estado, de modo a garantir o controle do Legislativo internamente e,
ao mesmo tempo, conferir ao Executivo suficiente autoridade para
promover os interesses do País no cenário externo, é desafio difícil para
legisladores e estudiosos do Direito.
A análise dos principais sistemas constitucionais determinadores
da competência dos Poderes constituídos para a formação e a declaração
da vontade do Estado em assumir compromissos externos revela a
existência de incertezas neste campo.
A originalidade do poder de dirigir e controlar as relações exteriores
foi percebida por autores clássicos como Locke, Montesquieu e Hamilton,
que identificaram, através de seus estudos, uma função