Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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Figura 14: Importância das paisagens de média/alta resiliência como gargalos de conectividade segun-
do os resultados do índice Gcon.
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Figura 13: Importância das paisagens de média/alta resiliência segundo os resultados do índice va-
rIICconnector.
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O mapeamento de áreas indicadas para recupera-
ção pelo PACTO não abrange todas as paisagens 
das diferentes biorregiões (figura 15), sendo ne-
cessário adotar dois critérios para a priorização 
das paisagens para recuperação. O critério de cor-
te pelo valor da mediana a partir dos valores dos 
índices Gcon e %PACTO permitiu classificar as 
paisagens com altos valores dos dois índices como 
as de maior prioridade (figura 16 e tabela 3).
Para as paisagens sem indicação de áreas poten-
cias para recuperação pelo PACTO também foi 
usado o critério de corte pela mediana, porém, 
apenas pelo valor do índice Gcon, o que resultou 
em apenas duas classes de prioridades: alta2 e 
médio-alta2, que podem ser consideradas equi-
valentes às classes alta e média-alta definidas 
pelo critério anterior, mas que estão apresentadas 
de maneira separada apenas para a quantificação e 
visualização de sua distribuição (tabela 3 e figura 
17; ver anexo 5, figuras 1 a 6, para detalhamento 
das biorregiões).
As 583 paisagens classificadas com prioridade 
muito alta abrigam mais de um milhão de hec-
tares de remanescentes de vegetação, resultando 
em 1,9 milhões de hectares sem vegetação que po-
dem ser alvo de ações de recuperação (tabela 3). 
Somando as 959 paisagens classificadas como de 
alta prioridade, chega-se a um total de pouco mais 
de cinco milhões de hectares sem vegetação loca-
lizados nas paisagens com as maiores prioridades 
para recuperação (tabela 3).
É importante ressaltar que as biorregiões dos 
Brejos Nordestinos e de São Francisco não apre-
sentam paisagens com prioridades muito alta e 
média-alta por não possuírem estimativas de 
áreas potenciais para recuperação produzidas pelo 
PACTO, sendo classificadas apenas como alta2 e 
média-alta2.
Apesar de ser possível notar uma maior concen-
tração de paisagens de muito alta prioridade 
próximas às áreas fontes, existem paisagens com 
prioridades elevadas em várias regiões afastadas 
das áreas fontes, assim como observado pelos ín-
dices de gargalos de conectividade (figura 17). 
Esses resultados ressaltam a importância dessas 
paisagens para a manutenção do fluxo biológi-
co nas áreas mais fragmentadas, apresentando 
um grande potencial de recolonização das áreas 
restauradas nessas paisagens, além de possuírem 
uma grande concentração de áreas potenciais para 
recuperação segundo o PACTO.
Entre todas as biorregiões, a que apresentou 
maior proporção de paisagens priorizadas foi a 
Serra do Mar, com mais de 25% de suas paisa-
gens dentro de algum grau de priorização, sen-
do seguida pela Bahia e Diamantina, respecti-
vamente com 19% e 16%. A região dos Brejos 
Nordestinos e Araucária apresentam 14% de 
suas paisagens priorizadas, enquanto Pernam-
buco apresenta 13% (tabela 4). As biorregiões 
que exibiram a menor proporção de paisa- 
gens priorizadas foram a São Francisco e 
as Florestas de Interior, com 5% cada uma; 
contudo, nesta última a região de Bodoquena 
(Interior 3) é uma exceção, já que mais de 18% 
de suas paisagens apresentam algum grau de 
priorização (figura 17). 
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Figura 15: Distribuição das paisagens de média/alta resiliência nas diferentes biorregiões. Paisagens 
em preto apresentam áreas potenciais para recuperação e paisagens em vermelho não apresentam esti-
mativas de áreas potenciais para recuperação segundo o PACTO.
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Tabela 3: Número total de paisagens (#PAIS), área de vegetação (AVEG) e área sem vegetação 
(SVEG) em cada uma das classes de prioridade para recuperação por biorregião. Os campos refer-
entes a área estão apresentados em milhares de hectares.
 Classe de prioridade
 Muito Alta Alta Alta2
Biorregião #PAIS AVEG SVEG #PAIS AVEG SVEG #PAIS AVEG SVEG
Araucária 176 314,6 565,4 177 309,7 575,3 2 2,4 7,6
Bahia 89 163,6 281,4 154 279,6 490,4 6 10,5 19,5
Brejos Nordestinos 0 0 0 0 0 0 2 3,2 6,8
Diamantina 35 58,4 116,6 35 58,3 116,7 82 144,7 265,3
Interior 152 222,5 537,5 171 287,1 567,9 40 61,3 138,7
 Interior 1 4 5,3 14,7 3 3,9 11,1 4 5,2 14,8
 Interior 2 1 1,1 3,9 3 4,8 10,2 0 0 0
 Interior 3 0 0 0 0 0 0 15 25,6 49,4
 Interior 4 147 216,1 518,9 165 278,4 546,6 21 30,5 74,5
Pernambuco 22 37,2 72,8 26 39,9 90,0 0 0 0
São Francisco 0 0 0 0 0 0 63 110,3 204,7
Serra do Mar 109 211,3 333,7 194 376,6 593,4 7 10,1 24,9
Total por prioridade 583 1007,6 1907,4 757 1351,3 2433,7 202 342,4 667,6
 Classe de prioridade
 Média-alta Média Média2
Biorregião #PAIS AVEG SVEG #PAIS AVEG SVEG #PAIS AVEG SVEG
Araucária 177 229,5 655,6 175 217,8 657,2 2 2,1 7,9
Bahia 154 216,4 553,6 88 117,1 322,9 5 6,8 18,2
Brejos Nordestinos 0 0 0 0 0 0 2 2,1 7,9
Diamantina 35 44,7 130,3 34 44,1 125,9 81 109,2 295,7
Interior 171 209,3 645,7 150 205,1 544,8 37 44,2 140,8
 Interior 1 3 3,7 11,3 3 4,2 10,8 3 3,7 11,3
 Interior 2 3 4,4 10,6 1 1 4 0 0 0
 Interior 3 0 0 0 0 0 0 14 17,2 52,9
 Interior 4 165 201,3 623,7 146 199,9 530,1 20 23,4 76,6
Pernambuco 26 30,9 99,1 21 24,9 80,1 0 0 0
São Francisco 0 0 0 0 0 0 62 82,4 227,6
Serra do Mar 194 269 701 108 144,1 395,9 7 8,5 26,5
Total por prioridade 757 999,8 2785,2 576 753,2 2126,8 196 255,4 724,6
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Tabela 4: Síntese por biorregião e para toda a Mata Atlântica do número e porcentagem de paisa-
gens selecionadas como prioritárias para recuperação, área de vegetação e área sem vegetação (em mil 
hectares) no interior das paisagens selecionadas
 Total por Biorregião 
Biorregião Nº de Área de Área sem Porcentagem 
 Paisagens vegetação vegetação das paisagens
Araucária 709 1076,2 2468,8 14
Bahia 496 794 1686 19
Brejos Nordestinos 4 5,3 14,7 14
Diamantina 302 459,4 1050,5 16
Interior 721 1029,5 2575,5 5
 Interior 1 20 26 74 3
 Interior 2 8 11,2 28,8 1
 Interior 3 29 42,8 102,2 18
 Interior 4 664 949,6 2370,4 5
Pernambuco 95 132,9 342,1 13
São Francisco 125 192,7 432,3 5
Serra do Mar 619 1019,6 2075,4 25
Total 3071 4709,7 10645,2 10
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Figura 16: Valores do índice Gcon em função de %PACTO para definição da prioridade de recuperação. 
Os valores dos dois índices estão apresentados na escala logarítmica para facilitar a visualização. Linhas 
vermelhas representam as medianas dos índices usados para separar os gráficos em quadrantes. Ver 
figura 8 para detalhes sobre a prioridade correspondente a cada quadrante. São apresentadas apenas as 
biorregiões que possuíam paisagens com os dois índices analisados.
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Figura 17: Distribuição das paisagens segundo a classe de prioridade para restauração.
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4. Considerações finais
As paisagens classificadas como fontes de biodi-
versidade representam 5% da extensão da Mata 
Atlântica e 30% da vegetação remanescente. Es-
tas paisagens possuem alta cobertura florestal 
e alta conectividade, apresentando