Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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o programa 
de áreas prioritárias do final da década de 1990 
foi certamente a mais participativa e ampla expe-
riência em identificação de áreas importantes para 
conservação da biodiversidade no Brasil. Apesar 
dessa capacidade aglutinadora, alguns aspectos 
devem ser considerados na avaliação do produ-
to final. A primeira crítica geralmente feita diz 
respeito às limitações de resolução espacial na 
delimitação dos polígonos das áreas prioritárias, 
exercício que leva certo grau de subjetividade e é 
dependente da informação aportada no momento 
do workshop. Outra crítica é que a iniciativa para 
a Mata Atlântica não foi capaz de inserir comple-
tamente alguns importantes segmentos da socie-
dade, notadamente as comunidades tradicionais e 
indígenas e o setor produtivo. Por fim, uma crítica 
comum é que as iniciativas tradicionais de delimi-
tação de áreas prioritárias, seguindo a metodolo-
gia dos workshops, não é capaz de incorporar de 
maneira rápida e efetiva os novos conhecimentos 
científicos sobre a biodiversidade, suas ameaças e 
os avanços na sua conservação.
Grau de implantação dos resultados: apesar das 
críticas, os resultados do Workshop de Avaliação 
e Ações Prioritárias para a Conservação da Bio-
diversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos 
forneceram importantes instrumentos de políti-
cas públicas na área ambiental, tais como a criação 
de unidades de conservação de proteção integral 
em áreas indicadas como de \u201cextrema importância 
biológica\u201d; o apoio, através do Probio, para levan-
tamentos biológicos em muitas áreas indicadas 
como \u201cinsuficientemente conhecidas\u201d; certo grau 
de restrição legal ao estabelecimento de empreen-
dimentos que potencialmente podem degradar as 
áreas prioritárias; e replicação de exercícios simi-
lares de priorização de áreas em alguns estados 
brasileiros.
 89Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
Áreas prioritárias da Mata Atlântica e Campos Sulinos, 2002
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2.3. Visão de biodiversidade da ecorregião 
Florestas do Alto Paraná \u2013 2003
Caracterização geral
Como parte de sua estratégia regional de conser-
vação, o WWF-Brasil adota uma abordagem de 
planejamento de ações na escala das ecorregiões, 
extensas áreas geográficas que compartilham um 
conjunto de características biológicas, espécies e 
processos ecológicos e que são geograficamente 
distintas de outras unidades. A metodologia de 
planejamento do WWF está focada na definição 
da visão de biodiversidade, consolidada em um 
documento que sintetiza as principais estratégias 
de ação, com definição de metas e de áreas críticas 
para a conservação em uma dada ecorregião. Na 
Mata Atlântica, a ecorregião Florestas do Alto 
Paraná foi a que recebeu a primeira iniciativa de 
elaboração da visão de biodiversidade, incluindo a 
definição de áreas prioritárias para a conservação. 
Fonte da divulgação dos resultados: Di Bitet-
ti, M.S; Placci, G.; e Dietz, L.A. 2003. Uma Visão 
de Biodiversidade para a Ecorregião Florestas do 
Alto Paraná \u2013 Bioma Mata Atlântica: planejando 
a paisagem de conservação da biodiversidade e 
estabelecendo prioridades para ações de conser-
vação. Washington, D.C.: World Wildlife Fund. 
Responsável técnico: WWF-Brasil 
Atores envolvidos: equipe técnica do WWF-
-Brasil, Fundación Vida Silvestre - Argentina
Financiamento: WWF-Brasil
Objetivo	do	projeto:	\u201cOrientar as ações de con-
servação da biodiversidade na ecorregião Flores-
tas do Alto Paraná. A Visão de Biodiversidade 
estabelece metas de conservação da biodiversida-
de baseadas em princípios amplamente aceitos da 
biologia da conservação, e identifica áreas críticas 
a serem conservadas, administradas ou recupe-
radas para que tais metas sejam alcançadas\u201d (Di 
Bitetti et al. 2003). 
Metodologia:
Abrangência do estudo: Mata Atlântica da ecor-
região das Florestas do Alto Paraná, desde a ver-
tente oeste da Serra do Mar até o leste do Para-
guai e a província de Missiones, na Argentina.
Procedimentos: durante o período de três anos, o 
WWF-Brasil atuou junto a mais de 30 instituições 
do Brasil, Argentina e Paraguai em um processo 
participativo de construção da visão de biodiver-
sidade. O processo foi conduzido em três etapas. A 
primeira foi a identificação de 18 unidades de paisa-
gem através da sobreposição de informações sobre 
altitude, clima, topografia e sazonalidade, que atua-
ram como substitutos de biodiversidade. A segunda 
etapa foi uma análise da fragmentação florestal na 
ecorregião, com cada fragmento sendo classificado 
de acordo com um índice de importância baseado 
no tamanho do fragmento, distância entre frag-
mento mais próximo e variação de altitude dentro 
do fragmento. A terceira etapa foi uma análise de 
risco e de oportunidade, identificando, com base em 
informações espaciais sobre o uso da terra e sobre 
UCs, as áreas de risco crítico e as de alto poten-
cial para a conservação. A combinação dos mapas 
de fragmentação com o de riscos e oportunidades 
produziu um mapa de potencial para a conservação 
da biodiversidade, que, refinado posteriormente a 
partir da opinião de especialistas, culminou na Pai-
sagem de Conservação da Biodiversidade.
Critérios para priorização: a visão de biodiversi-
dade do WWF-Brasil para a ecorregião Florestas 
do Alto Paraná não distinguiu as áreas por hierar-
quias de prioridade. A Paisagem de Conservação 
da Biodiversidade possui três tipos de áreas: áreas 
prioritárias, áreas estratégicas e áreas de uso sus-
tentável, cada uma com diversas subdivisões. Os 
principais critérios para a definição dessas áreas 
foram o tamanho do fragmento, a conectividade e 
o grau de representatividade em cada uma das 18 
unidades de paisagem.
Descrição geral dos resultados:
Número de áreas: 44 áreas prioritárias para a con-
servação da biodiversidade e 38 áreas estratégicas 
para a conservação da biodiversidade
Níveis de priorização: as áreas prioritárias estão 
separadas em cinco tipos: (i) áreas-núcleo (13 
áreas); (ii) áreas com alto potencial para serem 
protegidas (nove áreas); (iii) áreas-núcleo em po-
tencial (seis áreas); (iv) áreas de floresta que ne-
cessitam de avaliação (quatro áreas) e (v) áreas-
-satélite (12 áreas). As áreas estratégicas foram 
separadas em: (i) trampolins ecológicos e (ii) áreas 
isoladas.
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Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: A visão de biodiversidade 
do WWF é uma abordagem espacial que busca 
integrar diferentes estratégias de conservação, 
como criação de UCs, aumento da efetividade de 
UCs existentes, estabelecimento de corredores, 
restauração etc. Tem como vantagem produzir 
um planejamento territorial em ampla escala 
espacial - a \u201cpaisagem de conservação\u201d -, mas 
com resolução suficiente para identificar peque-
nos fragmentos florestais e inseri-los na estra- 
tégia de conservação da ecorregião. Talvez a 
principal deficiência da iniciativa seja a impos-
sibilidade de utilização de informações diretas 
sobre a biodiversidade para a definição das áreas 
prioritárias.
Grau de implantação dos resultados: a visão de 
biodiversidade é um documento estratégico inter-
no do WWF. Após sua elaboração, a organização 
definiu e executou várias ações para a ecorregião 
Florestas do Alto Paraná. Por se tratar de uma 
organização com amplo respaldo científico e polí-
tico, o estudo possui grande potencial de ser em-
pregado por diversas organizações governamen-
tais e não-governamentais que atuem na região 
das Florestas do Alto Paraná. 
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Visão de biodiversidade da ecorregião Florestas do Alto Paraná \u2013 2003