Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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93Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
2.4. Análise de lacunas para a conservação na 
Mata Atlântica \u2013 2004 
Caracterização geral
Em 2003, Rodrigues e colaboradores publicaram 
uma análise de lacunas global, apontando as re-
giões no planeta que possuem áreas insubstituí-
veis para a conservação de espécies ameaçadas de 
extinção (Rodrigues et al. 2003). Pela primeira 
vez, foram empregados os princípios de planeja-
mento sistemático para a conservação (PSC) para 
uma avaliação de prioridades em escala global. 
Em razão da natureza do trabalho, a resolução es-
pacial para a Mata Atlântica ficou comprometida, 
já que as bases de dados utilizados não eram su-
ficientemente precisas. Essa constatação motivou 
a equipe da Conservação Internacional do Brasil, 
(CI-Brasil) a realizar um refinamento da análise 
especificamente para o bioma. 
Fonte da divulgação dos resultados: Paglia, 
A.P., A. Paese, L. Bedê, M. Fonseca, L.P. Pinto e 
R.B. Machado. 2004. Lacunas de conservação e 
áreas insubstituíveis para vertebrados ameaça-
dos da Mata Atlântica. Pp.39-50. In: Anais do IV 
Congresso Brasileiro de Unidades de Conserva-
ção. Volume II 
Responsável técnico: CI-Brasil 
Atores envolvidos: equipe técnica da CI-Brasil 
Financiamento: CI-Brasil 
Objetivo	do	projeto:	identificação de prioridades 
para a expansão do atual sistema de UCs na Mata 
Atlântica, através de uma análise das lacunas de 
conservação para os vertebrados terrestres tidos 
como ameaçados de extinção na lista da IUCN. 
Metodologia:
Abrangência do estudo: bioma Mata Atlântica.
Procedimentos: utilização de procedimentos de 
Planejamento Sistemático para a Conservação, 
com seleção de alvos de conservação - espécies 
ameaçadas, segundo a lista da IUCN de 2003 - e 
indicação de metas para cada alvo. Foram sele-
cionadas 104 espécies de vertebrados ameaçados 
com ocorrência na Mata Atlântica. Para cada 
espécie, foram compilados os dados de ocorrên-
cia a partir de informações da bibliografia e de 
coleções científicas e elaborados mapas de dis-
tribuição geográfica. A Mata Atlântica foi di-
vidida em unidades de planejamento formadas 
por quadrículas de 15x15km e mais as unidades 
de conservação que contribuem para o alcance 
da meta de cada espécie-alvo. As metas foram 
construídas a partir da área de distribuição de 
cada espécie, sendo que, no caso de espécies com 
distribuição restrita (<1000km2), a meta de con-
servação foi definida como a proteção da totali-
dade da área de distribuição e para espécies de 
ampla distribuição (>250 milkm2), a meta foi 
definida como 10% da área de distribuição. 
Entre os dois extremos de distribuição, as 
metas de conservação foram ajustadas por um 
modelo logarítmico.
Critérios para priorização: o mapa de prioridades 
foi elaborado com base no grau de insubstituibi-
lidade de cada quadrícula, que é definido como 
a contribuição de uma determinada unidade de 
planejamento para que um conjunto de metas de 
conservação seja alcançado. 
Descrição geral dos resultados:
Número de áreas: não é possível indicar o número 
de áreas prioritárias, uma vez que o exercício es-
pacializa o nível de insubstituibilidade. As unida-
des de planejamento mais insubstituíveis se agru-
param principalmente em regiões bem definidas 
na Mata Atlântica, especificamente no estado de 
Pernambuco, no sul da Bahia, na região serrana 
do Espírito Santo e na Serra do Mar no estado do 
Rio de Janeiro.
Níveis de priorização: priorização definida pelo 
nível de insubstituibilidade das unidades de pla-
nejamento em uma escala que varia de zero (ne-
nhuma importância) a um (100% insubstituível). 
Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: esse foi o primeiro exer-
cício elaborado especificamente para o conjunto 
de dados mais refinados de ocorrência de espé-
cies ameaçadas e de limites de UCs de proteção 
integral na Mata Atlântica. O estudo teve o mé-
rito de refinar a escala do estudo de Rodrigues et 
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al. (2003) e indicar que mais da metade das es-
pécies de vertebrados ameaçados de extinção na 
Mata Atlântica são espécies-lacuna, ou seja, não 
estão efetivamente protegidos pelo atual sistema 
de unidades de conservação. Além disso, indicou 
mais precisamente onde seria importante criar 
novas UCs voltadas para a proteção específi-
ca dessas espécies. Como fraquezas do estudo, 
pode-se indicar a pouca representatividade das 
espécies-alvo, já que foram utilizados apenas os 
dados de vertebrados terrestres ameaçados; o ní-
vel de imprecisão dos limites de distribuição das 
espécies-alvo; e a sensibilidade do método em 
relação aos valores estabelecidos para as metas 
de conservação.
Grau de implantação dos resultados: os resulta-
dos da análise de lacunas foram utilizados pela 
equipe técnica do MMA na elaboração de estudo 
com a indicação das novas UCs a serem criadas 
na região sul da Bahia. Muitas dessas unidades 
de conservação foram criadas no final de 2010. O 
mesmo ocorreu para a indicação de novas UCs es-
taduais em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
2.5. Sítios da Aliança para Extinção Zero 
(AZE) \u2013 2005
Caracterização geral
Considerando que existem muitas espécies no li-
miar da extinção e que algumas dessas espécies 
são encontradas atualmente em apenas uma úni-
ca localidade, um grupo de ONGss se uniu com 
o objetivo de identificar quais são essas espécies 
e onde estão esses últimos refúgios no planeta. 
Dessa iniciativa surgiu a Aliança para Extinção 
Zero, ou Alliance for Zero Extinction (AZE). O 
foco de atuação da aliança é evitar que qualquer 
uma das mais de 800 espécies que sobrevivem em 
apenas uma localidade seja extinta. 
Fonte da divulgação dos resultados: Ricketts, 
T.H.; Dinerstein, E.; Boucher, T.; Brooks, T.M.; 
Butchart, S.H.M.; Hoffman, M.; Lamoreux, J.F.; 
Morrison, J.; Parr, M.; Pilgrim, J.D.; Rodrigues, 
A.S.L.; Sechrest, W.; Wallace, G. E.; Berlin, K.; 
Bielby, J.; Burgess, N.D.; Church, D.R.; Cox, N.; 
Knox D.; Loucks, C.; Luck, G.W.; Master, L.L.; 
Moore, R.; Naidoo, R.; Ridgely, R.; Schatz, G. E.; 
Shire, G.; Strand, H.; Wettengel W.; Wikramana-
yake, E., 2005. Pinpointing and preventing im-
minent extinctions. Proceedings of the National 
Academy of Sciences - US. 51:18497-18501.
Uma atualização dos sítios Alliance for Zero Ex-
tinction foi feita em 2010. A lista com os novos 
sítios está disponível em: http://www.zeroextinc-
tion.org/sites.htm e o mapa em: http://www.ze-
roextinction.org/AZE_map_12022010.pdf 
Responsável técnico: Aliança para Extinção 
Zero (AZE) 
Atores envolvidos: a Aliança para Extinção Zero 
é uma aliança global de organizações de conserva-
ção de biodiversidade com 72 membros espalha-
dos em 18 países. 
Financiamento: cada instituição membro da 
AZE aloca seus próprios recursos financeiros e 
humanos para a iniciativa. 
Objetivo	do	projeto:	\u201cPrevenir extinções através 
da identificação e proteção de sítios-chaves, cada 
um deles sendo o último refúgio de uma ou mais 
espécies \u2018em perigo\u2019 ou \u2018criticamente em perigo\u2019 
de extinção\u201d (Aliança para Extinção Zero). 
Metodologia:
Abrangência do estudo: global; sítios da AZE 
foram identificados para todo o Brasil, inclusive 
para a Mata Atlântica.
Procedimentos: os dados sobre ocorrência de es-
pécies listadas como \u201cem perigo\u201d (EN) ou \u201ccritica-
mente em perigo\u201d (CR), segundo a IUCN, são re-
unidos pelas diversas organizações que integram 
a AZE. As informações biológicas sobre ocorrên-
cia e identidade taxonômica são avaliadas e con-
firmadas por especialistas regionais.
Critérios para priorização: o exercício de identi-
ficação de sítios AZE não faz distinção de prio-
rização entre as áreas. Para identificá-los, a AZE 
utiliza os seguintes critérios: (i) ameaça