Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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(o sítio 
deve conter ao menos uma espécie listada pelo 
IUCN como \u201cem perigo\u201d ou \u201ccriticamente em pe-
rigo\u201d), (ii) insubstituibilidade (o sítio deve ser a 
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única área de ocorrência ou conter a maior par-
te da população conhecida de uma espécie EN 
ou CR); (iii) descrição (a área deve possuir 
limites definidos que a diferencie de outras 
áreas adjacentes). 
Descrição geral dos resultados:
Número de áreas: a versão revisada dos sites AZE 
indicam 587 áreas em 96 países. No Brasil foram 
apontados 27 sites AZE, dos quais 20 estão na 
Mata Atlântica.
Níveis de priorização: os sítios AZE não possuem 
distinção em termos de priorização. 
Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: o grande mérito da ini-
ciativa foi alertar para o risco iminente de extin-
ção ao qual um considerável grupo de espécies 
está submetido, apontando para o fato de que se 
nada for feito, muito provavelmente essas espé-
cies desaparecerão em pouco tempo. Apesar da 
urgência, do ponto de vista operacional, as ações 
ainda são muito pontuais. No Brasil, poucos es-
forços empregaram os resultados produzidos 
pela AZE
Grau de implantação dos resultados: ainda pouco 
expressivos no Brasil. No mundo, a AZE firmou, 
em 2010, um memorando de cooperação com o 
Secretariado da Convenção da Diversidade Bioló-
gica. Entre as atividades conjuntas prescritas no 
memorando, destaque para a assistência da AZE 
às partes da CBD para que os alvos da extinção 
zero sejam incorporados às estratégias nacionais 
de biodiversidade.
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Sítios da Aliança para Extinção Zero (AZE) \u2013 2005
 97Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
2.6. Sítios da Aliança Brasileira para Extinção 
Zero (BAZE) \u2013 2005
Caracterização geral:
A partir da iniciativa da Aliança para Extinção 
Zero, a Fundação Biodiversitas se propôs a iden-
tificar e refinar os sítios que seriam os últimos 
refúgios para espécies ameaçadas de extinção. A 
iniciativa recebeu o nome de Aliança Brasileira 
para Extinção Zero, ou Brazilian Alliance for Zero 
Extinction (BAZE). Diferentemente da iniciativa 
AZE, a lista de espécies ameaçadas utilizada pela 
Fundação Biodiversitas é aquela oficialmente 
reconhecida pelo MMA, o que produziu re-
sultados diferentes da identificação dos si-
tes AZE, englobando além desses, os locais 
identificados para as espécies ameaçadas na 
lista nacional, que não constem na lista glo-
bal. Fora isso, a ideia geral e a metodologia 
empregada foram rigorosamente as mesmas 
utilizadas pela AZE. 
Fonte da divulgação dos resultados: o mapa 
dos sítios da BAZE foi divulgado em maio de 
2010 pela Fundação Biodiversitas. 
Responsável técnico: Fundação Biodiversitas.
Atores envolvidos: a Aliança Brasileira para Ex-
tinção Zero é uma iniciativa nacional que congre-
ga 40 organizações governamentais e não-gover-
namentais. 
Financiamento: cada instituição membro da 
BAZE aloca seus próprios recursos financeiros e 
humanos para a iniciativa. A formatação inicial da 
BAZE e o processo de identificação dos sítios fo-
ram financiados com recursos da CI-Brasil.
Objetivo	do	projeto:	\u201cLevantamento criterioso e 
definição de estratégias de conservação dos últi-
mos refúgios de espécies da fauna de vertebrados 
ameaçada de extinção no Brasil\u201d (Fundação Bio-
diversitas).
Metodologia:
Abrangência do estudo: Brasil
Procedimentos: o procedimento segue a proposta 
de identificação dos sites da AZE, que compreen-
de a compilação dos dados de ocorrência de espé-
cies de vertebrados listados no Brasil como \u201cem 
perigo\u201d (EN) ou \u201ccriticamente em perigo\u201d (CR) de 
extinção. As informações biológicas sobre ocor-
rência e identidade taxonômica são avaliadas e 
confirmadas por especialistas nos diferentes gru-
pos. Para a delimitação dos sítios, utilizou-se a 
metodologia empregada pela CI-Brasil na delimi-
tação das áreas-chaves para a conservação da bio-
diversidade (KBAs, na sigla em inglês) na Mata 
Atlântica.
Critérios para priorização: o exercício de iden-
tificação de sítios BAZE não faz distinção de 
priorização entre as áreas. Para a identificação 
dos sítios foram seguidos os mesmos critérios 
adotados pela AZE, a saber: (i) ameaça (o sítio 
deve conter ao menos uma espécie listada como 
EN ou CR), (ii) singularidade (o sítio deve ser a 
única área de ocorrência ou residência da maioria 
significativa da população conhecida de uma 
espécie EN ou CR); (iii) descrição (a área deve 
possuir limites definidos que a diferencie de 
outras áreas adjacentes). 
Descrição geral dos resultados:
Número de áreas: foram identificados 32 sítios 
BAZE como os últimos refúgios para 36 espécies 
ameaçadas no Brasil. Dos 32 sítios, 16 estão na 
Mata Atlântica, 19 sítios não possuem nenhum 
tipo de proteção, oito estão parcialmente incluí-
dos em alguma UC e apenas cinco estão protegi-
dos em unidades de proteção integral.
Níveis de priorização: os sítios BAZE não pos-
suem distinção em termos de priorização. 
Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: a iniciativa tem o 
mérito de apontar as áreas emergenciais para 
a conservação de espécies no limiar da extin-
ção. Em termos de prioridades para conserva-
ção da biodiversidade, pode-se argumentar que 
nenhuma área é mais prioritária do que aque-
la que constitui o único local de ocorrência de 
uma espécie listada como \u201ccriticamente em 
perigo\u201d e que não esteja devidamente prote- 
gida como unidade de conservação. Apesar da 
urgência, pouco tem sido feito desde a divul- 
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gação dos resultados dos sítios BAZE para 
proteger tais áreas.
Grau de implantação dos resultados: existe um 
diálogo entre a BAZE e a AZE no sentido de in-
corporar os sítios BAZE no mapa de sites AZE. 
O MMA, através de portaria ministerial de maio 
de 2006, assumiu o compromisso de apoiar a 
implantação da BAZE e vem divulgando esse 
compromisso em diversos fóruns intergover-
namentais. Porém, efetivamente pouco tem sido 
conquistado para implantar as recomendações 
de proteção dos sítios indicados como BAZE. 
As organizações que integram a Aliança Brasi-
leira para Extinção Zero assinam um protocolo 
de intenções onde se comprometem a contri-
buir com recursos financeiros ou operacionais 
para viabilizar a recuperação das espécies e dos 
sítios BAZE. Apesar de contar com um gran-
de número de organizações, essas ainda atuam 
de maneira descentralizada e pouco coorde-
nada, realizando ações pontuais relacionadas 
mais especificamente às suas próprias estra- 
tégias e linhas de ação. A operacionalização da 
aliança depende ainda de maior aporte de recur-
sos financeiros e uma maior proatividade das 
instituições integrantes.
 99Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero (BAZE) \u2013 2005
 100 Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
2.7. Corredores ecológicos e corredores de 
biodiversidade \u2013 2005
Caracterização geral
Corredores ecológicos e corredores de biodiver-
sidade são conceitos análogos, relacionados às 
grandes áreas de ecossistemas naturais prioritá-
rios para a conservação da biodiversidade e com-
postos por uma rede de unidades de conservação 
e áreas protegidas públicas e particulares, entre-
meadas por áreas com variados níveis de ocupação 
humana e uso do solo (Ayres et al., 2005; MMA 
et al., 2006). Aqui cabe a distinção entre esse con-
ceito de corredores ecológicos como uma ampla 
unidade territorial de planejamento ambiental e 
o conceito clássico