Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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3.6. Estimativas de biomassa e estoques de carbono .............................................................174
4. Iniciativas de carbono florestal na Mata Atlântica ....................................................................178
 Referências ..........................................................................................................................................179
6 Uso de sensoriamento remoto para a identificação de áreas elegíveis para 
 projetos de carbono na Mata Atlântica
 Luiz Paulo Pinto, Marilia Borgo, Milena Ribeiro, Pedro Castro e Regiane Kock
1. Introdução ...........................................................................................................................................183
2. Identificação de áreas elegíveis para projetos de carbono \u2013 mercado voluntário ..............184
3. Procedimentos de sensoriamento remoto para definição de áreas elegíveis .......................186
 3.1. Análise multitemporal e processamento dos dados .......................................................187
 3.2. Avaliação...................................................................................................................................189
4. Áreas elegíveis para projetos florestais de carbono no âmbito da Floresta Atlântica ......190
5. Áreas elegíveis x áreas potenciais para projetos de carbono ..................................................193
6. O monitoramento da restauração e o PACTO ...........................................................................194
 Referências ..........................................................................................................................................197
7 Perspectivas para a integração de dados e uso de sistemas de informação 
 geográfica e da ecologia de paisagens para a tomada de decisão sobre a 
 conservação e recuperação da biodiversidade da Mata Atlântica brasileira
 André A. Cunha, Fátima B. Guedes, Ingrid Prem, Adriana P. Bayma, Natalie Unterstell e
 Roberto B. Cavalcanti
1. Introdução ...........................................................................................................................................201
2. Integração com dados da biodiversidade in situ .........................................................................202
3. Integração com iniciativas de ordenamento territorial ...........................................................205
4. Integração com iniciativas de pagamento por serviços ambientais ......................................209
5. Contribuições à tomada de decisão e cumprimento de metas nacionais e internacionais 
 de conservação, recuperação e monitoramento da biodiversidade brasileira ......................210
 Referências ..........................................................................................................................................212
Lista de Autores ..........................................................................................................................................214
 6 Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
Os muriquis (Brachyeteles spp) são endêmicos da Mata Atlântica, e os maiores macacos das Américas. Antes abundantes, as 
duas espécies (B. hypoxanthus e B. arachnoides) encontram-se Criticamente Em Perigo de extinção nos estados onde ocorrem, 
contando com pouco mais de 1.000 indivíduos na natureza. Além da proteção contra a caça, a viabilidade dessas espécies 
depende do aumento da conectividade entre os fragmentos florestais, permitindo o fluxo genético. (Foto: José Caldas)
 7Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
Prefácio
O livro \u201cMapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na 
Mata Atlântica: em busca de uma estratégia espacial integradora para orientar 
ações aplicadas\u201d traz inovação extremamente interessante ao desafio de identificar 
áreas prioritárias para conservar e restaurar a cobertura vegetal da Mata Atlântica, 
orientando a realização de medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, 
especialmente aquelas que seguem uma abordagem ecossistêmica.
A Mata Atlântica é reconhecida como uma das regiões de maior diversidade bioló-
gica do planeta, detentora de elevada taxa de endemismos, constituindo, por isso, 
uma das prioridades para a conservação em todo o mundo. No entanto, suas diversas 
paisagens se encontram drasticamente degradadas e fragmentadas em decorrência 
do processo de ocupação do território nacional ocorrido ao longo dos últimos cinco 
séculos. Segundo estudos do Ibama, dos 1,3 milhão de quilômetros quadrados origi-
nais, restam cerca de 26% de sua cobertura vegetal nativa, dispersos sob a forma de 
pequenos fragmentos, isolados e cercados por áreas antropizadas, com algumas man-
chas extensas de mata contínua situadas particularmente na Região Sudeste.
Os levantamentos existentes apontam que a maior parte desses remanescentes se 
encontra em propriedades privadas, principalmente em reservas legais e áreas de 
preservação permanente. Ao mesmo tempo, de acordo com Cunha et al, apesar de a 
cobertura por unidades de conservação abranger cerca de 9,4 milhões de hectares, 
ou 9% da área da Mata Atlântica, essa superfície não corresponde de fato a remanes-
centes de vegetação, já que quase dois terços desse total estão em unidades de uso 
sustentável, majoritariamente em categorias que admitem outros usos do solo, como 
pastagens, agricultura e inclusive zonas urbanas. Porém, embora extremamente de-
gradados e fragmentados, esses habitats ainda sustentam elevada riqueza de espécies.
Nas últimas décadas, avanços expressivos foram obtidos visando a conservação e o 
uso sustentável da Mata Atlântica, como a ampliação da cobertura de áreas protegidas 
e a promulgação da Lei 11.428/2006, conhecida como Lei da Mata Atlântica. Cente-
nas de novas espécies foram descritas e estudos inéditos sobre os efeitos adversos da 
fragmentação sobre as comunidades biológicas foram realizados. Ao mesmo tempo, 
ocorreram diversos esforços para identificar áreas importantes para a conservação e 
recuperação da biodiversidade na região, visando apontar prioridades e otimizar os 
escassos recursos destinados a esse fim. Esse conjunto constitui uma base essencial 
para apoiar os tomadores de decisão já que, diante do atual cenário que caracteriza a 
Mata Atlântica, não basta identificar e proteger os remanescentes estratégicos para 
a sobrevivência das espécies e a manutenção dos ecossistemas, dado que o tamanho 
reduzido e o grau de isolamento dos fragmentos existentes não asseguram a conser-
 8 Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
vação de sua biodiversidade. Para viabilizar a persistência das populações de plantas 
e animais silvestres e dos serviços ecossistêmicos é fundamental promover ações de 
restauração florestal visando o aumento da conectividade dos remanescentes, ma-
nejando a paisagem de forma a incrementar o fluxo biológico. Ou seja, é igualmente 
importante identificar áreas estratégicas para a recuperação e restauração da vegeta-
ção nativa da Mata Atlântica, incorporando medidas de enfrentamento às mudanças 
climáticas e compatibilizando essas ações com os planos de desenvolvimento social e 
econômico do país.
A série de estudos e mapeamentos reunidos nesta publicação busca contemplar esta 
abordagem. Valendo-se de avanços recentes nas áreas de ecologia de paisagens, siste-
mas de informação geográfica e sensoriamento remoto, pretendem subsidiar ações de 
proteção da biodiversidade por meio de abordagens espaciais integradas, que levam 
em consideração não apenas os dados sobre as espécies, mas também informações 
sobre as manchas de remanescentes florestais, os diferentes tipos de uso do solo, as 
áreas protegidas e os diversos tipos de pressões