Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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da Lei da Mata Atlântica (IBGE, 2008)
Área Total: média (min \u2013 max)
Níveis de priorização: apesar de o método permi-
tir a elaboração de mapas com diferentes níveis 
de insubstituibilidade para cada unidade de pla-
nejamento, os autores optaram por não diferen-
ciar as 27 áreas selecionadas quanto ao grau de 
priorização.
Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: o exercício de priorização 
de áreas para conservação na Cadeia do Espinhaço 
utilizou de informação biológica refinada, que fo-
ram os registros de ocorrência conhecidos de 607 
espécies ameaçadas, raras ou endêmicas, compila-
dos e disponibilizados pelos pesquisadores que par-
ticiparam do processo de priorização. Tendo detec-
tado um forte viés amostral na distribuição espacial 
dos pontos de coleta, a equipe técnica do projeto 
decidiu ampliar a lista de alvos de conservação in-
cluindo feições da paisagem, o que, para a Cadeia 
do Espinhaço, é importante, pois a região possui 
alguns atributos fitofisionômicos únicos que, por 
não terem sido suficientemente amostrados quan-
to à fauna e flora, teriam ficado de fora da análise 
de insubstituibilidade. Também merece destaque o 
fato de ter sido a primeira iniciativa utilizando pla-
nejamento sistemático para a conservação no país 
a incorporar como alvo um serviço ecossistêmico 
- nesse caso, o provisionamento de água. Talvez o 
principal problema tenha sido o fato de que o estu-
do não conseguiu aglutinar as diferentes instâncias 
decisórias do Poder Público dos estados de Minas 
Gerais e Bahia e o Governo Federal, o que prova-
velmente explica o baixo grau de adesão à iniciati-
va e a implantação dos resultados.
Grau de implantação dos resultados: apesar de ter 
sido um estudo tecnicamente muito bem execu-
tado, o mapa-síntese das áreas prioritárias para 
a Cadeia do Espinhaço não foi formalmente re-
conhecido por nenhum órgão ambiental público. 
Desde a divulgação do resultado, nenhuma nova 
UC de proteção integral foi criada na Cadeia do 
Espinhaço. Espera-se que as áreas indicadas pelo 
exercício sejam alvo de atenção dos governos dos 
estados da Bahia e de Minas Gerais, uma vez o 
primeiro está elaborando e o segundo planeja re-
visar seus respectivos mapas de áreas prioritárias 
para conservação.
 117Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
Áreas insubstituíveis para a conservação da Cadeia do Espinhaço em 
Minas Gerais e Bahia \u2013 2008
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2.14. Diretrizes para a conservação e 
restauração da biodiversidade no estado de 
São Paulo \u2013 2008
Caracterização geral
O estado de São Paulo iniciou, em 2006, um 
exercício de avaliação de áreas prioritárias para 
a conservação da biodiversidade. Porém, dife-
rentemente das iniciativas até então realizadas, 
o foco não foi apenas a produção de um mapa 
de prioridades. Pretendia-se indicar diretrizes 
para a conservação e também apontar áreas im-
portantes para investimentos em restauração 
florestal. Além disso, a equipe coordenadora do 
projeto decidiu não adotar a metodologia tradi-
cional dos workshops de áreas degradadas. O foco 
seria a utilização da imensa quantidade de infor-
mação produzida pelo Programa Biota/Fapesp 
e a grande rede de pesquisadores instalada no 
estado de São Paulo.
Fonte da divulgação dos resultados: Rodrigues 
R. R. e Bononi, V. L. R. (orgs). 2008. Diretrizes 
para conservação e restauração da biodiversida-
de no Estado de São Paulo. Instituto de Botânica, 
Fapesp. São Paulo, SP. 248p.
Responsável técnico: Biota/Fapesp. 
Atores envolvidos: Secretaria de Estado de Meio 
Ambiente de São Paulo; Centro de Referência 
em Informação Ambiental (CRIA); CI-Brasil; 
Universidade de São Paulo; Instituto de Botâni-
ca; Fundação para a Conservação e a Produção 
Florestal do Estado de São Paulo (FF); Instituto 
Florestal de São Paulo. Mais de 160 especialistas 
representando dezenas de outras instituições de 
pesquisa, universidades e empresas com atuação 
no estado de São Paulo. 
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa 
do Estado de São Paulo (Fapesp), através do pro-
grama Biota/Fapesp. 
Objetivo	 do	 projeto:	 estabelecer diretrizes de 
conservação e restauração da biodiversidade no 
estado de São Paulo utilizando a extensa base de 
dados compilada no âmbito do programa Biota/
Fapesp.
Metodologia:
Abrangência do estudo: estado de São Paulo.
Procedimentos: inicialmente foi feito um esfor-
ço para sistematizar as informações biológicas 
armazenadas no SinBiota, o banco de dados do 
programa Biota/Fapesp. Adicionalmente, foram 
inseridos registros de ocorrência de espécies no 
estado de São Paulo a partir da compilação de da-
dos de outras fontes, como o SpeciesLink, biblio-
grafia e coleções científicas. Os dados biológicos 
foram qualificados e especializados em um mapa 
junto com os resultados do projeto Inventário 
Florestal do Estado de São Paulo. Posteriormente 
à avaliação e à limpeza do banco de dados, foram 
selecionadas espécies-alvos e os registros de ocor-
rência dessas espécies foram associados aos dados 
de paisagem. O cruzamento entre as informações 
biológicas e os dados da paisagem no estado de 
São Paulo levou à elaboração de mapas em três 
diferentes escalas espaciais: (i) fragmentos de ve-
getação nativa; (ii) microbacias de quinta ordem; 
e (iii) unidades de gerenciamento de recursos hí-
dricos (UGRH).
Critérios para priorização: tamanho dos fragmen-
tos remanescentes; métricas de paisagem (como a 
forma, conectividade, entre outras), além da ocor-
rência de espécies-alvos; lacunas de informação 
científica sobre a biodiversidade; potencial para o 
incremento da conectividade entre fragmentos de 
vegetação nativa.
Descrição geral dos resultados:
Número de áreas: foram elaborados três mapas-
-sínteses. O primeiro mapa indicou áreas para a 
realização de inventário biológico, na escala das 
UGRH. Nesse mapa, foram indicadas como prio-
ritárias para inventário as bacias hidrográficas si-
tuadas no norte no oeste do estado de São Paulo. 
O segundo mapa indicou áreas prioritárias para 
o incremento da conectividade. O terceiro mapa-
-síntese indicou, na escala dos fragmentos flores-
tais, as áreas prioritárias para a criação de UCs. A 
soma das áreas mais indicadas para a criação de 
UCs totaliza cerca de 51 mil hectares.
Níveis de priorização: em virtude da natureza da 
iniciativa, não foram definidos níveis de prioriza-
ção. Para o mapa de áreas para a criação de UCs, 
um substituto da priorização pode ser o número 
de vezes em que um fragmento foi indicado pelos 
diversos grupos temáticos. 
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Avaliação crítica:
Fortalezas e fraquezas: a iniciativa do estado de 
São Paulo merece destaque por buscar utilizar 
de maneira pragmática a enorme quantidade de 
informação produzida nos quase dez anos de ati-
vidade do Programa Biota/Fapesp. Foram ana-
lisados mais de 179 mil registros de coletas de 
plantas e animais em São Paulo que, depois de 
avaliados, corrigidos e limpos, resultaram em re-
gistros para mais de 10 mil espécies. A seleção de 
espécies-alvos, seguindo a proposta metodológica 
do planejamento sistemático para a conservação, 
apontou 3.326 espécies de animais e plantas, para 
os quais foi possível espacializar a informação de 
ocorrência para os fragmentos florestais no esta-
do. Assim, além de produzir um mapa-síntese com 
a indicação das áreas para a criação de UCs, a ini-
ciativa teve o mérito de sistematizar a informação 
sobre a biodiversidade no estado e direcionar o 
conhecimento para o estabelecimento de políticas 
públicas de conservação.
Grau de implantação dos resultados: após poucos 
meses da divulgação dos resultados, o Governo 
do Estado