Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica
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Mapeamentos para a conservação e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica


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ambiental, como reabilitação ecológica, restauração florestal, res-
tauração de habitat, recuperação ambiental e revegetação (Cf. ecologia da restauração, restauração do 
capital natural).
Restauração florestal (forest restoration): restauração ecológica aplicada a ecossistemas florestais. 
Restauração de habitat (habitat restoration): restauração ecológica com respeito às condições de vida de 
uma espécie em particular.
Restauração passiva (passive restoration): termo frequentemente utilizado com o significado de retorno 
espontâneo de um ecossistema degradado rumo a um estado ou trajetória desejável pré-existente, por 
meio de resiliência, sucessão ou regeneração natural, sem intervenção humana deliberada.
Revegetação (revegetation; revegetalization): restabelecimento de cobertura vegetal de qualquer nature-
za (independente de origem, forma de vida ou número de espécies) em terreno exposto.
 20 Mapeamentos para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade na Mata Atlântica Brasileira
A partir da década de 1990, houve um grande 
avanço em iniciativas práticas para a conserva-
ção da biodiversidade e, particularmente, na evo-
lução de análises espaciais para subsidiar ações 
de conservação e restauração da biodiversidade 
da Mata Atlântica. Esta região é uma das áreas 
tropicais mais estudadas em termos dos efeitos 
da fragmentação florestal nas espécies e ecossis-
temas, além de outros temas recorrentes na teo-
ria da biologia da conservação. Adicionalmente, 
é palco de intenso movimento conservacionista, 
iniciado ainda na década de 1970, com a acelerada 
degradação ambiental e por outro lado a crescen-
te mobilização da sociedade e resposta dos gover-
nos. Recentemente, as abordagens espaciais com 
base em sistemas de informação geográfica (SIG) 
têm proporcionado à identificação de áreas estra-
tégicas para a conservação e para a recuperação 
da biodiversidade (Rodrigues et al, 2004; MMA 
2007a; Ribeiro et al, 2009; Joly et al, 2010). 
Além de uma ferramenta cada vez mais frequente 
em abordagens acadêmicas, a utilização do SIG e 
da ecologia de paisagens para a conservação da 
natureza vem ganhando muito espaço nos órgãos 
e agências governamentais, assim como nas or-
ganizações da sociedade civil e do setor privado 
que lidam com os desafios da conservação e uso 
sustentável da biodiversidade na prática (Paese et 
al, 2012). Assim, diversas abordagens para a iden-
tificação de áreas importantes para a conservação, 
com enfoque em diferentes grupos biológicos e 
utilizando metodologias distintas, já foram con-
duzidas em diferentes escalas espaciais e regiões 
geográficas da Mata Atlântica. 
Nas últimas duas décadas diversos esforços, com 
diferentes abordagens, buscaram identificar áreas 
importantes para a conservação da biodiversida-
de, em geral com enfoque em espécies endêmicas 
e ameaçadas de extinção. Nos últimos anos sur-
giram iniciativas para a identificação de áreas 
importantes para a recuperação e restauração flo-
restal e áreas para restauração com vistas ao es-
tabelecimento de corredores de habitat, principal-
mente em escala local. Hoje em dia, temos ainda o 
desafio de identificar áreas para a preservação dos 
serviços ecossistêmicos e incorporar medidas de 
enfrentamento, por mitigação e adaptação, às mu-
danças climáticas globais. É necessário também, 
ampliar as escalas de análise para ações de recu-
peração da vegetação nativa, permitindo um me-
lhor planejamento da implementação de ações em 
escala das regiões biogeográficas ou até para toda 
a Mata Atlântica. As estratégias de conservação 
devem buscar abordagens integradoras, visando 
incorporar essas diversas demandas às ações de 
conservação, recuperação e uso sustentável da 
biodiversidade. Isso deve partir da integração das 
iniciativas já existentes, assim como do desenvol-
vimento de novas soluções para o mapeamento 
de áreas estratégicas para a conservação e para o 
aumento da conectividade entre os remanescen-
tes, que devem ser estimuladas. No contexto da 
Mata Atlântica, a legislação específica que prote-
ge seus remanescentes, em sua maioria pequenos 
e isolados, não significa uma condição confortável 
para salvaguardar sua biodiversidade única, que 
persiste de maneira frágil. É necessário ir além, 
formulando estratégias mistas, unindo alvos para 
a conservação bem como alvos para recuperação 
do habitat. Apenas desta forma será possível pro-
porcionar uma sobrevida e quiçá uma chance de 
real conciliação entre a conservação das espécies, 
habitats e serviços ecossistêmicos e o desenvolvi-
mento econômico e social, numa das regiões mais 
ricas e diversas do mundo, em termos biológicos 
culturais e econômicos.
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Figura 3 - Áreas protegidas na Mata Atlântica brasileira, incluindo as unidades de conservação de 
proteção integral e as de uso sustentável, além das terras indígenas. Fontes: MMA, Funai, TNC e GIZ 
(2011).
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4. Novas abordagens para 
orientar ações de conservação e 
recuperação da biodiversidade
A busca por soluções para diagnosticar e mane-
jar a biodiversidade frente à relativa escassez de 
dados de espécies e processos ecossistêmicos vai 
ao encontro do desenvolvimento de ferramentas 
cada vez mais diversas em sistemas de informa-
ção geográficas aplicadas à solução dos problemas 
ambientais (Paese et al., 2012). Os SIG vêm con-
tribuindo para solucionar problemas diversos re-
lacionados à conservação e ao uso sustentável da 
biodiversidade, como a identificação e priorização 
de áreas críticas para a conservação (Brooks et al, 
2007), a avaliação da eficácia das áreas protegi-
das para a proteção de espécies (Rodrigues et al, 
2004), o zoneamento de macro ou microrregiões 
visando estabelecer áreas para usos diversos, tan-
to para o desenvolvimento de atividades econômi-
cas quanto para a delimitação de áreas de conser-
vação da natureza como, por exemplo, por meio 
de zoneamentos ecológicos-econômicos (ZEE). 
Os SIG têm proporcionado maior eficácia no 
planejamento e gestão de paisagens, tanto em 
ambientes marinhos quanto terrestres, incluin-
do também projeções em cenários de mudanças 
climáticas globais. Ao mesmo tempo, têm instru-
mentalizado ações de monitoramento da biodiver-
sidade, particularmente através do sensoriamento 
remoto e cada vez mais buscado integrar também 
dados do monitoramento in situ de comunidades, 
populações, espécies e parâmetros abióticos. Ativi-
dades de uso sustentável da biodiversidade, como 
o extrativismo de produtos madeireiros e não-ma-
deireiros, a recreação e turismo e o pagamento por 
serviços ambientais, têm igualmente se apoiado 
nos SIG para implementar suas práticas. As ins-
tituições de ensino e pesquisa em biodiversidade 
vêm fortalecendo suas capacidades e bancos de 
dados em SIG e é cada vez maior a oferta de disci-
plinas relacionadas ao tema e, consequentemente, 
maior o número de pessoas capacitadas para traba-
lhar com essas ferramentas. Atualmente, no Bra-
sil, existe uma oferta razoável de instituições de 
pesquisa trabalhando na interface biodiversidade 
e SIG. Também é grande o número de iniciativas 
governamentais que usam o SIG para apoiar a for-
mulação de políticas públicas para a conservação e 
recuperação da biodiversidade e é crescente o nú-
mero de iniciativas não-governamentais e gover-
namentais que utilizam o SIG para buscar maior 
envolvimento e empoderamento dos povos tradi-
cionais no processo de tomada de decisão acerca 
do uso dos recursos naturais (Paese et al, 2012). A 
seguir, citaremos algumas experiências relevantes 
e representativas, além de esboçar perspectivas de 
aplicação do SIG para a conservação e recupera-
ção da biodiversidade