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Apostila Ciências do Ambiente - Parte 3

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AMBIENTAL 
 
O estabelecimento de critérios para o EIA de uma atividade requer, em primeiro lugar, a defini-
ção de prioridades. Isto deverá ser feito a partir do conhecimento detalhado de todos os fatores 
ambientais importantes da área em estudo, assim como do entorno, que poderá sofrer os efeitos 
da implantação da atividade que ali se pretende instalar. Esses fatores deverão representar, não 
apenas as condições biogeofísicas da área, mas também as sócio-econômicas e principalmente os 
interesses da comunidade, que poderá ser beneficiada ou prejudicada pela implantação da ativi-
dade. 
 
Outrossim, além de atender a legislação pertinente, o EIA deve obedecer às seguintes diretrizes 
gerais: 
 
♦ contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do projeto, confrontando-as 
com a hipótese de não execução do mesmo; 
♦ identificar e avaliar os impactos ambientais gerados sobre a área de influência, nas fases de 
implantação e operação da atividade; 
3a Parte - Gestão do Meio Ambiente - 117 
 
♦ analisar a compatibilidade do projeto com planos e programas de ação federal, estadual e mu-
nicipal, propostos ou em implantação na área de influência do projeto. 
 
Finalmente, o EIA de uma atividade efetiva ou potencialmente modificadora do meio ambiente, 
deverá ser efetuado tendo como base de referência os seguintes tópicos: 
 
♦ descrição do projeto e suas alternativas; 
♦ determinação da área de influência; 
♦ diagnóstico ambiental da área de influência; 
♦ identificação e estimativa dos impactos ambientais; 
♦ estudo e definição de medidas mitigadoras; 
♦ programa de gerenciamento. 
 
 
16.6.1. DESCRIÇÃO DO PROJETO E SUAS ALTERNATIVAS 
 
Consiste na descrição completa do projeto e suas alternativas tecnológicas e de localização, con-
tendo objetivos, justificativas, dados econômico-financeiros, localização, área de ocupação, 
mão-de-obra, fluxo de insumos e produtos, lay-out, cronogramas, plantas, diagramas e quadros, 
de modo a caracterizar o empreendimento, incluindo: 
 
♦ na fase de construção: limpeza e preparação do terreno, remoção da vegetação, terraplana-
gem, movimentos de terra; demanda e origem da água e da energia; origem, tipos e estocagem 
dos materiais de construção, incluindo jazidas; origem, quantidade e qualificação da 
mão-de-obra; 
♦ na fase de operação: processos de produção, insumos e produtos; origem, características, es-
tocagem e manipulação de matéria prima e combustíveis; informação sobre tipo e quantidade 
de cada produto intermediário e final e subprodutos produzidos; transporte, armazenamento e 
estocagem de produtos; características das emissões sólidas, líquidas e gasosas; sistemas de 
tratamento, reciclagem, recuperação e disposição final das emissões sólidas, líquidas e gaso-
sas; origem, quantidade e qualificação do pessoal empregado na produção e administração; 
riscos potenciais, ações e equipamentos de prevenção de acidentes. 
 
 
16.6.2. DETERMINAÇÃO DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DO PROJETO 
 
Área de influência de um projeto é a área potencialmente afetada, direta ou indiretamente, pelas 
ações a serem desenvolvidas nas fases de construção e operação de um projeto. A definição da 
mesma deve ser acompanhada de justificativas e mapeamento, considerando bacias hidrográficas 
completas, detalhando os sítios de localização do projeto e de incidência direta dos impactos. 
 
 
16.6.3. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA ÁREA DE INFLUÊNCIA 
 
O diagnóstico ambiental consiste de uma atividade dentro do EIA, destinada a caracterizar a si-
tuação do meio ambiente na área de influência do projeto, antes da implantação do projeto, atra-
vés da completa descrição e análise dos fatores ambientais e suas interações. Deve descrever o 
meio físico, biológico e antrópico. 
 
118 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
♦ Meio físico: características geológicas, formação e tipo de solo; topografia, relevo, declivida-
de; recursos minerais e jazimentos fósseis; regime hidrológico e qualidade dos corpos d'água; 
padrões de drenagem natural e artificial, lançamentos e tomadas de água; clima e qualidade do 
ar; processos erosivos e sedimentológicos, estabilidade dos solos. 
♦ Meio biológico: inventário de espécies características da fauna e flora natural; inventário de 
espécies endêmicas, raras ou ameaçadas de extinção e de espécies migratórias; diversidade de 
espécies; áreas de preservação permanente, unidades de conservação da Natureza e áreas pro-
tegidas por legislação especial; produtividade e estabilidade dos ecossistemas; áreas potenciais 
de refúgio de fauna e flora. 
♦ Meio antrópico: ocupação e uso do solo (processo histórico da ocupação, distribuição das 
atividades, densidade demográfica, sistema viário, valor da terra, estrutura fundiária, etc.); 
usos dos recursos ambientais (águas, florestas, solos, dependência local dos recursos, nível 
de tecnologia, fontes de poluição); população (crescimento demográfico, estrutura da popu-
lação, distribuição espacial, mobilidade, escolaridade, nível de saúde, nível cultural); equi-
pamentos sociais (abastecimento d'água, sistema de esgotamento sanitário, disposição do li-
xo, logradouros, rede de saúde, rede escolar, rede de suprimentos, segurança, lazer, religião, 
cemitérios, sítios e monumentos arqueológicos, culturais, cívicos e históricos, meios de 
transporte); organização social (forças e tensões sociais, grupos e movimentos comunitários, 
lideranças, forças políticas e sindicais atuantes, associações); estrutura produtiva (análise 
dos fatores de produção, modificações havidas em relação à composição da produção local, 
contribuição de cada setor, geração de empregos e nível tecnológico por setor, relações de 
troca entre a economia local e a micro-regional, regional e nacional, incluindo a desativação 
da produção local e importância relativa, consumo e renda "per capita"). 
 
 
16.6.4. IDENTIFICAÇÃO E ESTIMATIVA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS 
 
A identificação dos impactos ambientais se efetua mediante uma análise do meio e do projeto, e 
é o resultado da consideração das interações possíveis. Esta fase do EIA compreende as seguintes 
etapas: 
 
♦ identificação e classificação dos impactos ambientais das ações do projeto e suas alternativas, 
nas fases de construção e operação da atividade, destacando os impactos mais significativos a 
serem pesquisados em profundidade e justificando os demais; 
♦ previsão da magnitude dos impactos identificados, especificando os indicadores de impacto, 
critérios, métodos e técnicas de previsão utilizados; 
♦ atribuição do grau de importância dos impactos em relação ao fator ambiental afetado e em 
relação à relevância conferida a cada um deles pelos grupos sociais afetados; 
♦ prognóstico da qualidade ambiental da área de influência, nos casos de adoção do projeto e 
suas alternativas e na hipótese de sua não implantação, determinando e justificando os hori-
zontes de tempo considerados; 
 
 
16.6.5. ESTUDO E DEFINIÇÃO DE MEDIDAS MITIGADORAS 
 
Neste ponto do EIA, deverão ser definidas medidas que visem minimizar os impactos negativos, 
entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiên-
cia de cada uma delas em relação aos padrões de qualidade ambiental e indicando os impactos 
que não podem ser evitados ou mitigados. 
3a Parte - Gestão do Meio Ambiente - 119 
 
 
16.6.6. PROGRAMAS DE GERENCIAMENTO 
 
Os programas de gerenciamento apresentam planos com cronograma de acompanhamento e mo-
nitoramento das medidas mitigadoras, nas diferentes fases do projeto, e devem incluir estratégias 
para incrementar os impactos positivos identificados. O programa de monitoramento dos impac-
tos deve ser estabelecido por três razões principais: 
 
♦ assegurar que os padrões ambientais legais não sejam ultrapassados; 
♦ assegurar que as medidas mitigadoras sejam implementadas