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Apostila Ciências do Ambiente - Parte 3

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Warner e Bormley (1974), que as dividiu em cinco 
grupos. Acrescenta-se a estes um sexto grupo constituído pelos modelos de predição. 
 
♦ Métodos " ad hoc "; 
♦ Check list ou Listagem de controle; 
♦ Matrizes; 
♦ Sobreposição de mapas; 
♦ Diagramas; 
♦ Modelos de predição 
 
3a Parte - Gestão do Meio Ambiente - 123 
 
 
17.2.1. MÉTODOS "AD HOC" OU ESPONTÂNEOS 
 
Compreendem técnicas rápidas de avaliação de impactos, desenvolvidas para projetos já defini-
dos, ou seja, o método é aplicado apenas para um caso específico, pela equipe solicitada para fa-
zer a avaliação. De um modo geral, estas técnicas não se prendem a métodos já definidos, mas 
podem aproveitar idéias dos mesmos para elaborar uma informação qualitativa ampla para com-
paração de alternativas de localização ou de processos de operação de um dado empreendimento. 
 
 
17.2.2. CHECK LIST OU LISTAGEM DE CONTROLE 
 
É um método de identificação, utilizado principalmente para avaliações preliminares. Consiste de 
uma lista de fatores ambientais que podem ser afetados pelo empreendimento, a ser utilizada para 
uma avaliação rápida dos impactos ambientais do mesmo em uma determinada área. Através 
dessas listas, os impactos ambientais são identificados de forma qualitativa para tipos específicos 
de projetos, a fim de assegurar que todos os itens sejam considerados. Desse modo, elabora-se 
uma lista para projetos de recursos hídricos, outra para projetos petroquímicos, etc.(Quadro 
17.1). 
 
Nas listas de checagem os impactos ambientais podem ser classificados como diretos/indiretos, 
reversíveis/irreversíveis, etc. Devem ser acompanhadas de um texto que descreva detalhadamen-
te as possíveis variações dos fatores ambientais assinalados; este texto constitui o estudo de im-
pacto propriamente dito. Os impactos assinalados podem também ser valorados, e, sempre de 
forma subjetiva, podem ainda ser ponderados entre si. Assim, as listas evoluem de listas simples 
para listas descritivas, lista de verificação e escala e listas de verificação, escala e ponderação. 
Vale lembrar mais uma vez que é um método de identificação qualitativo e, como tal, presta-se 
muito bem para análises preliminares, com uma grande vantagem pois oferece a possibilidade de 
cobrir ou identificar quase todas as áreas de impacto. 
 
 
17.2.3. MATRIZES 
 
As matrizes são técnicas de identificação de impactos ambientais, onde as colunas são constituí-
das por uma lista das ações do projeto e as linhas por fatores ambientais que podem ser afetados 
por aquelas ações. O cruzamento das ações do projeto com os fatores ambientais da área, permite 
a identificação das relações de causa-efeito, ou seja, dos impactos ambientais. 
 
A matriz mais conhecida e utilizada no mundo inteiro é a Matriz de Leopold et al (1971), que na 
sua composição original possui 88 linhas e 100 colunas, perfazendo um total de 8.800 interações. 
Cada interação assinalada para um empreendimento corresponde a um impacto ambiental. Nessa 
matriz, cada impacto assinalado é avaliado segundo a sua magnitude e grau de importância, re-
cebendo valores de 1 a 10. A magnitude tem caráter quantitativo e diz respeito a dimensão do 
impacto sobre um setor específico do meio ambiente, por exemplo: a carga poluidora lançada no 
rio. Deve ser precedida de sinal + ou -, segundo se trate de um efeito positivo ou negativo sobre o 
ambiente. A importância, tem caráter qualitativo, é a medida do peso relativo que o fator ambi-
ental alterado tem dentro do projeto, por exemplo: a carga poluidora lançada considerando as 
condições do rio e a freqüência com que ocorre. A matriz deverá ser acompanhada de um texto 
que irá abordar os impactos mais significativos. 
124 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
 
Quadro 17.1: Check list para projetos industriais (PNUMA). 
Possibilidades de emprego 
Diversidade de empregos 
Desenvolvimento de especialidades 
Possibilidade de formação técnica 
Transferência de tecnologia 
Migração de população 
Estrutura da população 
Demanda de moradia 
Equipamentos educacionais 
Equipamentos médico-sanitários 
Estrutura de salários 
Distribuição da renda 
Oportunidades empresariais 
Serviços comerciais 
Desenvolvimento dos recursos locais 
Efeitos sobre a utilização das terras 
Colheitas agrícolas 
Granjas de gado/aves 
Serviços de transporte 
Valor das propriedades 
Qualidade do ar 
Qualidade das águas doces 
Efeitos sobre a zona costeira 
Emissões gasosas 
Carga de efluentes 
Eliminação de resíduos sólidos 
Efeito sobre a fauna 
Efeitos sobre a flora 
Instalações e recursos recreativos 
Níveis de ruído e vibrações 
Qualidade visual e paisagem 
 Fonte: BOLEA, M. T. E.(1977). 
 
 
A Matriz de Leopold tem aspectos bastante positivos, dentre os quais cabe destacar os poucos 
requisitos necessários à sua aplicação e sua utilidade na definição de efeitos, pois contempla de 
forma bastante completa os fatores físicos, biológicos e sociais envolvidos. Por outro lado, por 
não haver critério único de valorização, pode-se dizer que a matriz de Leopold é um sistema um 
tanto quanto subjetivo de avaliação. Não obstante, quanto mais multidisciplinar for a equipe ava-
liadora, mais próximo se estará de um nível objetivo de avaliação. 
 
Na matriz de Leopold, apenas os impactos diretos podem ser identificados, não sendo possível 
avaliar interações mais complexas e impactos indiretos. Como a variável tempo não é considera-
da, não é possível distinguir impactos imediatos daqueles de longo prazo, nem os temporários 
3a Parte - Gestão do Meio Ambiente - 125 
 
dos permanentes, reversíveis dos irreversíveis, etc.. Desse modo, surgiram as matrizes de intera-
ção onde os impactos podem ser interpretados segundo a sua natureza. 
 
17.2.4. SOBREPOSIÇÃO DE MAPAS 
 
A sobreposição de mapas constitui uma boa ferramenta de comunicação, sobretudo em estudos 
do meio físico. Consiste na utilização de mapas onde a área afetada pelo projeto é dividida em 
retículas. Obtém-se assim uma série de unidades geográficas e em cada uma delas se estuda os 
impactos ambientais através de indicadores previamente estabelecidos. Utilizando-se de transpa-
rências, os resultados obtidos são assinalados nos mapas correspondentes. Sobrepõe-se depois os 
resultados das distintas transparências e, tratando-se todas estas informações, chega-se as con-
clusões finais. 
 
 
17.2.5. DIAGRAMAS / REDES DE INTERAÇÃO 
 
São métodos que tratam da avaliação de impactos indiretos. São representações em forma de di-
agramas da sucessão de impactos, através de conexões entre os indicadores. 
 
Proposto por Sorensen (1974), o método organiza uma seqüência de efeitos provocados por cada 
ação do projeto - os impactos diretos. A partir da identificação dos impactos diretos, a cadeia ou 
sucessão de impactos indiretos, seus respectivos efeitos e as medidas mitigadoras, são descritas 
através de um fluxograma, ou seja, uma rede ou sistema de interação. Um exemplo da rede é 
mostrado na figura 17.1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17.1: Efeitos do lançamento de SO2 por uma indústria. 
 
 
 
17.2.6. MODELOS DE PREDIÇÃO 
 
A avaliação do impacto de poluentes na atmosfera e nas águas geralmente é feita utilizando-se 
métodos de predição, os quais se baseiam em modelos de difusão desses poluentes no ar e nas 
águas. Um modelo não é outra coisa que uma representação física ou matemática - ou no melhor 
dos casos física-matemática -, que reproduz as características e condições ambientais de um e-
cossistema real, de modo que analisando esta informação e as interações, possamos chegar à 
percepção de tal sistema frente às ações modificadoras impostas pelo homem. Teoricamente é o 
melhor método, devido à sua capacidade de predição, porém é um método caro, que exige capa-
citação, tempo e muitos recursos. 
 
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