Direito Previdenciário
103 pág.

Direito Previdenciário


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.321 materiais534.435 seguidores
Pré-visualização22 páginas
a quem recebe o benefício de prestação 
 continuada. 
\u2022 A pessoa que recebe o benefício de assistência social não faz jus a outra 
 prestação previdenciária, mas faz jus à assistência médica. 
\u2022 Na hipótese de falecimento, não gera direito a pensão por morte ao 
 dependente. 
\u2022 A concessão do benefício ficará sujeita a exame médico pericial e laudo do 
 INSS. 
\u2022 Compete ao INSS a responsabilidade pela concessão do benefício de prestação 
continuada, sendo que a UNIÃO será responsável pelo custeio. 
\u2022 O benefício de prestação continuado não pode ser cumulado pelo assistido com nenhum 
benefício da previdência social ou de qualquer outro regime. 
 
B) BENEFÍCIOS EVENTUAIS 
Pagamento de auxílio por natalidade ou morte (auxílio funeral) às famílias cuja renda 
mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo. 
A concessão e o valor dos benefícios serão regulamentados pelos Conselhos de 
Assistência Social dos Estados e dos Municípios mediante critérios e prazos definidos pelo CNAS. 
A legislação admite, ainda, a criação de outros benefícios eventuais para atender 
necessidades decorrentes de vulnerabilidade temporária, com prioridade para a criança, a família, 
o idoso, a pessoa portadora de deficiência, gestante, a nutriz, e nos casos de calamidade publica. 
C) OUTROS BENEFÍCIOS ASSISTENCIAIS 
\u2022 Bolsa-alimentação: criado pela MP n. 2.206-1, de 6.09.2001. 
\u2022 Cartão-alimentação: MP n. 108. de 2702.2003, convertida na Lei n. 
10.689, de 13 de junho de 2003. 
 
 
 26
\u2022 Bolsa-escola: Lei n. 10.219, de 11.04.2001. 
\u2022 Auxílio-gás: MP n. 18, de 28.12.2001, convertida na Lei n. 10.453, de 
13.05.2002 e regulamentado pelo Decreto 4.102, de 24.01.2002. 
\u2022 Bolsa-família: Lei n. 10.836, de 09.01.2004. 
 
 
4.2 - SAÚDE 
A Constituição Federal tratou a saúde como espécie de seguridade social nos arts. 196 a 
200. A Lei n. 8.080, de 19.9.90, trata da saúde, regulamentando os dispositivos constitucionais. A 
política nacional de saúde também é regulada pela Lei n. 8.142, de 28.12.90. A Carta Magna 
estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. 
Princípios e características: 
\u2022 acesso universal e igualitário (sem preconceitos e privilégios de qualquer 
espécie); 
\u2022 provimento das ações e dos serviços por meio de rede regionalizada e 
hierarquizada, integrados em sistema único (SUS); 
\u2022 descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera 
de governo e ênfase na descentralização dos serviços para os Municípios; 
\u2022 atendimento integral (integralidade da assistência em todos os níveis de 
complexidade das ações), com prioridade para as atividades preventivas; 
\u2022 gestão democrática (participação da comunidade); 
\u2022 participação da iniciativa privada na assistência à saúde em caráter 
complementar no âmbito do SUS (art. 199 CF), sendo vedada a destinação 
de recursos públicos para auxílios e subvenções às instituições privadas 
com fins lucrativos; 
\u2022 vedação de participação direta ou indireta de empresas ou capitais 
estrangeiros na assistência à saúde no Brasil, salvo, nesta última hipótese, 
os casos contemplados em lei. 
As ações e serviços de saúde são de relevância pública, cabendo ao Poder Público dispor, 
nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução 
 
 
 27
ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito 
privado (art. 197, CF). 
A CF, no § 2°, do art. 198 (redação dada pela EC 20/98), determina que a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços 
públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre a 
arrecadação tributária e do repasse da União aos Estados, e destes aos Municípios, cabendo 
à lei complementar definir tais percentuais (§ 3° do art. 198). Até que a lei complementar 
sobrevenha a CF fixou no art. 77 do ADCT os recursos mínimos a serem aplicados. 
 
4.3 - PREVIDÊNCIA SOCIAL 
Previdência social é o sistema pelo qual, mediante contribuição, as pessoas que 
exercem alguma atividade laborativa e seus dependentes ficam resguardados quanto a 
eventos da infortunística (morte, invalidez, idade avançada, acidente de trabalho, 
desemprego involuntário), ou outros que a lei considera que exijam um amparo financeiro 
ao indivíduo (maternidade, prole, reclusão), mediante prestações pecuniárias (benefícios 
previdenciários) e serviços. Trata-se de um seguro social compulsório. O Direito Previdenciário 
tem por objeto estudar os princípios e as normas que se referem ao custeio da Previdência 
Social e às prestações previdenciárias devidas aos seus beneficiários. 
A Previdência Social consiste, portanto, em um sistema de proteção social visando a 
assegurar ao trabalhador benefícios e serviços quando o mesmo é atingido por uma 
contingência social, valendo-se, para tanto, da solidariedade social. 
 
Através dos regimes previdenciários busca-se tutelar a capacidade contributiva. A 
Constituição Federal em seu art. 201 listou quais os eventos (riscos sociais) que a legislação 
deverá regulamentar para garantir ao segurado a percepção de uma prestação previdenciária. 
O art. 1° da Lei n. 8.213 listou os seguintes riscos: incapacidade, desemprego involuntário, idade 
avançada, tempo de serviço, encargos familiares e prisão ou morte daqueles de quem dependiam 
economicamente. O desemprego involuntário não é coberto pelo RGPS, sendo objeto de lei 
específica (Lei n. 7.998/90, alterada pela Lei n. 8.900/94). 
 
 
 
 28
4.4 - PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (art. 194 da CF. art. 
2° da Lei n. 8.213/91) 
1 - DA FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA E AUTOMÁTICA. 
Havendo relação de trabalho ou de emprego ocorre o ingresso do indivíduo na Previdência 
Social de forma obrigatória, não sendo, pois, relevante a vontade do segurado, salvo na 
hipótese do segurado facultativo. A filiação ao RGPS (Regime Geral de Previdência Social) opera-
se ope legis. 
Através do princípio da automaticidade da filiação infere-se que, havendo o exercício de 
atividade econômica, tem-se instalada a filiação, independentemente da vontade do segurado. No 
exato momento em que se tem início o trabalho tem começo a filiação. 
Observa Marly Antonieta Cardone (Alguns Princípios de Direito Previdencial): 
"obrigatoriedade e automaticidade de filiação são relativas a beneficiários e órgão gestor do 
seguro social. Nenhum dos dois pólos da relação jurídica pode se recusar a filiação. Quando o 
legislador fixa condição para se efetivar a relação, subtrai dos sujeitos a possibilidade de 
opção. Por isso, não pode o segurado opor-se à filiação nem o órgão gestor selecionar os 
filiados." 
2 - CARÁTER CONTRIBUTIVO 
O art. 201 da CF, caput, estabelece que a Previdência Social será organizada sob a 
forma de regime geral, de caráter contributivo. A Lei 8.213/91, art. 1°, preceitua que a 
participação do indivíduo na Previdência Social será feita mediante contribuição. Dessa forma, se 
o indivíduo não contribui para o regime o mesmo não pode receber benefício previdenciário. 
Entretanto, existem hipóteses em que o segurado não chega sequer a contribuir para a 
Previdência Social e mesmo assim fará jus a benefícios previdenciários como o exemplo de 
um trabalhador que no primeiro dia de seu trabalho sofre um acidente e passa a receber um 
benefício de auxílio-doença. Nesse caso, a legislação não exige carência, ficando evidente o 
caráter de solidariedade social do regime. 
No que tange ao empregado ressalte-se que a responsabilidade pelo recolhimento 
compete ao empregador, de maneira que sua omissão de proceder