Aula 07

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DisciplinaEducação e Economia Política720 materiais4.872 seguidores
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se continue a postular uma associação direta entre educação e renda, não é mais possível afirmar que a educação garante a inserção no mercado. Só é possível afirmar que a educação pode aumentar as chances de um trabalho remunerado. Essa associação oculta as causas estruturais da redução da oferta de empregos, transferindo o problema para a esfera individual do trabalhador.
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EMPREGABILIDADE \u2013 CARÁTER IDEOLÓGICO
É possível afirmar que, quando articulada à educação, a empregabilidade acaba por forjar uma ideologia de passividade, individualismo e competitividade. Não se trata de formar cidadãos que, conscientes de seu direito à renda, ao trabalho e ao emprego, sejam capazes de lutar pela inserção no mercado e pela transformação das relações que produzem uma sociedade desigual e um mercado excludente, mas sim de formar indivíduos passivos, que aceitem a realidade do mercado de trabalho como imutável e entendam a exclusão social e laboral como um fracasso pessoal, resultante de sua incapacidade individual de negociar as competências adquiridas nos processos educativos. 
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FINALIDADE DA EDUCAÇÃO NO 
QUADRO DO NEOLIBERALISMO
Convive-se no neoliberalismo com o que Paul Singer chamou de visão produtivista da educação. A educação, sobretudo a escolar é vista como preparação dos indivíduos para o ingresso na divisão social do trabalho. Essa visão enfatiza que a educação tem como propósito a acumulação de capital humano. A educação é vista como instrução e desenvolvimento de capacidades que habilitem o educando a integrar o mercado de trabalho de forma o mais vantajosa possível.
Vale observar que as vantagens individuais são compreendidas como vantagens sociais, uma vez que o bem estar de todos é entendido como a soma dos ganhos individuais. 
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A VISÃO NEOLIBERAL DA ESCOLA
Para o neoliberalismo, a escola é vista em uma perspectiva técnico-científica. Ela não valoriza a formação humanística do indivíduo, mas defende uma formação guiada pela necessidade de mão-de-obra do mercado. Nos discursos neoliberais a educação não é mais reconhecida como integrante do campo social, mas se insere definitivamente no mundo do mercado.
O neoliberalismo entende a escola como parte constituinte e importante do mercado, valorizando as técnicas de gerenciamento e reconhecendo que pais e alunos são consumidores do produto educação. Esvazia-se, desse modo, o papel político da educação.
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PAPEL ATRIBUÍDO À EDUCAÇÃO PELO IDEÁRIO NEOLIBERAL
De acordo com os neoliberais a escola tem o seguinte papel:
Articular a preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa. Assegurar que o mundo empresarial tem interesse na educação porque deseja uma força de trabalho qualificada, apta para a competição no mercado nacional e internacional.
Tornar a escola um meio de transmissão dos seus princípios doutrinários. O que está em questão é a adequação da escola à ideologia dominante. [...] 
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O DIAGNÓSTICO NEOLIBERAL SOBRE A 
CRISE DA ESCOLA
Os neoliberais afirmam que a crise da escola se deve a dois fatores:
a) centralização política (modelo do Bem Estar Social)
Durante o Estado de Bem Estar Social, o acesso a escola, nos países \u201csubdesenvolvidos\u201d, havia crescido, mas a situação econômica ainda era precária em alguns países como o Vietnam e as Filipinas. Na análise do Banco Mundial o que explicava essa contradição era a centralização política, entendida como um entrave ao desenvolvimento. A teoria do Capital Humano não estava errada. Não adianta apenas investir no capital humano se os governantes operam num esquema de centralização política, uma vez que esta centralização cria barreiras intransponíveis ao desenvolvimento econômico de uma nação e dos indivíduos. Num mundo globalizado o mercado deve ser livre dos entraves políticos para garantir o desenvolvimento econômico. 
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O DIAGNÓSTICO NEOLIBERAL SOBRE
 A CRISE DA ESCOLA
b) a improdutividade das práticas pedagógicas e a ineficiência da gestão administrativa da escola, que sofreu uma expansão desordenada nas décadas de 60 e 70
 A crise de eficiência, qualidade e produtividade vivida pela escola é vista como fruto da expansão desordenada e anárquica que a escola vem sofrendo nos últimos anos, sobretudo nas décadas de 1960 e 1970. Trata-se fundamentalmente de uma crise de qualidade decorrente da improdutividade que caracteriza as práticas pedagógicas e a gestão administrativa da grande maioria dos estabelecimentos escolares. (GENTILLI, 1996, p. 13)
Ou seja, a ineficiência da escola é responsabilidade direta da profunda incompetência dos que nela trabalham. Portanto, uma escola ineficiente não tem como contribuir na valorização do capital humano e muito menos no desenvolvimento econômico. Para que o investimento no capital humano, em tempos neoliberais, seja bem aproveitado é primordial uma profunda reforma administrativa do sistema educacional e escolar, com a introdução de mecanismos que controlem a eficiência, a produtividade e, principalmente, a qualidade desses serviços. 
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O DIAGNÓSTICO NEOLIBERAL SOBRE A
 CRISE DA ESCOLA
Os neoliberais afirmam que a crise da escola passa pela falta de escolas melhores e não pela falta de escolas; pela falta de professores mais qualificados e não pela falta de professores; por uma melhor distribuição dos recursos financeiros e não pela falta de recursos. Recursos não faltam. Isso quer dizer que o desafio da escola é apenas gerencial, de gestão. Esses tecnocratas vão ainda mais longe e afirmam que esse problema gerencial acontece devido à incompetência dos Estados em gerir as políticas educacionais. O Estado torna a escola improdutiva. É preciso que o Estado, através das políticas educacionais crie um mercado educacional. Só esse mercado, com seu dinamismo e flexibilidade é que pode se opor a um sistema escolar rígido e incapaz. Só esse mercado é que pode promover os mecanismos para garantir a eficácia e a eficiência dos serviços educacionais oferecidos: a competição interna e o desenvolvimento de um sistema de prêmios e castigos com base no mérito e no esforço individual dos atores envolvidos na atividade educacional.
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SOLUÇÕES PROPOSTAS PARA A CRISE
 DA ESCOLA
A escola, na perspectiva neoliberal é vista como uma mercadoria deve ser produzida de forma rápida e de acordo com certas normas de controle da eficiência e da produtividade. A escola deve ser pensada e projetada como uma instituição prestadora de serviços sob a ótica empresarial, devendo adotar os princípios de eficácia para obter liderança no mercado.
\u201co que unifica os McDonald\u2019s e a utopia educacional dos homens de negócios é que, em ambos, a mercadoria oferecida deve ser produzida de forma rápida e de acordo com certas e rigorosas normas de controle da eficiência e da produtividade . O modelo McDonald's tem demonstrado graças à universalização do hambúrguer, uma enorme capacidade para ter sucesso no mercado da alimentação "rápida\u201d. A escola, pelo contrário, no que se refere a suas funções educacionais, não tem sido tão bem sucedida, se avaliada sob a ótica empresarial defendida pelos neoliberais. Os princípios que regulam a prática cotidiana dos McDonald's, em todas as cidades do planeta, bem que poderiam ser aplicados às instituições escolares que pretendem percorrer a trilha da excelência: "qualidade, serviço, limpeza e preço". (GENTILI, 1996, p. 41).
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SOLUÇÕES PROPOSTAS PARA A
 CRISE DA ESCOLA
De acordo com os neoliberais, algumas estratégias devem ser adotadas para possibilitar que a escola assuma o seu papel na sociedade e possa garantir o desenvolvimento econômico dos países ditos \u201csubdesenvolvidos\u201d: 
a) o estabelecimento de mecanismos de controle e avaliação da qualidade e produtividade da escola e dos serviços educacionais; 
Esses mecanismos de gerenciamento e de avaliação são práticas empresariais que devem ser transferidas para o sistema educacional sem adaptações ou mediações.