Aula 08

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DisciplinaEducação e Economia Política721 materiais4.875 seguidores
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O trabalho abstrato independe das especificidades dos diferentes ofícios e diz respeito ao dispêndio de energia humana, sem considerar as múltiplas formas em que é empregada. É nessa qualidade de trabalho humano abstrato que o trabalho cria o valor das mercadorias. 
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O QUE OCORRE?
O que acontece é uma crise da sociedade salarial, mas não o fim do papel da força de trabalho na produção de mercadorias e criação de valor
Com base nesta distinção, quando se fala em crise da sociedade do trabalho, é necessário especificar de que dimensão se está tratando. Trata-se de uma crise da sociedade do trabalho abstrato, da sociedade salarial, mas essa crise não corresponde à supressão total da participação do trabalho abstrato na produção de mercadorias, nem ao fim do papel estruturante que o ser que trabalha desempenha na criação de valores de troca. Não corresponde também à uma crise do trabalho em sua dimensão concreta, à negação da dimensão histórica do trabalho defendida por Marx, segundo a qual é pelo trabalho, entendido como atividade transformadora, que o homem transforma a natureza e a si mesmo. Pelo trabalho, os homens modificam a realidade, a si mesmos e a forma de perceber o real 
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O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSE DISCURSO QUE ANUNCIA
O FIM DA RELAÇÃO CAPITAL-TRABALHO? 
As dimensões que os adeptos da sociedade do conhecimento identificam na nossa atual sociedade são apenas os caminhos que o capital vai traçando em seu processo de valorização e acumulação. Já estudamos essas mudanças, sempre no quadro do capitalismo. 
Convivemos com uma profunda modificação nas relações de trabalho e de produção. Esse é um momento de reestruturação produtiva e que tem com base o sistema de organização do trabalho toyotista. Está sendo construído um novo padrão de acumulação: o flexível. Assim, o que os defensores da sociedade do conhecimento estão entendendo por nova sociedade pós capitalista na verdade trata-se dos novos arranjos do capital nessa nova etapa do processo de acumulação capitalista.
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DESCONSTRUINDO OS ARGUMENTOS 
O TOYOTISMO NÃO CONSTITUI UMA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PÓS-CAPITALISTA
Como vimos na aula 4, o toyotismo traz novos formatos de produção, tais como: o \u201ctrabalho em equipe\u201d (team); o programa de gerenciamento pela qualidade total; just-in-time (produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária); kanban (controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo); a terceirização; a mão-de-obra multifuncional e bem qualificada (os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa); sistema flexível de mecanização; produção ajustada à demanda do mercado; pesquisas de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes.
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DESCONSTRUINDO OS ARGUMENTOS 
NO TOYOTISMO A SUBJETIVIDADE OPERÁRIA É COLOCADA A SERVIÇO DO PROCESSO DE ACUMULAÇÃO CAPITALISTA 
A ofensiva do capital no mundo do trabalho se evidencia na nova hegemonia que obriga a adaptação do trabalhador, mas, sobretudo, obriga o trabalhador a colocar sua subjetividade a serviço do capital. Os trabalhadores não devem apenas deter a técnica, conhecer novas tecnologias e \u201cdomá-las\u201d, mas devem ser qualificados, pró-ativos e propositivos, empreendedores, capazes de ter iniciativa, de resolver problemas diante da prática cotidiana. Devem pensar com a cabeça da empresa. Assim, o que ocorre no toyotismo, de modo diferente do antigo paradigma fordista, é que o processo de valorização do capital não se realiza mais a partir da força física do trabalhador. O que está em jogo agora é a sua subjetividade. É a subjetividade do trabalhador, sua criatividade, que é posta a serviço do processo de valorização do capital. Na sociedade atual, denominada de sociedade do conhecimento, a luta de classe continua presente. A diferença é que agora a subjetividade do trabalhador é capturada buscando sua adesão ao novo sistema
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DESCONSTRUINDO OS ARGUMENTOS 
O TOYOTISMO NÃO TRAZ RELAÇÕES MAIS DEMOCRÁTICAS NA EMPRESA 
Diferentemente do fordismo, no toyotismo, os trabalhadores são chamados a participar, tomar decisões relativas ao processo produtivo, se antecipando aos problemas relacionados ao processo de trabalho. Diluem-se os contornos da separação que vigorava no fordismo entre concepção e execução do processo de trabalho. O trabalhador é chamado a inovar, a controlar a qualidade da produção.
Essa maior participação, entretanto, não significa a existência de relações mais democráticas no interior da fábrica. As relações de poder no interior do processo produtivo não são colocadas em questão. 
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DESCONSTRUINDO OS ARGUMENTOS 
O TOYOTISMO AMPLIA A EXPLORAÇÃO DO TRABALHADOR. 
O fim da esteira rolante e o fim da linha de montagem fordista não significam o fim da exploração operária. Sob o toyotismo o capital persegue os mesmos objetivos que já buscava no fordismo. Ele busca ampliar a produtividade do trabalhador, com a eliminação dos tempos mortos, da porosidade. Enquanto no fordismo isso era obtido por meio da esteira que ditava o ritmo da produção, o aumento da produtividade é obtido no toyotismo pelo fato de que os operários atuam simultaneamente com várias máquinas diversificadas, através do sistema de luzes que possibilitam ao capital intensificar \u2013 sem estrangular \u2013 o ritmo produtivo do trabalho. Com isso, a porosidade no trabalho é ainda menor que no fordismo.
O sistema toyota supõe na verdade uma intensificação da exploração operária. 
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O QUE A IDEIA DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO RETIRA DO HORIZONTE DAS POSSIBILIDADES DA LUTA
Entender que a sociedade atual denominada de sociedade do conhecimento é uma sociedade pós capitalista traz conseqüências não só para a compreensão de emancipação humana, como também para a do próprio processo de transformação social. 
Em primeiro lugar essa idéia nega o fato de que a emancipação humana supõe a superação do trabalho abstrato, isto é, o fim da sociedade produtora de mercadorias. Supõe também a negação do reconhecimento \u201cdo papel central do trabalho assalariado, da classe que vive do trabalho, como sujeito capaz, objetiva e subjetivamente, de caminhar além do capital\u201d. 
Assim, acreditar que estamos vivendo em uma sociedade do conhecimento retira do horizonte a noção de que o processo de transformação social envolve uma luta pelas reivindicações clássicas da classe trabalhadora (diminuição da jornada, ampliação dos salários, etc) em articulação com a luta pela conquista de uma sociedade de um novo tipo: uma sociedade que tenha a esfera do trabalho concreto como ponto de partida fundante, uma sociedade que não seja estruturada com base na produção de valores de troca.
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A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
E A ESCOLA
Os adeptos da sociedade do conhecimento defendem a construção de uma nova escola para uma nova sociedade.
É o Banco Mundial que defende essa nova escola, intimamente ligada às exigências da economia. Para o Banco Mundial, os programas de ensino e pesquisa devem responder à evolução das exigências da economia. As instituições a cargo dos programas de ensino e pesquisa deveriam contar com a orientação de representantes dos setores produtivos. 
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A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
E A ESCOLA
A escola passa a ser vista como um espaço onde se deve ensinar ao aluno aprender a aprender, além de desenvolver as competências. De acordo com Banco Mundial/UNESCO, a educação ao longo da vida, na sociedade do conhecimento, deve partir de três pressupostos. 
a) a educação escolar deve ocupar mais espaço na vida das pessoas; 
b) o progresso científico e tecnológico torna a formação inicial obsoleta, exigindo uma formação profissional permanente;
c) cada indivíduo deve conduzir o seu destino e a sua educação. As pessoas devem desenvolver mecanismos que as tornem autônomas na construção do conhecimento. Como o conhecimento é volátil e se