Aula 09

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DisciplinaEducação e Economia Política721 materiais4.875 seguidores
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EDUCAÇÃO E ECONOMIA POLÍTICA
O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO 
CURSO DE PEDAGOGIA \u2013 professora BEATRIZ PINHEIRO
Rio de Janeiro, 06 de outubro de 2011
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OBJETIVOS
Explicar como o trabalho é uma condição de identificação do ser humano e que trabalhando o homem transforma a natureza produzindo bens materiais e imateriais
Perceber como, ao longo do tempo, as relações de produção foram alterando a natureza criativa e libertária do trabalho, transformando-o em um instrumento de alienação. 
Entender que neste processo produtivo surgem as relações educativas, potencialmente transformadoras das estruturas sociais. 
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O TRABALHO
Na atualidade, o trabalho tem sido associado, e por vezes confundido, com emprego, com serviço, com desemprego e até com capital, trazendo uma polissemia para o termo.
A origem da palavra trabalho (do latim tripalium: instrumento de tortura) e de um dos seus sinônimos mais usados, labor (também do latim laborare: cambalear sob carga pesada) fazem referência a tortura e sofrimento. Essa referência indica que o trabalho é visto como uma ação negativa, executada por alguém que está numa condição de prisão, de condenação ou de escravidão.
No entanto, a palavra trabalho, também, está ligada à transformação, criação e recriação. Ou seja, o trabalho é uma ação humana que, envolvendo força física e capacidade intelectual, pode transformar a natureza e a sociedade. 
Para esclarecer esses muitos conceitos, é necessário ir buscar na história o sentido do trabalho
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A DIMENSÃO ONTOLÓGICA DO TRABALHO
O trabalho tem uma história e a nossa história está intimamente relacionada ao trabalho. Podemos inclusive, afirmar que só há história por causa do trabalho,
Afirmar que o trabalho está na base da história é afirmar que é o trabalho que funda a história. 
\u201cO trabalho tem então uma dimensão ontológica, ou seja, ele está enraizado na existência dos homens, de tal maneira que, sem ele, nem homens nem história existiriam\u201d.
\u201cO trabalho é a fonte de toda riqueza. A natureza fornece os materiais que ele converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que isso. É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.\u201d 
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TRABALHO COMO ESSÊNCIA HUMANA
O homem se destaca da natureza e é obrigado, para existir, a produzir sua própria vida. Assim, diferentemente dos animais, que se adaptam à natureza, os homens têm de adaptar a natureza a si. Agindo sobre ela e transformando-a, os homens ajustam a natureza às suas necessidades
O homem se diferencia dos animais a partir do momento em que começa a produzir seus meios de vida. Ao produzir seus meios de vida, o homem produz indiretamente sua própria vida material. (Marx & Engels, 1974)
O ato de agir sobre a natureza transformando-a em função das necessidades humanas é o que conhecemos com o nome de trabalho. É possível afirmar que a essência do homem é o trabalho. Isso significa que a essência humana não é, então, dada ao homem; não é uma dádiva divina ou natural; não é algo que precede a existência do homem. Ao contrário, a essência humana é produzida pelos próprios homens. O que o homem é, o é pelo trabalho. É o trabalho que define a essência humana. Assim, não é possível que o homem viva sem trabalhar.
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A RELAÇÃO DE IDENTIDADE ENTRE 
TRABALHO E EDUCAÇÃO
Se a existência humana não é garantida pela natureza, não é uma dádiva natural, mas tem de ser produzida pelos próprios homens, sendo um produto do trabalho, isso significa que o homem não nasce homem. Ele forma-se homem. Ele não nasce sabendo produzir-se como homem. Necessita aprender a ser homem, precisa aprender a produzir sua própria existência. Portanto, a produção do homem é, ao mesmo tempo, a formação do homem, isto é, um processo educativo. A origem da educação coincide, então, com a origem do homem.
Assim, no ponto de partida, a relação entre trabalho e educação é uma relação de identidade. Os homens aprendiam a produzir sua existência no próprio ato de produzi-la. Eles aprendiam a trabalhar trabalhando. Lidando com a natureza, relacionando-se uns com os outros, os homens educavam-se. 
Era isso o que ocorria nas sociedades primitivas, nas sociedades comunais. Os homens apropriavam-se coletivamente dos meios de produção da existência e nesse processo educavam-se e educavam as novas gerações
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A APROPRIAÇÃO PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO
E A SEPARAÇÃO ENTRE TRABALHO E EDUCAÇÃO
O desenvolvimento da produção conduziu à divisão do trabalho e, daí, à apropriação privada da terra, provocando a ruptura da unidade que ocorria nas comunidades primitivas. A apropriação privada dos meios de produção gerou a divisão dos homens em classes, configurando a existência de duas classes sociais fundamentais: a classe dos proprietários e a dos não-proprietários.
O advento da propriedade privada tornou possível à classe dos proprietários viver sem trabalhar. Sendo a essência humana definida pelo trabalho, continua sendo verdade que sem trabalho o homem não pode viver. Mas o controle privado da terra tornou possível aos proprietários viver do trabalho alheio; do trabalho dos não-proprietários que passaram a ter a obrigação de, com o seu trabalho, manterem-se a si mesmos e ao dono da terra, convertido em seu senhor.
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A APROPRIAÇÃO PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO
E A SEPARAÇÃO ENTRE TRABALHO E EDUCAÇÃO
A divisão dos homens em classes irá provocar uma divisão também na educação. Se antes, na sociedade comunal, a educação era identificada com o próprio processo de trabalho, a partir do escravismo antigo, passamos a ter duas modalidades distintas e separadas de educação: uma para a classe proprietária, identificada como a educação dos homens livres, e outra para a classe não-proprietária, identificada como a educação dos escravos e servos. A primeira, centrada nas atividades intelectuais, na arte da palavra e nos exercícios físicos de caráter lúdico ou militar. E a segunda, assimilada ao próprio processo de trabalho.
A primeira modalidade de educação deu origem à escola, lugar dos que dispunham de tempo livre, dos que não trabalhavam. Desenvolveu-se, assim, uma forma específica de educação, a escolar, em contraposição àquela inerente ao processo produtivo. Pela sua especificidade, essa nova forma de educação passou a ser identificada com a educação propriamente dita, ocorrendo a separação entre educação e trabalho. 
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A APROPRIAÇÃO PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO
E A SEPARAÇÃO ENTRE TRABALHO E EDUCAÇÃO
Verifica-se uma articulação entre os processos de institucionalização da educação, de surgimento da sociedade de classes e de aprofundamento da divisão do trabalho 
Nas sociedades primitivas, caracterizadas pelo modo coletivo de produção da existência humana, a educação consistia numa ação espontânea, coincidindo inteiramente com o processo de trabalho que era comum a todos os membros da comunidade.
Com a divisão dos homens em classes, na antiguidade e no feudalismo, a educação também fica dividida: a educação destinada à classe dominante passa a ser distinta daquela voltada para a classe dominada. 
A educação dos membros da classe dominante, que dispõe de ócio, de lazer, de tempo livre, passa a organizar-se na forma escolar, contrapondo-se à educação da maioria, que continua a coincidir com o processo de trabalho.
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A APROPRIAÇÃO PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO
E A SEPARAÇÃO ENTRE TRABALHO E EDUCAÇÃO
O desenvolvimento da sociedade de classes, especificamente nas suas formas escravista e feudal, consumou a separação entre educação e trabalho. 
É o modo como se organiza o processo de produção \u2013 portanto, a maneira como os homens produzem os seus meios de vida \u2013 que permitiu a organização da escola como um espaço separado da produção. Nas sociedades de classes, a relação entre trabalho e educação tende a manifestar-se na forma da separação entre escola e produção. 
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A APROPRIAÇÃO