Aula 09

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DisciplinaEducação e Economia Política720 materiais4.872 seguidores
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apenas instrumentos de trabalho, ainda que agora possam ser considerados instrumentos capazes de por em movimento operações bastante complexas. O criador desse processo, aquele que o controla em última instância, ainda é o homem. Continua sendo um trabalhador. Seu trabalho agora consiste em controlar todo \u201das novas criaturas\u201d, mantendo-as ajustadas às suas necessidades. 
Assim, o trabalho foi e continuará sendo o princípio educativo do sistema de ensino em seu conjunto. Determinou seu surgimento sobre a base da escola primária, o seu desenvolvimento e sua diversificação e pode determinar, no contexto das tecnologias avançadas, a sua unificação, definindo a necessidade de universalização da escola básica
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A CENTRALIDADE DO TRABALHO
Apesar de ter sofrido transformações, o trabalho ainda mantém a centralidade e é ontologicamente decisivo no processo de formação e circulação de bens e riquezas materiais e/ou imateriais e na nossa condição de humanidade.
As mudanças na natureza do trabalho, na apropriação dos instrumentos e das relações de trabalho constituem a diversidade histórica do trabalho. Essa diversidade denuncia os processos de exploração do trabalho e do trabalhador, mas não tira a função educacional do trabalho. O trabalho, como atividade fundamental da vida humana, existirá enquanto existirmos. O que muda é a natureza do trabalho, as formas de trabalhar, os instrumentos de trabalho, as formas de apropriação do produto do trabalho, as relações de trabalho e de produção.
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TRABALHO E ALIENAÇÃO
Nas sociedades comunais primitivas, coletoras/caçadoras, as sociedades agrícolas/hidráulicas e as sociedades escravistas foram marcadas pela centralidade histórica do trabalho. De uma sociedade sem propriedade privada e baseada no trabalho coletivo, a humanidade passou a experimentar relações de exploração do trabalho alheio, associada à propriedade privada de bens produzidos pelo trabalho.
Neste processo histórico de socialização, aconteceram transformações e alguns homens se apoderaram da força de trabalho de outros homens, dando origem à face alienada do trabalho: foi assim no escravismo, na servidão e é assim atualmente, no capitalismo. Esta alienação tem um caráter duplo: exploração do trabalho alheio que gerava riqueza, riqueza que era alienada ao trabalhador. Essa alienação acontece, na atualidade, como fruto do modelo econômico hegemônico, no qual o mercado e não o ser humano é elo entre as relações sociais. No sistema capitalista, a centralidade está no lucro e na multiplicação de capitais. 
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O TRABALHO E SUA DIMENSÃO HUMANA
Mas o trabalho não possui somente esta face alienante. O sistema ou modo de produção que o utiliza e como o utiliza, é que pode tornar sua prática alienante. 
Em outras palavras, no sistema de acumulação capitalista, o trabalhador foi alienado dos meios de produção que um dia pertenceram a ele. Assim, o trabalhador foi alienado destes recursos, não por obra do trabalho, mas por imposição do modo de produzir injusto.
Mas o trabalho ao mesmo tempo em que é exercido de forma alienada, ele também pode ser libertador, uma vez que só por ele conseguimos gerar bens (materiais e imateriais) e imprimir valor a estes bens. Independente de qualquer questão, não podemos esquecer a sua dimensão humana. Alienado ou não, o trabalho é uma característica humana.
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O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO
È fundamental entender que o trabalho ao gerar bens, deixa as marcas humanas naquilo que foi produzido. Isso gera ensinamentos e aprendizagens, uma vez que, gerações podem repetir ou aprimorar o produzido. Neste processo que envolve dialeticamente, trabalho, humanização, aprendizado, e saberes, o trabalho ganha um outro sentido: o seu caráter educativo. 
Assim, o trabalho tem sido visto pelo pensamento crítico como um princípio educativo. Entende-se que o trabalho pode contribuir para a educação do trabalhador, contribuindo para que ele possa reconhecer-se no produto de sua obra, aprendendo a se organizar, reivindicar seus direitos, desmistificar ideologias, dominar conteúdos do trabalho, compreender as relações sociais e a função que nela desempenha
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O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO
O processo de trabalho como o princípio educativo é um dos pontos centrais desenvolvidos por Gramsci sobre a educação. Está calcado na idéia de que o trabalho não pode ser dever de apenas alguns. Poucos não podem viver à custa do trabalho de muitos. Através do processo de trabalho o homem humaniza-se, portanto, todos os homens devem submeter-se ao trabalho. O processo educativo deve estar alicerçado nestes princípios. 
É com base nesta dimensão ontológica que Marx aponta o trabalho como um princípio educativo. Trata-se de um pressuposto ético-político de que todos os seres humanos são seres da natureza e, portanto, têm a necessidade de alimentar-se, proteger-se das intempéries e criar seus meios de vida. Socializar, desde a infância, o princípio de que a tarefa de prover a subsistência, pelo trabalho, é comum a todos os seres humanos, é fundamental para não criar indivíduos, ou grupos, que exploram e vivem do trabalho de outros (FRIGOTTO, 2001, p. 41)
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O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO
Gramsci, ao admitir a importância do controle do processo da produção e do instrumento de trabalho, ou seja, do conhecimento técnico-científico, admite a importância do trabalho como um princípio educativo. 
Para Gramsci, o processo de trabalho é um princípio educativo imprescindível na formação da classe trabalhadora para que esta, organizada, concretize o ideal de uma sociedade emancipada, onde o trabalho adquira uma visão crítica da realidade, uma visão coerente e unitária, que leve em conta a historicidade das relações sociais.
Gramsci estava comprometido com a superação da sociedade capitalista e com a implementação de um novo modelo de sociedade. Embora não defenda que uma educação \u201cdesinteressada\u201d deva aguardar a superação da sociedade capitalista, revela que a condição para a efetiva implementação de uma educação emancipatória está condicionada à superação deste modelo de sociedade que sobrevive à custa da exploração do trabalho.
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A ESCOLA E SUAS MEDIAÇÕES 
Na sociedade capitalista, como também em outras formas de sociedade precedentes, o que impera é a divisão entre aqueles que trabalham e aqueles que vivem no ócio graças ao trabalho alheio. 
Nesse contexto, a escola ocupa um papel de suma importância na sociedade capitalista na medida em que pode contribuir para a formação do aluno trabalhador que interessa ao capital ou pode apontar uma formação \u201comnilateral\u201d de homens capazes de atuarem na superação da sociedade capitalista. 
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