Aula 10
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EDUCAÇÃO E ECONOMIA POLÍTICA
A ESCOLA E A FORMAÇÃO DO HOMEM OMINILATERAL 
CURSO DE PEDAGOGIA \u2013 professora BEATRIZ PINHEIRO
Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2011
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OBJETIVOS
Abordar a dualidade/fragmentação que se estabelecem dentro do sistema social, particularmente nos processos produtivo e educacional;
Analisar como o funcionamento da educação está diretamente ligado ao processo produtivo. 
Identificar o conceito da omnilateralidade opondo-se à unilateralidade
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ESCOLA E O SISTEMA CAPITALISTA
A escola, como aparelho de reprodução do estado, atua como mantenedora da sociedade capitalista. A historia da educação no ocidente e, particularmente na sociedade industrial, está diretamente ligada ao funcionamento da produção capitalista. Seja para os postos \u201cpensantes\u201d, seja para os postos de trabalho \u201cmanuais\u201d, a escola está subordinada aos interesses e às necessidades do modelo de produção e, nesta subordinação, exerce a função de fornecer agentes para a manutenção (ideológica e prática) do sistema.
Apoiada no discurso de oferta de uma educação universal e neutra, capaz de conduzir os alunos à liberdade, à moralidade, ao conhecimento, a escola capitalista cumpre, tanto no campo instrumental quanto ideológico, a função reprodutora da relação de exploração capitalista. 
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ESCOLA E A REPRODUÇÃO DA ORDEM CAPITALISTA
Os vários teóricos da Teoria da Reprodução, em que pese a especificidade das suas formulações, compreendem que a escola cumpre um papel na reprodução das classes sociais: a moldagem de consciências. Postulam para a escola uma participação na construção da ordem social ligada à preparação de tipos diferenciados de subjetividade.
No caso brasileiro, essa reprodução social (separação entre alguns pensantes e muitos trabalhadores) promovida pela escola é operada pela separação entre as chamadas escolas de excelência, que são de difícil ingresso e permanência, e as outras escolas. Esta fragmentação escolar (que repete a dualidade do mundo do trabalho) funciona, pedagogicamente em dois níveis: ao mesmo em tempo que legitima a dualidade, educa para dualidade 
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AS TEORIAS DA REPRODUÇÃO
Baudelot e Establet: a escola contribui para a reprodução das relações de produção capitalistas porque, além de inculcar a ideologia burguesa, separa os indivíduos nas duas redes (PP e SS), contribuindo para a repartição material dos indivíduos, que se escolarizam de modo diferenciado, nas duas classes sociais fundamentais, conforme a divisão social do trabalho.
Bourdieu e Passeron: a escola reproduz as diferentes relações de força material através do uso da violência simbólica. Essa violência simbólica significa a imposição de formas de sentir, pensar, agir e perceber \u2013 de um arbitrário cultural - apresentadas como legítimas, mas que compõem uma cultura (mais próxima da cultura burguesa) voltada para a dissimulação das relações de força material que estão na base da sociedade.
Althusser: a escola é um dos Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), ao lado da família, igrejas, dos meios de comunicação de massa, etc. Os AIEs, ao lado dos Aparelhos Repressivos de Estado (ARE) reproduzem as relações de produção capitalistas. Enquanto os primeiros agem prioritariamente pela ideologia, os AREs agem prioritariamente pela violência. A escola atua na reprodução inculcando \u201csaberes práticos\u201d envolvidos na ideologia dominante.
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A ESCOLA CAPITALISTA SOB O FORDISMO
Durante o predomínio da organização de trabalho fordista, a escola esteve organicamente vinculada às necessidades de formação de mão-de-obra para este paradigma. Formou os trabalhadores que exerciam as funções instrumentais e os indivíduos que exerciam as funções intelectuais da produção, atendendo à lógica da divisão social e técnica do trabalho fordista. 
O ideal do fordismo era a especialização para funções restritas e repetitivas. Logo, no cenário educacional, houve uma demanda em ofertar, para a classe trabalhadora, uma formação primária que enfatizava uma pedagogia voltada para: o disciplinamento, a repetição, a memorização, a padronização das respostas, a fragmentação dos conteúdos, oferecendo aos trabalhadores uma base de qualificação geral e uma visão de mundo adequada à execução de parcelas do processo produtivo. Para as atividades mais específicas da produção, foram oferecidos cursos técnicos de adestramento rígido, que reforçavam ideologicamente o tecnicismo pedagógico.
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A ESCOLA CAPITALISTA NO PADRÃO DE ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL
A escola tem servido, com o avanço tecnológico, para formar mão-de-obra para um modelo que precisa de trabalhadores flexíveis, ágeis e polivalentes. Assim, a educação tem diversificado sua atuação e as escolas de formação geral (e as técnicas também), têm ajustado seus procedimentos para atender a atual demanda calcada no trabalhador polivalente, apto a aprender e a lidar com novos procedimentos e situações. Vive-se o momento no ensino profissional do desenvolvimento de competências, da formação em áreas, para a polivalência, concebida em itinerários formativos.
Esse trabalhador, polivalente e preparado para trabalhar em equipe precisa ter maior domínio intelectual. Aumenta a demanda por ensino médio, que em conjunto com o ensino fundamental, forma a base mínima de escolaridade necessária para atuação profissional na atualidade.
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A ESCOLA CAPITALISTA NO PADRÃO DE ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL
Entretanto, essa formação não é para todos. Num modelo social e econômico excludente como o da atualidade, cinde-se também a educação profissional do trabalhador. Ao lado de uma formação profissional de qualidade, oferecida por escolas e empresas para uma minoria, são oferecidas propostas de educação profissional aligeiradas para a maioria. Porque não se oferece uma formação sólida aos trabalhadores, acaba-se por legitimar a exclusão dos trabalhadores no mercado de trabalho.
Mudou a forma, mas não mudou a essência. Apesar da inclusão e da universalização da educação, a escola ainda é fragmentada e continua formando para a manutenção do sistema de acumulação. 
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A ESCOLA CAPITALISTA NO PADRÃO DE ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL
A desigualdade social continua a manter a dualidade na educação. A elite, que historicamente, está vinculada ao poder, à erudição e ao controle da economia do país, para se perpetuar no lugar de \u2018dominação\u2019, mantem a dualidade educacional viva: viabiliza para seus filhos uma educação com base na formação geral, rica e de qualidade, enquanto para outra parte da sociedade, a educação é aligeirada e voltada para o mundo do trabalho.
Assim, a formação geral e a profissional estão estreitamente ligadas às dinâmicas econômicas e financeiras, sendo que, uma está destinada á minoria e a outra para o restante da sociedade. Ou seja, o que é perseguido na educação profissional, é a formação do sujeito produtivo que reproduz as relações estabelecidas na sociedade 
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A FORMAÇÃO UNILATERAL
A sociedade e a escola formam o homem unilateral (aquele que vai aprender parcialmente procedimentos tecnológicos e, passivamente, atender aos interesses do capital) Ao defender uma educação para o trabalho e que só objetiva a inserção no mercado de trabalho, estamos ampliando a dualidade e a exclusão nas práticas educativas. 
A unilateralidade burguesa se revela de diversas formas. Revela-se por meio do desenvolvimento dos indivíduos em direções específicas; pela especialização da formação; pelo desenvolvimento no plano intelectual ou no plano manual; pela internalização de valores burgueses relacionados à competitividade, ao individualismo, egoísmo, etc. Uma formação de pessoas ajustadas ao modelo sócio-produtivo que, na atualidade, apesar da formação técnica/profissional, não terão a garantia do emprego.
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A FORMAÇÃO QUE DESEJAMOS
Essa realidade e a incerteza sobre as condições de trabalho nos desafiam, enquanto educadores, a refletir sobre a formação humana desejável para que os trabalhadores possam enfrentar as lutas cotidianas