Aula 10
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DisciplinaEducação e Economia Política720 materiais4.872 seguidores
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sem separá-las da totalidade histórica de que são sujeitos.
Sabemos que a educação reproduz a realidade. Sabemos também que uma escola verdadeiramente igualitária só é possível em um novo tipo de sociedade. Mas compreendemos que é possível atuar desde já no sentido de construir a sociedade e a escola que estão no horizonte da nossa utopia.
E é na tradição do pensamento marxista que os educadores vêm buscando a inspiração para pensar a educação na perspectiva do processo de emancipação do homem. 
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A FORMAÇÃO OMNILATERAL
Em sentido contrário a essa formação unilateral, o marxismo nos traz o conceito de formação do omnilateral (aquela que, controlando e integrando, na totalidade, saberes e procedimentos técnico-tecnológicos da concepção e da produção, capacita para que o sujeito atue de forma ativa na sociedade). 
Enquanto a formação unilateral alija o trabalhador dos saberes, a formação omnilateral defende a formação integral dos indivíduos, uma formação para o domínio da ciência, da técnica, da tecnologia, integrando saber geral e profissional e desenvolvendo as potencialidades do sujeito. A integração dos saberes e dos procedimentos técnicos viabiliza o controle dos processos produtivos, que podem deixar de ser um monopólio de um grupo, criando a possibilidade de quebrar a lógica da dominação historicamente construída.
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A FORMAÇÃO OMNILATERAL
A formação omnilateral se propõe a romper com a formação do homem limitado e se opõe à formação unilateral, comprometida como trabalho alienado, com a divisão social do trabalho, e a manutenção das relações de dominação. A formação do sujeito omnilateral supõe a articulação entre educação e trabalho, rompendo com os processos associados à alienação. Alienação que se concretiza na separação e na negação da dimensão educadora existente no trabalho e que cria a dicotomia escola/mundo do trabalho.
O desafio que se coloca para nós educadores, é pensarmos possibilidades de uma educação integrada, que possa romper e superar não só a dualidade sócio-educacional e que, para isso, seja uma prática educacional cidadã, que forme sujeitos ativos, críticos e autônomos.
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O HOMEM OMNILATERAL
O conceito de omnilateralidade estabelece uma relação de correspondência com a idéia da universalidade.
O homem omnilateral não se define pelo que sabe, domina, gosta, conhece, muito menos pelo que possui, mas pela sua ampla abertura e disponibilidade para saber, dominar, gostar, conhecer coisas, pessoas, enfim, realidades diversas. 
É na sua ação sobre o mundo que o homem se afirma como tal, entretanto, ele precisa atuar como um todo sobre o real, com todas as suas faculdades humanas, todo seu potencial e não como ser fragmentado.
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O CONCEITO DE OMNILATERALIDADE
O conceito de omnilateralidade se refere à ruptura com o homem limitado da sociedade capitalista. Essa ruptura deve ser ampla e radical, isto é, deve atingir uma gama muito variada de aspectos da formação do ser social, expressando-se nos campos da moral, da ética, do fazer prático, da criação intelectual, artística, da afetividade, da sensibilidade, da emoção, etc. Entretanto, essa ruptura não implica a compreensão de uma formação de indivíduos geniais, mas de homens que se afirmam historicamente, que se reconhecem mutuamente em sua liberdade e submetem as relações sociais a um controle coletivo, que superam a separação entre trabalho manual e intelectual e, especialmente, superam o individualismo e os preconceitos da vida social burguesa.
A omnilateralidade tem como condição a superação do capital, da alienação e da propriedade privada.
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OMNILATERALIDADE E POLITECNIA
O conceito de omnilateralidade guarda relação com outro conceito marxiano importante para a formação humana, que é o  conceito de politecnia, estratégia marxiana para a educação dos trabalhadores sob o capitalismo.
De acordo com Nogueira (1990, p. 129):
\u201cPara Marx, a educação politécnica não é utopia da criação de um indivíduo ideal, desenvolvido em todas as suas dimensões. Mas é antes, dialeticamente e ao mesmo tempo, uma virtualidade posta pelo desenvolvimento da produção capitalista e um dos fatores em jogo na luta política dos trabalhadores contra a divisão capitalista do trabalho\u201d.
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POLITECNIA
Para Marx, a politecnia era uma forma de confrontar a formação unilateral e os malefícios da divisão do trabalho capitalista. Ela representava a reunião de diversos aspectos que, uma vez associados, significariam uma formação mais elevada dos filhos dos trabalhadores em relação às demais classes sociais. Assim, a experiência do trabalho (em atividades diversas), associada aos estudos dos fundamentos teóricos do trabalho e à formação escolar, e ainda aos exercícios físicos e militares, representariam um salto na formação dos trabalhadores, pois iriam trazer fortes elementos contrários à empobrecedora formação decorrente das condições de trabalho capitalistas.
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OMNILATERALIDADE E A PRÁXIS REVOLUCIONÁRIA
Esses dois conceitos, apesar de apresentarem distinções, se complementam. Politecnia e omnilateralidade são realizações da práxis 
A omnilateralidade é uma busca da práxis revolucionária no presente, embora sua realização plena apenas seja possível com a superação das determinações históricas da sociedade do capital. Porém, de maneira plena, como ruptura ampla e radical, a omnilateralidade só se realiza como práxis social, coletiva e livre, pois depende da universalização das relações não-alienadas entre os indivíduos.
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POLITECNIA E A PRÁXIS REVOLUCIONÁRIA
A politecnia é proposta para se realizar no presente da opressão. A politecnia não almeja alcançar a formação plena do homem livre, mas a formação técnica e política, prática e teórica dos trabalhadores no sentido de elevá-los na busca da sua autotransformação em classe-para-si. Portanto, a politecnia não tem como condição para sua realização a ruptura ou superação das determinações históricas da sociedade capitalista.
A formação politécnica é vista como uma formação capaz de elevar as classes trabalhadoras a um patamar superior de compreensão de sua própria condição social e histórica. 
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POLITECNIA, OMNILATERALIDADE E O PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO HUMANA
Politecnia e omnilateralidade se complementam no processo que vai da formação do sujeito social revolucionário até a consolidação do homem emancipado. 
Se a omnilateralidade como formação plena é impossível \u2013 senão de forma germinal - no seio das relações capitalistas, é precisamente neste momento que a politecnia aparece como proposta de educação de grande importância, até que se consolidem as condições históricas de possibilidade de realização plena da omnilateralidade. A politecnia é a formação dos trabalhadores no âmbito da sociedade capitalista que, unida aos outros elementos da proposta marxiana de educação, deve encontrar o caminho entre a existência alienada e a emancipação humana em que se constrói o homem omnilateral. 
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A ESCOLA ATUAL E A FORMAÇÃO OMNILATERAL
No plano da construção da escola omnilateral, a educação precisará partir da realidade dos sujeitos sociais e não concebê-los em uma ótica individualizada. Mais do que romper com os arbitrários educacionais, os quais são responsáveis por todo o atraso da formação humana, a formação omnilateral representa uma visível exigência pela qualificação da força de trabalho, para a efetivação do processo social e educacional em todas suas dimensões. Tendo o trabalho desalienado como princípio educativo, a escola unitária transcende à promessa da empregabilidade e da formação flexível, almejando um sujeito conscientemente construtor de realidade social. (FRIGOTTO, 2003).
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A ESCOLA ATUAL E A FORMAÇÃO OMNILATERAL
Nessa perspectiva, a escola não deve ser concebida de modo mecânico como mera reprodutora de mão-de-obra para a produção capitalista (ainda que hegemonicamente cumpra esta função). Não deve ser vista também como instrumento de ascensão social, a partir