Revisão para AV2

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DisciplinaEducação e Economia Política720 materiais4.872 seguidores
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mas fazendo todos acreditarem que o aumento dos níveis de escolarização, o esforço individual e o sacrifício garantem uma ascensão profissional e um aumento de renda. A escola fica reduzida a uma dimensão asséptica, separada do político e do social. 
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O CARÁTER IDEOLÓGICO DA TEORIA 
DO CAPITAL HUMANO
É o caráter ideológico da teoria do capital humano que faz com que ela sobreviva até os nossos dias. Certamente a teoria foi bem sucedida na sua intenção de justificar a ordem capitalista, de fazer uma apologia da ordem burguesa, de ocultar a natureza reprodutora da escola capitalista. É fácil mesmo perceber que já faz parte do senso comum acreditar que a educação é fundamental para o desenvolvimento econômico de um país. A teoria do capital humano conferiu à ideologia liberal uma roupagem científica, técnica, e por isso mesmo mais difícil de questionar. Era a legitimidade \u201ccientífica\u201d que lhe faltava...
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FRIGOTTO E A CIRCULARIDADE DA TEORIA
DO CAPITAL HUMANO
A teoria do capital humano afirma que o indivíduo investindo em educação, em capital humano, poderá aumentar sua renda. E como se forma o capital humano? Pelo investimento em escolaridade. O fator humano seria determinado pelo conjunto de anos de escolaridade. Mas o que determina tanto o acesso à escola, quanto o nível escolar e os diferentes tipos de desempenho escolar? Eles são explicados pelos fatores socioeconômicos (família, nutrição, renda familiar, características ambientais, etc).
Assim, de acordo com Frigotto temos uma análise circular. Sob a ótica do capital humano a educação é vista como fator de aumento de renda e mobilidade social. A escolarização é posta pela teoria do capital humano como determinante da renda. Mas sabemos que o acesso à escola, a permanência nela e o desempenho escolar são determinados fundamentalmente pela renda dos indivíduos e outros indicadores que descrevem a situação econômica familiar. 
A teoria do capital humano faz do elemento determinado (educação), o elemento determinante (da renda), invertendo a lógica da análise crítica sobre a relação escola/sociedade e reafirmando a visão liberal da escola
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SE A EDUCAÇÃO NÃO CONTRIBUI PARA O DESENVOLVIMENTO, QUAL SUA RELAÇÃO COM A ECONOMIA?
Frigotto defende a tese de que a prática educativa se relaciona com a estrutura produtiva não de forma imediata, direta, mas de forma MEDIATA. Afirma que a prática educativa realiza diferentes mediações com a estrutura produtiva. A mediação da escola com o processo produtivo se dá, em primeiro lugar, pelo fornecimento de um saber geral, com traços ideológicos, fundamental para criar os trabalhadores com o perfil desejado pelo capital. Além disso, a escola, mediante a criação de centros de excelência, prepara os intelectuais que atuam como trabalhadores improdutivos, mas necessários à realização da mais valia, já que são eles que organizam, planejam, gerenciam e supervisionam a produção. Sua atuação é voltada para maximizar as condições de produção da mais valia.
A escola cumpre também uma função mediadora através de sua INEFICIÊNCIA. Na medida em que a escola oferecida para as classes trabalhadoras é de péssima qualidade, isto é, na medida em que os trabalhadores não têm acesso ao saber acumulado, fracassam e aceitam seu fracasso como sendo de sua responsabilidade, a escola acaba cumprindo uma dupla função na reprodução das relações de produção: 1) justifica a situação de exploração; 2) limita a luta da classe trabalhadora contra o capital. 
Por sua improdutividade, a escola torna-se produtiva ao capital. 
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POR QUE UMA NOVA TEORIA DO CAPITAL HUMANO? 
A teoria do Capital Humano precisa assumir uma nova roupagem com a crise do Bem Estar social e com a ascensão do neoliberalismo. Na atual fase do processo de acumulação capitalista, diante da Reforma do Estado e do novo quadro do mercado de trabalho (marcado pelo desemprego, pelo aumento da informalidade e pela precarização das relações de trabalho), a concepção econômica da educação passa a ganhar novos contornos no discurso do pensamento econômico e educacional oficial, para que seja possível justificar a nova ordem neoliberal. Agora, a discussão sobre a educação é focada na necessidade de formação para o mercado de trabalho, uma formação para a empregabilidade.
Diferentemente da teoria do Capital Humano, a neoteoria do capital humano afirma que um incremento no capital humano individual aumenta as condições de empregabilidade do indivíduo, o que não significa que ele terá um lugar garantido no mercado. Incrementos na educação e formação profissional apenas darão melhores condições de competição na disputa pelos poucos empregos disponíveis 
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A NEOTEORIA DO CAPITAL HUMANO
Com a crise do Bem Estar Social, chega ao fim a promessa integradora da escola, que atribuía ao Estado uma função central no planejamento e implementação das políticas públicas educacionais, atuando no sentido adequar a preparação dos recursos humanos às exigências da conquista de mercados e do bem estar da população. Assim, com a crise do Estado, verifica-se uma mudança no papel econômico da escola. Agora já não é mais possível falar que a escola irá incluir a todos e garantir maior renda individual. Agora só é possível afirmar que maior escolaridade e maior capacitação profissional correspondem, no plano individual, a melhores oportunidades para competir no mercado de trabalho. A educação passa a preparar para as novas características de: desemprego, precarização, informalidade e exclusão do mercado de trabalho. A nova função econômica da educação, a promessa da empregabilidade, tem agora caráter estritamente privado, já que resta ao indivíduo (não sendo mais papel do Estado) definir as opções que lhe ofereçam um melhor lugar no mercado de trabalho.
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A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E MERCADO
DE TRABALHO 
Se antes \u201cera possível\u201d postular um vínculo linear entre educação e mercado, já que o acesso à educação garantiria aos mais capazes melhores posições no mercado (e, conseqüentemente, maior renda individual), agora, a noção de empregabilidade torna a explicação sobre a relação educação/mercado de trabalho duplamente enganosa, uma vez que, embora se continue a postular uma associação direta entre educação e renda, não é mais possível afirmar que a educação garante a inserção no mercado. Só é possível afirmar que a educação pode aumentar as chances de um trabalho remunerado. 
Essa associação oculta as causas estruturais da redução da oferta de empregos, transferindo o problema para a esfera individual do trabalhador.
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O CARÁTER IDEOLÓGICO DO CONCEITO DE EMPREGABILIDADE
É possível afirmar que, quando articulada à educação, a empregabilidade acaba por forjar uma ideologia de passividade, individualismo e competitividade. Não se trata de formar cidadãos que, conscientes de seu direito à renda, ao trabalho e ao emprego, sejam capazes de lutar pela inserção no mercado e pela transformação das relações que produzem uma sociedade desigual e um mercado excludente, mas sim de formar indivíduos passivos, que aceitem a realidade do mercado de trabalho como imutável e entendam a exclusão social e laboral como um fracasso pessoal, resultante de sua incapacidade individual de negociar as competências adquiridas nos processos educativos. 
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A VISÃO NEOLIBERAL DA ESCOLA
Apoiado na neoteoria do capital humano, o neoliberalismo vê a escola em uma perspectiva técnico-científica. Ele não valoriza a formação humanística do indivíduo, mas defende uma formação guiada pela necessidade de mão-de-obra do mercado. Nos discursos neoliberais a educação não é mais reconhecida como integrante do campo social, mas se insere definitivamente no mundo do mercado. O neoliberalismo entende a escola como parte constituinte e importante do mercado, valorizando as técnicas de gerenciamento e reconhecendo que pais e alunos são consumidores do produto educação. Esvazia-se, desse modo, o papel político da educação.
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O DIAGNÓSTICO