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Ebook Ferramentas Digitais Para Jornalistas

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informações 
sobre bases de dados de uso público, governamentais 
e não-governamentais. Ele também inclui recursos 
sobre como investigar empresas e ferramentas 
voltadas para a promoção da transparência na gestão 
dos recursos públicos. 
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capítulo 3
Muitos governos, ONGs e universidades dispõem de bases de dados públicas com informações 
valiosas e atualizadas sobre assuntos de interesse jornalístico. A maioria delas são gratuitas e de 
livre uso. 
Os recursos do governo também oferecem ao repórter uma ampla gama de ferramentas, nem 
sempre exploradas nos sites governamentais. Assim, é essencial dominar a busca avançada de 
documentos em domínios oficiais e a filtragem por domínio. Neste último caso, o Google está 
na dianteira em matéria de recuperação de documentos. 
É necessário conhecer com bastante precisão o que o estado publica na Web, já que muitas 
vezes tendemos a apelar ao discurso de que os governos não fornecem informação pública à 
imprensa, quando, talvez, os dados que você busca podem já estar online.
 
Algo assim aconteceu comigo há vários anos, quando investigava a qualidade do gás natural que 
uma empresa privada (a Camuzzi Gas Pampeana) entregava aos vizinhos da cidade. À agência 
reguladora, ENARGAS, solicitei dados referentes a sanções ou multas contra a empresa. A resposta 
foi que a informação não estava disponível. Foi grande a minha surpresa quando, uma semana depois, 
otimizando uma busca na Web, achei o que procurava no site http://www.enargas.gov.ar
Aparentemente, a URL não mostrava a lista de sanções. Como se pode verificar na barra 
esquerda do site, aparecia apenas um acesso aos estatutos da agência. No entanto, após entrar 
por esse caminho e depois clicar em “Resoluções”, estava lá o detalhe, ano a ano, embora não 
sob a categoria de “sanções” ou “multas”. 
Quando isso acontece e você não sabe o número exato da resolução, uma busca por defeito 
ou determinada pode ajudar. Você deixa em branco a caixa de pesquisa e pede ao sistema que 
mostre todas as informações. 
Veja a tela do exemplo em questão: 
Nesse caso, o resultado é este: 
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Mas, como se observará, seria difícil acessar, uma por uma, as resoluções listadas. Nesse caso, 
quando já sabemos que a informação está disponível, se recorre à pesquisa avançada do Google 
e se busca dentro do domínio, procedendo como na imagem abaixo: 
 
Esta primeira aproximação resulta em algo entre 100 e 200 links, que podem ser ajustados para 
restringir ainda melhor os parâmetros de datas e formatos, ou outros dados que o jornalista 
poderia ter, como nomes ou cidades. Note que, como explicado no primeiro capítulo na janela 
Domínios não entra o WWW. 
Quando não se sabe exatamente o domínio da repartição, pode-se recorrer à extensão do 
domínio, ou, neste caso, 
 .gov.ar 
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Claro, isso aumentará o número de resultados, mas você pode ir refinando a pesquisa, 
conforme mais dados estiverem disponíveis. 
À medida que acumula horas de busca ao longo dos anos, o repórter desenvolve a capacidade 
de “intuir” quais são as rotas mais acessíveis para cada caso. Como eu sempre digo, é uma 
habilidade que não depende de qualquer manual; só se aprende na prática. 
Busca de informações por nome 
Ao pesquisar dentro de um domínio, ou banco de dados, pelo nome de um funcionário, 
organização ou empresa, certifique-se de que todas as opções sejam cobertas na janela da frase 
exata. 
Por exemplo, se você busca informações sobre um José Luis Torres, deve testar estas opções: 
1- José Luis Torres 
2- José L. Torres 
3- José Torres 
4- Torres, José Luis 
5- Torres, Jose L. 
6- Torres, Jose 
Indicadores de transparência para o governo eletrônico
A fiscalização jornalística por meio de técnicas governamentais é um eixo vital para a promoção 
da transparência e governança. 
Os sites governamentais, usando iniciativas de governo eletrônico, podem se tornar ferramentas 
eficazes para: 
1- Aprimorar o acesso à informação. 
2- Favorecer a obtenção de documentos oficiais por parte dos jornalistas. 
3- Promover o controle social e constituir uma ferramenta prática para dar transparência 
a atos de governo. 
 Um estudo com quatro países da América Central, encomendado pela OEA em 2007 
como parte das atividades da Aliança Regional para a Liberdade de Expressão, permitiu 
uma primeira abordagem à concepção de um modelo quantificação das variáveis para 
monitorar sites governamentais. Isso colabora com o trabalho jornalístico e, 
portanto, com o controle social. 
 É preciso destacar que os parâmetros estudados, embora intimamente relacionados, 
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não são idênticos aos usados com frequência no contexto dos projetos de governo 
eletrônico. 
 Nestes casos, há outros padrões de qualidade, pois o objetivo é diferente. Ele atende 
à modernização do Estado, exigindo que esses domínios passem da fase meramente 
informativa à transacional, facilitando atividades que incentivam o comércio, a indústria, o 
pagamento de impostos, etc. 
Algumas variáveis permitem um grau mais alto de acesso à informação pública e estão direta ou 
indiretamente relacionadas com a promoção da transparência. Entre elas se destacam: 
1- Mapa do Site: É essencial para não se perder na página ou portal. O mapa do site é 
como uma bússola no mar. A partir dele, a busca de informações é simplificada. Por isso 
se deve ampliar o acesso a ele.
2- Fonte para Contato: Nomes completos de todos os encarregados, com suas 
respectivas funções na repartição. Isto é muito importante, mas geralmente passa 
despercebido. O trabalho do jornalista vai muito além de obter informações na internet e 
levar os dados ao público. O jornalista deve garantir ao seu público a validade dos dados 
manipulados, por meio de checagem. Também deve garantir a correta interpretação deles, 
o que exige prática e cuidado no ambiente digital. Por isso, sites governamentais deveriam 
conter maneiras identificáveis para confirmar a validade da documentação online. 
Formulários eletrônicos impessoais não são adequados para esta finalidade e, portanto, 
é necessário que o gabinete mantenha à mão uma lista de funcionários, pessoas de 
carne e osso, responsáveis pela informação fornecida online ao repórter. Desconsiderar 
essa exigência seria colocar o repórter na mão das fontes “gerais”, que têm o viés de 
anonimato, impróprios para documentação profissional. 
3- Marco Legal: Esta informação é vital. O caminho de acesso deve ser visível. São leis ou 
decretos que regulam o que faz cada repartição. 
4- Orçamento: É um padrão de qualidade diretamente proporcional à transparência de 
governo. Cada repartição deve mostrar seu orçamento atualizado, discriminado por itens, 
tanto os valores previstos quanto os efetivamente executados, pelo menos em tabela do 
Excel ou Word. Atualizada, essa é uma informação de extrema importância. 
5- Folha de pagamento (documentado): Outro parâmetro de transparência. As faixas 
salariais, bem como dados sobre a quantidade de funcionários públicos, permitem o 
controle social do funcionalismo concursado e em cargos de confiança. Analisar a tabela 
de salários e a lista de funcionários indicados politicamente pode ajudar a mapear o que 
é conhecido como “tráfico de influência”, tema frequente no jornalismo investigativo. 
Geralmente links para os “Portais de Transparência” levam a essas planilhas. Eles devem 
estar visíveis e completos. 
6- Consultas Online: Esta opção aparece quando você pode conferir bases de dados 
públicas de acordo com diversos critérios, como a consulta de atos administrativos. 
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