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sugestões e outros recursos de interesse no campo do jornalismo.
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44Capítulo rEDES SoCIaIS E DIStrIBuIção DE CoNtEÚDo Na WEBAs redes sociais podem contribuir para o trabalho diário do repórter, como demonstramos empiricamente 
aqui. Fornecemos uma extensa lista de aplicativos que 
podem ser úteis para a profissão jornalística, cada um 
com sua respectiva descrição. 
REDES SOCIaIS E DIStRIBuIçãO DE CONtEÚDO Na WEB
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capítulo 4
Se na Web 1.0 a informação era entregue como um “pacote fechado” para simples leitura e 
o feedback com o autor era apenas por e-mail, a Web 2.0 marcou a quebra dessa tendência. 
O ponto decisivo foi a aparição das chamadas redes sociais. Com os serviços online 
do YouTube (www.youtube.com), do Flickr (www.flickr.com), e do SlideShare (www.
slideshare.net), os usuários começaram a gerar conteúdo. No primeiro caso, com vídeos; 
no segundo, com fotografias; no terceiro, com apresentações do PowerPoint. Hoje, eles se 
expandiram: o YouTube também permite carregar formatos de áudio, o Flickr disponibiliza 
vídeos e o SlideShare abriga arquivos em PDF. 
Essas plataformas servem para armazenar documentos em formatos diferentes, mas também 
permitem a comunicação entre os usuários, a publicação de comentários, a formação de grupos 
e todas as aplicações que permitem a criação de redes sociais, conectando pessoas comuns 
com interesses comuns. O conteúdo da Web “se socializou” e deixou de ser monopólio dos 
meios de comunicação. Os cidadãos se integraram a essas plataformas por meio de uma 
simples inscrição por e-mail.
Algumas mudanças que afetaram o cenário midiático podem ser resumidas nestes tópicos:
1- Os meios de comunicação foram criados para sobreviver em um ambiente de escassez 
de informações, não para a “super-abundância” de informação.
2- O cérebro humano está mudando; são desenvolvidas novas habilidades, como a visão na 
tela, e novas destrezas, como a leitura de URLs.
3- No passado, os proprietários de meios de comunicação tinham o controle total do 
conteúdo que chegava ao público. Agora esse poder é compartilhado com os cidadãos. 
Pessoas com interesses comuns se organizam em redes. Em meio ao caos, a mídia parece 
estar perdendo poder e controle.
4- A publicidade está deixando de ser uma condicionante do conteúdo, embora o problema 
persista. É por isso que os jornalistas independentes se lançaram a contar histórias em 
blogs e websites, com uma forte presença nas redes sociais, onde têm contato direto 
com seus seguidores, amigos e contatos. Um cenário antes impensável é claramente 
visível hoje: não há como abrandar, atenuar, nem mesmo cogitar a hipótese 
de esconder as notícias de interesse social. O conteúdo que as pessoas comuns 
considerarem conveniente compartilhar será difundido através das redes sociais: vídeos, 
fotos, informações.
5- O uso de telefones celulares mudou a maneira de transmitir dados, 
elementos fundamentais na preparação de uma reportagem.
6- O jornalismo perde a centralidade. Durante o último Fórum de Austin (*), realizado em 
setembro de 2009 no campus da Universidade do Texas e organizado pelo Centro Knight 
(**), o seu diretor, Rosental Alves (***), disse que o que antes era conhecido como Mass 
Media agora está evoluindo e se adaptando ao novo ecossistema emergente.
REDES SOCIaIS E DIStRIBuIçãO DE CONtEÚDO Na WEB
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Facebook
www.facebook.com
O Facebook é uma caixinha de surpresas. Você nunca sabe qual grupo ou pessoa irá encontrar. 
Pessoalmente, tive experiências muito agradáveis desde que entrei nessa rede: www.facebook.
com/sandracrucianelli
Recebi a adesão de pessoas que leem minhas reportagens ou acompanham o meu trabalho na 
televisão, mas também de gente que não via desde a minha infância e adolescência, amigas que 
se mudaram para outro país e até das minhas professoras do ensino fundamental, das quais não 
tinha notícias há mais de 30 anos.
Ter amigos no Facebook é uma tendência indiscutível. Mas muitos jornalistas ainda não 
enxergam as vantagens da nossa presença nesse tipo de rede. O primeiro ponto a favor que 
resgato é a interação com o público: acredito que isso tem um efeito maravilhoso para qualquer 
jornalista. Os leitores, ouvintes, telespectadores, deixam de ser anônimos e tornam-se pessoas 
de carne e osso, com as quais podemos nos comunicar em tempo real.
Além disso, a presença de jornalistas nesta rede social provoca um impacto direto no trabalho 
cotidiano, não só porque dentro do Facebook podemos encontrar fontes de consulta 
interessantes, mas também porque o conteúdo de outros usuários pode ser fonte de 
informações.
Dentro da rede, as pessoas se organizam. Existem páginas pessoais, mas também de ONGs, 
empresas, políticos, empresas de comunicação, sem distinção: lá estão The New York Times 
(www.facebook.com/NYTimes) mas também aqueles meios pequenos ou locais como é o caso 
do Solo Local (www.facebook.com/sololocal).
No entanto, parece que pelo menos em alguns casos os jornalistas conseguem mais adesões 
que os meios de comunicação onde trabalham. No meu caso, a página no Facebook do Solo 
Local mal superou 200 seguidores, mas a minha página pessoal ultrapassou as 1.100 adesões 
em 6 meses. Outros jornalistas de outras partes do mundo também relatam isso: as pessoas 
parecem mais dispostas a se comunicar com as pessoas do que com as marcas.
REDES SOCIaIS E DIStRIBuIçãO DE CONtEÚDO Na WEB
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capítulo 4
Na verdade, o número de seguidores não importa tanto quanto o grau de interação entre 
os membros. Do que adiantaria ter 30.000 seguidores no Facebook se eles nunca interagem 
entre si? É melhor, nesse caso, fazer parte de uma pequena comunidade, mas com níveis mais 
elevados de comunicação interna entre seus membros.
Os meios de comunicação tradicionais deveriam prestar mais atenção ao que acontece 
nas redes sociais como o Facebook e o Orkut, popular no Brasil. As pessoas manifestam a 
necessidade de protestar contra a injustiça ou a favor de causas nobres: o conteúdo, incluindo 
o que está dentro de redes sociais, é como pão quente para os jornalistas. Por exemplo, 
a Marcha Mundial pela Paz (http://www.theworldmarch.org) surgiu com o Mundo 
Sem Guerras (http://www.mundosinguerras.org), organização internacional apoiada pelo 
Movimento Humanista, que trabalha há 15 anos com pacifismo e não-violência. Para a 
convocação foram usados diversos canais de comunicação, e um dos mais importantes foi o 
Facebook.
No link http://www.theworldmarch.org/index.php?secc=link&orden=&quelink=FBK está a lista 
completa dos grupos que organizaram a iniciativa na rede social, em diferentes países. E foi um 
sucesso: há milhares de seguidores ao redor do mundo. A marcha começou em outubro de 
2009, na Nova Zelândia, passou pelo Brasil dois meses depois e chegou à Argentina em janeiro 
de 2010.
O impacto das redes sociais não ocorre apenas no âmbito das organizações internacionais ou 
nas principais cidades do mundo. Mesmo em pequenos povoados ou cidades de médio porte, 
os usuários da rede social manifestam a mesma tendência. Em novembro de 2009, uma seca 
inédita no sudoeste da província de Buenos Aires atingiu várias cidades, incluindo Bahia Blanca, 
que ficou à beira da escassez de água potável. Um mês antes, em outubro, vários grupos haviam 
se organizado no Facebook para exigir soluções para o problema e um deles tem, até hoje, mais 
de 20.000 membros, ainda que a cidade tenha 300.000 habitantes.
Um dos primeiros grupos organizados por um jovem bahiense foi este:
http://www.facebook.com/group.php?gid=160263506871 Depois, o movimento deu 
origem a grupos semelhantes, como pode ser visto aqui: http://www.facebook.com/group.
php?gid=171718296471
Eles conseguiram mobilizar os cidadãos e também cobrar as autoridades locais, a ponto de 
apresentar um recurso de amparo à Justiça