A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
183 pág.
Ebook Ferramentas Digitais Para Jornalistas

Pré-visualização | Página 5 de 43

mapa de estrada (o equivalente na Web é o 
mapa do site), provavelmente vai se perder e talvez nunca chegue ao seu destino.
À medida que um repórter começa a usar as ferramentas digitais com frequência e se 
familiariza o bastante com o uso da Web, vai desenvolvendo habilidades que podem 
surpreendê-lo.
Alguns argumentam que o cérebro está evoluindo graças às buscas sistemáticas na Web. 
Diferentes estudos científicos afirmam que as buscas na rede estimulam centros do cérebro 
que controlam a tomada de decisões e o raciocínio complexo (**).
Deixe-me ilustrar este fenômeno: quando comecei a usar a Internet no meu trabalho diário, 
no início dos anos 90, usava buscadores como o HotBot (www.hotbot.com), porque naquele 
tempo não existia o Google (www.google.com). A busca, generalizada e sem muito foco 
no particular, fazia com que o resultado fosse uma extensa lista de links. Eles tinham de ser 
abertos um por um, para depois ver o conteúdo e finalmente decidir se eles se ajustavam às 
expectativas. Isso exigia um tempo enorme e o resultado quase sempre era o fracasso.
Com o passar do tempo, vão sendo desenvolvidas habilidades para que, ao ajustar 
adequadamente os parâmetros da busca avançada, a lista de resultados não traga mais de 50 
links, se a tarefa foi feita com perícia. Mesmo assim, é um número alto para abrir cada recurso e 
avaliá-lo, ainda que superficialmente. Levaria muito tempo, e é justamente o que os repórteres 
não têm – quase sempre corremos contra o relógio.
No entanto, conforme se adquire experiência, você obtém uma capacidade surpreendente: a 
de interpretar a descrição dos domínios para saber quais não precisa abrir, já que pode deduzir, 
intuitivamente, o que está por trás de cada um. A capacidade de “ler links” ou “ler resultados de 
busca” sem abrir sites exige muita prática individual e horas atrás da tela, mas um repórter com 
experiência nessa arte poderia analisar até 1.000 links em menos de 20 minutos, abrindo no 
máximo 3 ou 4, para finalmente encontrar o documento que procura.
INtRODuçãO
• • • 14 • • •
Para atingir este objetivo, é necessário um fator indispensável: a perseverança. Essa atitude 
implica um trabalho sistemático ao longo do tempo e, obviamente, exige um esforço enorme. 
Nenhum conjunto de recursos digitais transforma um jornalista num “guru” de pesquisas online, 
capaz de encontrar furos todo dia, em poucos minutos. Isso é utopia, principalmente porque 
trabalhar online é como mirar num alvo móvel.
Por outro lado, num cenário tão dinâmico como o da Web, nunca deixamos de aprender e a 
velocidade com que aparecem novas e mais complexas ferramentas digitais supera amplamente 
nossa capacidade de descobri-las e assimilá-las. Não obstante, um bom conjunto de recursos e 
fontes digitais confiáveis pode fazer uma grande diferença na qualidade do nosso trabalho.
Provavelmente, será preciso praticar e repetir muito, mas sem dúvida a informação que 
compartilho aqui destina-se a ajudar a encontrar com maior precisão os materiais que se busca 
online, bem como analisá-los e processá-los. Com isso, o seu “tempo de otimização” dessa tarefa 
poderá ser muito menor do que o dos jornalistas da década passada, que não tinham muitos 
guias para lhes mostrar o caminho.
 (*) Sobre John Stuart Mill: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Stuart_Mill 
 (**) Study finds that searching the Internet increases brain function: 
http://newsroom.ucla.edu/portal/ucla/ucla-study-finds-that-searching-
64348.aspx
• • • 15 • • •
11Capítulo BuSCa Na WEB As técnicas de recuperação de documentos permitem ter acesso a informações acadêmicas e livros online 
e a buscas em profundidade na Web Invisível. Os 
segredos do Google, o rastreio de informação por 
formato, o recorte de domínios e a leitura de links são 
algumas das técnicas explicadas em detalhes. Também 
se oferece uma longa lista de ferramentas úteis, não 
só para procurar textos, mas também para explorar 
outros formatos, como os visuais.
BuSCa Na WEB 
• • • 16 • • •
capítulo 1
A Internet chamou minha atenção desde o momento que eu soube da sua existência, e isso 
está absolutamente ligado à minha paixão pela descoberta.
Encontrar informações desconhecidas e poder usá-las como apoio para documentar uma 
reportagem, devo confessar, é uma tarefa que marcou meus 30 anos de trabalho como jornalista.
As potencialidades cada vez maiores da Web e o surgimento de ferramentas digitais úteis ao 
jornalismo tornaram possível que, usando mais a força de vontade do que recursos financeiros, 
não apenas se faça descobertas isoladas como também se crie um meio de comunicação digital 
com esta marca: a de trazer informações não conhecidas, não divulgadas, submersas nas 
entranhas da Web como se estivessem esperando para ser expostas à luz da opinião pública.
Com essa ideia em mente, um pequeno grupo de jornalistas de Bahia Blanca, na Argentina, 
pôs na internet o SoloLocal.Info, (*) website hiperlocal em que fazemos uma busca diária 
na Web usando alguns parâmetros-padrão atualizados ao longo do tempo. A ideia é publicar 
conteúdos que consideramos de interesse social, “construídos” com base nos resultados das 
buscas diárias e sistemáticas. Exceto pelas notícias enviadas pelos usuários e pelos artigos 
opinativos, tudo o que é publicado foi baseado em fontes digitais.
Muitas vezes, o post remete a um só link, como geralmente publicamos na seção Acadêmicos. 
Mas a tarefa não se esgota no simples método de noticiar links, colocando-os no contexto local. 
A recuperação digital de um documento também nos serve de base para a busca de outros, 
através dos quais se pode processar os dados para finalmente lhes dar significado jornalístico.
O projeto surgiu quando percebemos que uma boa quantidade de informações interessantes 
não chegavam às redações convencionais.
Os anos anteriores ao lançamento do projeto exigiam provas e contraprovas para demonstrar 
que, com pelo menos 3 horas de monitoramento online por dia, poderíamos ter uma notícia 
publicável a cada 24 horas. O monitoramento não serve apenas à seção “Notícias”, mas também 
alimenta um centro de recursos digitais voltados à comunidade da cidade de Bahía Blanca, 
incluindo uma compilação de blogs, que é a nossa seção mais consultada.
Desde a inauguração na web até agora, temos usado uma grande quantidade de recursos de 
diferentes tipos.
Na esperança de que algum dia as lições aprendidas possam ser de ajuda a outros colegas, 
armazenamos um conjunto de ferramentas que, em algum momento, nos foram úteis. De 
todas elas, os elementos utilizados no que se conhece como busca contínua são talvez a mais 
importante de todas.
BuSCa Na WEB 
• • • 17 • • •
capítulo 1
Muitos me perguntam se a busca é um método. Acho que não. Se fosse um método, poderia 
ser descrita e reproduzida da mesma maneira por outros, com resultados semelhantes.
Isso poderia acontecer somente se houvessem as mesmas condições de abordagem, basicamente 
uma equipe predisposta e suficientes informações locais em formato digital, o que nem sempre 
ocorre. Além disso, a busca diária que fazemos está em mudança permanente. É como preparar 
a mesma receita com os mesmos ingredientes todo dia, só que, além dos básicos, outros são 
adicionados todo dia, sempre diferentes. Dessa estranha combinação, que muitas vezes nos 
surpreende, surgem novas notícias todos os dias. À medida em que a dinâmica e a natureza da 
indexação dos buscadores vai sendo modificada – para melhor ou para pior –, é preciso analisar o 
caminho pré-definido e provavelmente reformulá-lo e tomar outro.
Acredito que a busca é uma atitude, profundamente marcada pelo uso do ambiente digital, 
mas dominada pela resistência em crer que um dia não encontraremos nada novo. A atitude, 
se não esmorecer com o tempo, pode ser replicada com os mesmos ou melhores resultados, 
que muitas vezes dependem