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talvez, apresentar 
ideias em um novo contexto de produção noticiosa. Na BarCamp difundida 
em 2005, nos EUA, e em 2006, no Brasil, os integrantes interagem e se 
informam em listas de discussão. Na “BarCamp jornalística” somente o bom 
senso é o limite, o resto fica por conta das redes sociais e portais 
jornalísticos. 
 
Todo o processo de contato e gerenciamento pré-BarCamp é feito online, o 
que projeta uma luz de como o jornalismo pode agir no futuro. Colaboração 
e gerenciamento totalmente através da web, com múltiplos dedos e opiniões 
já são realidade. O que deve ser analisado e estudado é qual a maneira que 
possuíamos para reestruturarmos a nossa própria estrutura, provando que a 
revolução da comunicação digital não vai matar o jornalismo propriamente 
dito, mas sim o preconceito que a própria sociedade detinha com quem 
produzia notícia, ou seja, o jornalismo tradicional foi obrigado a reformular 
suas áreas não porque era ineficiente, mas porque, de uma vez por todas, a 
sociedade despertou novos hábitos e viu o quão fundamental é a sua 
participação direta na produção de conteúdo informacional e jornalístico. O 
mote, agora, é fazer parte não só dos resultados finais, mas participar, 
também, de todo o processo de criação. 
 
 
 
 
 
BarCamp e jornalismo consistem na formulação de um novo conceito: o 
jornalismo comum morreu. O que temos hoje é a mais pura forma do 
jornalismo digital, o jornalismo que é feito através de recursos não 
analógicos para sua difusão em diversas plataformas e formatos de mídia, 
projetando um jornalismo essencialmente multimídia que nunca esteve tão 
aberto, não hierárquico e, principalmente, que nunca permaneceu tão 
online. 
 
O autor: 
Cleyton Torres é jornalista e blogueiro. Pós-graduando em História, também é pós-
graduado em Comunicação, com ênfase em Assessoria de Imprensa, Gestão da 
Comunicação e Marketing. É pesquisador de novas tecnologias, web 2.0, comunicação, 
mídia e jornalismo digital. É editor do Blog Mídia8! 
 
Twitter: @midia8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Por Marcelo Costa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 tags: blog, blogosfera, DIY 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O fanzine, uma revista (magazine) feita por um fã, surgiu no começou do 
século 20 tratando primeiramente de quadrinhos e ficção cientifica, mas sua 
popularização se deu no auge do movimento punk, época em que alguns 
jovens encontraram na folha de papel em branco um espaço importante para 
conversar com o mundo. E começou assim: fanzines mimeografados sobre 
música, que usavam a colagem como ferramenta e a criatividade como forma 
de arte. Eram distribuídos em shows, em locais de interesse comum (lojas, 
feiras, praças) ou mesmo enviados por correio criando uma rede de contato 
que se fortaleceu com o passar dos anos devido à divulgação boca a boca. 
 
Porém, apesar de ainda hoje existirem vários fanzines de papel, o modelo viu 
seu espaço amplificado com o surgimento da internet, no geral, e dos blogs, 
em particular. No começo do século 21, dezenas de webzines (fanzines de 
internet) tomaram a rede difundindo informação. Eram revistas eletrônicas 
tentando abraçar várias áreas da cultura. O cenário agora parece mudado. A 
quantidade de webzines diminuiu, e a de blogs temáticos aumentou. Os 
blogs, que começaram sua história como um diário pessoal de cada pessoa 
(que usava a página em branco do Word para falar de acontecimentos do 
dia-a-dia), passaram a ter um direcionamento, e assim como um fanzineiro, 
os blogueiros passaram a usar as novas ferramentas de blogs para se dedicar 
a um assunto especifico. A pessoa deixa de escrever de acontecimentos do 
dia-a-dia (ou até escreve, mas em menores fluxos) e se dedica a refletir 
alguma paixão sua – exercendo a função de fã. Assim surgem os blogs 
temáticos que, num olhar mais profundo, começam a ocupar o espaço que 
era do fanzine, ou melhor, passam a ser o novo fanzine. 
 
 
 
 
A pessoa usa aquele espaço para falar de algo que é fã, que admira. E na 
página em branco do Word começam a ser discutidas novas idéias, que 
podem abarcar o triunvirato da cultura jornalística (cinema, música, 
literatura), e se expandir para lugares sem nenhum controle. Uma pesquisa 
pelo Google pode nos dar uma pequena idéia da amplitude do alcance dos 
blogs: existem blogs dedicados à boneca Barbie, a moedas mundiais, a poesia 
parnasiana e a novelas mexicanas. Dezenas de blogueiros analisam corridas 
de automobilismo (com a Fórmula 1 sendo o tema da maioria, mas ainda há 
espaço para motos e outras categorias), quadrinhos, séries de TV, política 
(interessantíssimos em período de eleição), gastronomia (que além de 
receitas de pratos traz análises de restaurantes com boas dicas) e 
arquitetura. Três dos temas do momento parecem ser Moda, Cerveja e 
Viagens. A pessoa abre uma conta em um blog, por exemplo, para relatar 
suas experiências na Europa. É a folha em branco sendo usada como veiculo 
de comunicação com o mundo. 
 
Antes era uma folha em papel. Agora é uma folha numa tela de computador 
que assim que transposta para o blog coloca a pessoa em contato com o 
mundo. O correio foi e ainda é fundamental na divulgação do fanzine em 
papel, na comunicação entre leitor e fanzineiro. O blog, por sua vez, 
aproxima ainda mais o leitor do blogueiro (o novo fanzineiro) através da caixa 
de comentários, um espaço democrático usado tanto para críticas como para 
perguntas e/ou complementos ao assunto discutido. É uma nova realidade, 
uma nova forma de se comunicar. Ou, como diria uma antiga propaganda: o 
mundo a um toque do mouse. Mesmo. 
 
 
 
 
 
 
O autor: 
Marcelo Costa é um leonino do segundo decanato com ascendente em touro 
apaixonado por cervejas belgas, cachaças mineiras, picanha ao ponto, mixto 
quente com salada e bacon, pipoca do Cinemark e tortinhas de morango. 
Editor do Scream & Yell, coordenador de capa do iG, DJ eventual, cozinheiro 
de fim de semana e centroavante nos moldes do grande Geraldão. Escreve 
sobre romances e cultura pop. 
 
Twitter: @screamyell 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 EEE MMMOOOVVVIIIMMMEEENNNTTTOOOSSS::: 
 O DESAFIO DA VISIBILIDADE PÚBLICA 
 
 
 
 Por Michelle Prazeres 
 
 
 
 
 
 
 
 tags: ass. de comunicação, jornalismo cidadão 
 
 
 
 
 
 
 
 
O trabalho de jornalistas (eu prefiro o termo mais amplo, comunicadores) em 
organizações da sociedade civil e nos movimentos sociais é uma novidade 
dentro das próprias organizações, na política e no campo de trabalho dos 
comunicadores sociais. Isso vale tanto para aqueles que querem ingressar 
nesta carreira, quanto para aqueles que, em redações, passam a ter nestes 
sujeitos políticos “novas” fontes de informação. 
 
Isso se dá, porque estas organizações - ainda que atuantes no Brasil desde a 
década de 60 – passam a fazer parte do cenário político nacional e 
internacional a partir da década de 70, com o crescimento e fortalecimento 
do número de entidades e também com a redemocratização do país e com a 
possibilidade de se afirmarem enquanto sujeitos políticos. 
 
Ou seja, as organizações, enquanto setor da sociedade, passaram da