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escrita), e 
de que, gradativamente, vamos retomar o melhor da discussão de ideias e, 
voilà, do ensaísmo. Montaigne, se conhecesse a Grande Rede, talvez se 
assustasse com ela, com a sua multiplicidade de vozes, preferindo a quietude 
de sua biblioteca inesquecível. Mas se é, igualmente, certo que as bibliotecas 
estão, progressivamente, migrando para a Web, será apenas uma questão de 
tempo até surgir... o Montaigne da internet. 
 
E o ensaísmo fechará mais um ciclo. ;-) 
 
O autor: 
Julio Daio Borges é editor do site Digestivo Cultural. 
Twitter:@jdborges 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Por Ana Brambilla 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 tag: Jornalismo Cidadão,Jornalismo Colaborativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Every citizen is a reporter.” Com esse slogan, o noticiário sul-coreano 
OhmyNews foi concebido em fevereiro de 2000 como um divisor de águas no 
jornalismo digital. A quebra do paradigma do jornalista como “detentor do 
lugar de fala” ofereceu ao cidadão leigo (sem conhecimentos de jornalismo) 
toda a engrenagem jornalística para dar aval à sua história: redação com 
editores em Seul para apurar informações vindas do mundo todo e o aval de 
uma marca de imprensa transformariam um simples relato do acidente da 
esquina em fato jornalístico. 
 
 Assim, o jornalismo colaborativo (open source, participativo, cidadão...) vem 
sendo adotado por mais e mais veículos (da grande mídia ou especialmente 
criados para este fim). Pesquisa do Biving Groups com sites de jornais 
americanos mostrou que, em 2008, 58% das marcas já abriram espaço para 
UGC (user generated content). Hoje há correntes fortes de jornalismo 
colaborativo no Chile, Estados Unidos, Espanha, França, Itália, para citar 
alguns. É possível encontrar iniciativas semelhantes no Sri Lanka, Nova 
Zelândia, Iraque, Filipinas e Israel. No Brasil, veículos que se consolidaram no 
modelo de mídia de massa (unidirecional, onde somente o jornalista fala e o 
público escuta) lançam seus “braços colaborativos”, a exemplo do Eu 
Repórter (O Globo), VC Repórter (Terra), Minha Notícia (iG), VCnoG1 (G1), 
Leitor Repórter (Zero Hora e Jornal do Brasil), Meu JC (Jornal do Commercio - 
PE). 
 
Os tipos de conteúdo requisitados ao grande público e veiculados nestes 
espaços variam drasticamente: vão de fotos de casamento a denúncias de 
má administração pública. A falta de um modelo ocasionada pela novidade 
 
 
 
 
da prática flexibiliza a proposta editorial de cada veículo. No entanto, todos 
já concordam com uma premissa: o filtro da redação. 
 
Alvo de acusações de uma provável “censura”, a triagem de editores 
profissionais sobre o material submetido pelo público se torna necessária à 
medida em que tais espaços se propõem “jornalísticos”. Para tanto, o 
compromisso com a realidade ainda se sustenta. Realidade esta que se torna 
mais viável após processos de checagem de fatos, eventual correção de 
dados e adequação a uma linguagem de fácil compreensão. Este é o trabalho 
desenvolvido por jornalistas profissionais em processos colaborativos e que 
distinguem o conteúdo publicado nestes ambientes do material levado a 
público em plataformas abertas como YouTube, Wikipedia, Flickr e grande 
parte da blogosfera. É aí que se diferencia jornalismo colaborativo de 
conteúdo colaborativo. 
 
A curta trajetória e o caráter experimental das práticas colaborativas no 
jornalismo ainda deixam pontos a ser explorados e aprimorados. Com grande 
apelo à publicação de matérias, os braços colaborativos de grandes veículos 
pecam ao desconsiderar a importância de seus conteúdos. São raros os 
internautas que lêem as notícias produzidas por outros internautas. E por 
quê? A falta de destaque editorial pode estar entre as razões, mas 
certamente não encerra a escuridão onde o conteúdo produzido pelo público 
cai uma vez que é publicado. 
 
Outra hipótese seria uma relação equivocada entre a abrangência (nacional) 
destes veículos e a relevância (hiperlocal) dos fatos ali relatados pelos 
cidadãos repórteres. 
 
 
 
 
Rede é nicho e veículos consagrados em cobrir acontecimentos de grande 
repercussão certamente não serão lembrados por moradores de pequenas 
comunidades em busca de informações que interferem diretamente no seu 
dia-a-dia. Esta é a noção de “village reporter”, desenvolvida por Oh Yeon Ho, 
fundador do OhmyNews. 
 
Em locais afastados dos grandes centros urbanos, antenas parabólicas em 
sítios de beira de estrada mantêm os moradores informados sobre as guerras 
no oriente médio e as variações na bolsa de valores. Porém, o 
desmoronamento de uma parede de rochas no caminho à cidade e a chegada 
de vacinas contra febre amarela no posto de saúde a 25km dali passam ao 
largo destes noticiários. 
 
É aí que entra em cena o jornalismo colaborativo, um terreno fértil de 
experimentações e benefícios comuns. 
 
* Originalmente publicado no e-book “Para Entender a Internet”. 
 
 
O autor: 
 
Ana Brambilla é jornalista e mestre em comunicação, com ênfase em práticas 
colaborativas. É coordenadora de Social Media do porta Terra e owner do 
blog Libellus ( http://www.anabrambilla.com ) 
 
Twitter: @anabrambilla 
 
 
 
 
 
 
 
 
 JJJOOORRRNNNAAALLLIIISSSMMMOOO ÉÉÉ 
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 Por Leonardo Foletto e 
 Marcelo De Franceschi 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 tags: Convergência, Cultura Remix 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A tal da recombinação não é nenhuma novidade, muito menos no 
jornalismo. Tanto nas técnicas empregadas quanto na dita produção de seu 
conteúdo, o processo jornalístico se caracteriza por ser múltiplo e 
heterogêneo. Um sem número de produções, sejam elas grandes 
reportagens ou pequenas notícias, já foram feitas tendo como base estudos e 
pesquisas realizadas nos mais diversos campos do saber. Ou seja, 
apresentações de novas informações, decorridas das transformações 
naturais, reajustadas às informações previamente existentes. 
 
Como diz Nilson Lage, professor aposentado da UFSC e das figuras que mais 
entendem de jornalismo nesse país, a própria natureza do jornalismo requer 
recombinação. “Vejo o campo jornalístico como um campo próprio para a 
reutilização de conhecimentos de outros campos. Ele toma das ciências o que 
lhe convém”, disse o mestre em seu twitter (que vale e muito a pena 
acompanhar, www.twitter.com/nilsonlage). O jornalismo, comumente um 
saber do imediato e do singular, não tem condições de usar, de maneira 
aprofundada, o vasto e atemporal conhecimento das ciências. O tempo em 
que ele é praticado não permite essa extravagância, por assim dizer, muito 
embora deva se buscar ao máximo esse objetivo sempre que for possível. 
 
O jornalismo toma das ciências aquilo que lhe é possível aplicar no tempo em 
que é feito. E esse possível é nada mais que uma pequeníssima parcela da 
filosofia aqui, uma outra da lingüística ali, um tantinho da lógica, outro tento 
de história e uma parcelinha de geografia (outras áreas podem ser utilizadas, 
a depender do assunto tratado; essas são as mais comuns). É do “remix” dos 
prévios conhecimentos dessas áreas combinados com a matéria-prima da 
 
 
 
 
qual vive o jornalista – a informação da atualidade - que vai ser produzido