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oficial de iPads 
em países como Brasil, China, Índia e Rússia. Calcula-se que mil brasileiros viajantes 
tenham um iPad, número talvez maior que o de usuários do Kindle, e-reader criado pela 
Amazon (a primeira geração chegou ao mercado americano em novembro de 2007). 
Mas o Kindle levou um ano para atingir a marca de um milhão de unidades vendidas. 
Há uma explicação plausível: o Kindle DX (terceira geração), com tela em preto-e-branco, 
talvez satisfaça o desejo de leitura de livros digitais com foco em texto, não tanto em 
imagens e movimentos. Mas, para quem não abre mão de “uma experiência mais 
completa” – como dizem os estrategistas – um tablet como o iPad é irresistível; e o preço 
também atrai: a versão mais barata custa US$ 499, mais ou menos o mesmo que o 
Kindle DX (US$ 480). 
 
 
 
 
 
 
 
E-readers X tablets 
 
A principal diferença entre um e-reader e um tablet é exatamente esta: o e-reader é um 
leitor eletrônico, enquanto o tablet é multimídia. Os dois conceitos não são 
necessariamente excludentes. Se a expectativa de queda de preço nos próximos anos se 
confirmar, poderá haver público para ambos. Mas o design e a interatividade dos dois 
ainda estão distantes do ideal. 
 
“Aparelhos que não permitem acesso fácil à internet, seja e-reader ou tablet, não têm 
chance de sucesso. A gente espera estar conectado. Afinal, as nossas transações 
dependem disso”, sublinha Roger Fidler, da Universidade de Missouri, que trabalha com 
protótipos de novas mídias desde os anos 1970. Para ele, contudo, os leitores portáteis 
continuam sendo lanche e as mídias impressas, o jantar. 
Fidler e outros pesquisadores de designs interativos para tablets estão avaliando o 
espectro comportamental dos potenciais usuários dessas devices. É o mesmo processo 
que entreteve os designers do iPhone, que previram as ações das pessoas diante da 
pequena tela de um aparelhinho multifunções cabível no bolso da camisa. 
 
Em tablets como o iPad, menor que uma folha A4 e com tela sensível ao toque (na 
vertical ou na horizontal), pode-se navegar na web, assistir a filmes, divertir-se com 
games, interagir com anúncios de produtos e serviços (fazer uma reserva instantânea no 
restaurante exibido no anúncio) e ler livros, revistas e jornais. 
 
Com os próprios dedos o leitor seleciona matérias, vira páginas, toca na foto de um 
jogador comemorando um gol e em seguida acompanha a jogada inteira do gol. Deitado 
numa rede ou na areia da praia, o usuário atinge facilmente a página de esportes, a de 
reportagens especiais, as histórias em quadrinhos e pode até fazer as palavras cruzadas. 
 
 
 
 
Desafio para os jornais 
 
Essa nova experiência de interação criada pela Apple é no mínimo um capítulo novo no 
processo de integração multiplataformas, que já está sendo explorado por jornais 
brasileiros. O iPad representa também um grande avanço em relação aos smartphones. 
Com essa bela tacada de marketing, o futurista Steve Jobs sacudiu o mercado editorial 
como um todo. 
 
“O desafio é usar os e-readers e tablets para vender conteúdos, evitando os ‘erros’ 
cometidos com a migração para a web. Os efeitos da gratuidade ainda assombram”, 
alerta Kerry Northrup, da Western Kentucky University. Northrup esteve em São Paulo 
para evento da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). “Não permita que 
essas novas mídias pautem toda a sua estratégia empresarial.” 
 
Northrup foi um dos protagonistas do projeto Newsplex de convergência multimídia da 
Universidade da Carolina do Sul. Na visão dele, os jornais têm de entregar seus 
conteúdos com competência, independentemente de os aparelhos estarem fixos ou 
móveis, de serem pesados ou leves. “O problema central continua: fazer jornalismo de 
qualidade”, enfatiza. 
 
“Pensem em maneiras diversas de narrar uma história (talvez a mesma história) em 
vários formatos, pinçando o que há de melhor na apuração e adaptando cada parte ao 
formato de entrega mais adequado. O que fica melhor em vídeo? O que fica melhor 
online? O que fica melhor no papel? Os tablets exacerbam essas orientações.” 
 
Para Northrup, o iPad oferece uma experiência diferente de distribuição e recepção de 
conteúdos, seguindo a linha das mudanças de hábitos de consumo ocorridas na última 
 
 
 
 
década. “Nós agora preferimos a flexibilidade à alta fidelidade, a conveniência à beleza, o 
rápido e amarrotado ao lento e polido. Ter a coisa aqui e agora é mais importante que 
tê-la em perfeito estado.” 
 
Entrando em nova etapa? 
 
Essas mudanças de comportamento se encaixam no perfil dos usuários de iPads, cujas 
telas manchadas pelas digitais dos dedos indicadores reafirmam que essas devices serão 
uma espécie de extensão do corpo humano, como as roupas, os sapatos e os celulares, 
que, com o tempo, adquirem o modo de ser de quem os transporta para cima e para 
baixo. 
 
Contudo, o publico ávido por novas experiências digitais é o mesmo que, segundo o 
designer Roger Fidler, ainda prefere que artigos e reportagens sejam organizados e 
editados por grandes empresas jornalísticas. “Os jornais digitais altamente 
personalizados projetados por especialistas não atraíram a atenção esperada”, afirma. 
 
Com os tablets se anunciando como onipresentes num futuro bem próximo, será 
necessário retrabalhar a ideia de “convergência multimídia”, acredita Northrup. 
 
“Convergência não é mais a solução. Deturparam o conceito. Ele acabou sendo utilizado 
para outros fins, como cortes de custos, corte de pessoal e maior controle sobre a 
produção”, critica. “Ou seja, o contrário do que deveria ser.” 
 
Northrup prefere o conceito de media fusion, para o qual o treinamento de jornalistas é 
tão valioso quanto a escolha do conjunto de aplicativos que permitem a edição e a 
entrega dos conteúdos. “Não presuma apressadamente que você tem de oferecer a 
 
 
 
 
edição inteira do seu jornal ou revista num tablet”, adverte. 
 
“Faça tudo sempre pensando na matéria, no assunto e no público potencialmente 
interessado”, continua. “Quem está interessado neste assunto? Onde essas pessoas 
estão? Como encontrá-las? E não leve muito a sério quem lhe disser que tem as 
respostas certas para estas e muitas outras perguntas. Estamos entrando numa nova 
etapa.” 
 
MAIS QUE UMA PLATAFORMA 
 
Na era dos tablets, o maior desafio dos jornais será reestruturar suas operações para se 
adaptar às novas ferramentas, aos novos comportamentos dos usuários e à entrega de 
conteúdos em múltiplas plataformas. Especialistas sugerem que os fluxos de produção 
para as várias mídias continuem no caminho da unificação e da integração. 
 
O iPad é uma realidade tanto quanto uma promessa. Espera-se que a nova device da 
Apple seja um conjunto de novos canais de distribuição para pacotes multimídia. Mas, 
para estar dentro de um iPad, é preciso construir esses pacotes. “Estudem 
imediatamente um modelo de negócios sustentável antes de apostar nos tablets”, 
sugere Kerry Northrup, da Universidade de Missouri. 
 
Na verdade, a Apple está fazendo mais do que simplesmente vender uma nova 
plataforma de mídia. A empresa de Steve Jobs está também alavancando a venda e 
utilização de seus aplicativos. Por outro lado, o sistema todo só poderá se expandir se 
houver um diversificado ecossistema de conteúdos App à venda. 
 
“O mercado, no caso, será definido pela Apple e o ponto de vista da empresa ainda é 
 
 
 
 
desconhecido”, advertem as consultorias internacionais de mídia. O iPad e outros tablets 
que estão a caminho constituem tanto uma oportunidade de receita quanto um 
mostruário para o negócio jornal. “No entanto, os tablet