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por causa de comerciais interativos é desprezar todas as outras formas de 
interação com conteúdo que vão acontecer com as telas coletivas (TVs, 
monitores, displays públicos). Um programa de televisão digital, diferente de 
um programa de TV analógica, nunca vai morar dentro de um cercadinho. Ele 
naturalmente vai ter vias paralelas de acesso a outros conteúdos, sejam eles 
comerciais ou não. A era da coerção por “inércia do sofá” está com os dias 
contados. Veja bem, não estou falando do fim da inércia (conteúdo ruim e 
público zumbi sempre vai existir), mas sim do fim do cercadinho físico e 
técnico da TV analógica, que mantém sua audiência em frente à TV com uma 
mistura de conteúdo de massa (de boa qualidade em algumas ocasiões), 
limitações dessa tecnologia e indolência do seu público. 
 
Terreno lodoso, não? A questão não envolve apenas as grandes redes de 
televisão nacionais e suas tecnologias, mas precisa incluir também toda e 
qualquer pequena mudança cultural provocada pela criação, distribuição e 
consumo de conteúdo digital. Não é possível falar de TV Digital como um 
 
 
 
 
aparelho ou como um sistema isolado de distribuição de conteúdo. É preciso 
olhar pra todo o conjunto de práticas sociais que está se modificando no país. 
 
Por exemplo: a chegada das telas íntimas. 
 
Durante décadas, nossa relação de intimidade com o aparelho TV foi 
relegada a situações de exceção. O aparelho de TV nasceu como um objeto 
eminentemente social. Primeiro, se assistia TV com os vizinhos. Depois, 
durante muitos anos, em família ou com os amigos. Assistir um grande 
número de horas de TV sozinho é um hábito muito recente, que em termos 
de consumo de massa talvez tenha dez ou quinze anos, no máximo vinte. 
Que é o período de tempo em que a economia brasileira permitiu a famílias 
de classe mais baixa ter mais do que uma TV em casa, ou seja, colocar TVs em 
espaços íntimos. 
 
O fato é: nunca fomos íntimos das telas. Durante décadas, as crianças 
ouviam: “fique longe da tela, a radiação faz mal!” “Não bota a mão na tela, 
suja tudo”. Como é nossa vida agora? Vivemos a 40 cm da tela dos nosso 
computadores e notebooks, vivemos debruçados em telinhas de celular e 
estamos sendo convidados a meter o dedo em telas de todos os tamanhos 
pra interagir com os conteúdos. É o tipo de mudança de paradigma que 
bagunça totalmente a cultura de um país calcado na televisão de massa. É 
outra história. É outro bicho. É fascinante, não é? 
 
A intimidade com a tela é pressuposto básico do consumo de conteúdos 
digitais. A estabilização da economia colocou TVs em város cômodos, 
computadores em 35% dos domicílios (números de 2009) e um celular na 
 
 
 
 
mão de praticamente todo mundo. O conteúdo que absorvemos e com o 
qual interagimos passa, em maior ou menos escala de eficiência, por todas 
essas categorias de telas. O paredão do BBB da terça vira trending topic no 
Twitter e é motivo de intensa comunicação via SMS e MSN ao longo da 
madrugada e no dia seguinte. O conteúdo hoje é como as novas gerações: 
neutro de formato. Ele não quer saber por onde vai caminhar. Ele VAI 
caminhar. E a gente vai acompanhar essa caminhada via o mosaico de telas 
com o quais convivemos. Veja você, que coisa mais anos 80: nossa vida virou 
um grande videowall… 
 
Nesse contexto, não podemos mais classificar a forma de interação com o 
conteúdo falando de TV, computador e celular, uma vez que os papéis desses 
aparelhos estão sendo inegavelmente borrados. Talvez faça mais sentido 
falar no seguinte: telas fixas, telas móveis, telas íntimas e telas coletivas. 
 
Classificando essa coisarada toda do ponto de vista de mobilidade, temos: 
 
Telas fixas: o aparelho de televisão que fica lá na estante de casa; o monitor 
do computador; o monitores em locais públicos (para publicidade e 
informação em prédios, lojas, restaurantes, aeroportos e outros locais de 
serviço). 
 
Telas móveis: o celular, o notebook, os tablets e e-readers, os mp3/4 players, 
os games portáveis, as telas digitais em ônibus, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
Do ponto de vista de proximidade de uso: 
 
Telas íntimas: o celular, os tablets e e-readers, o notebook (de vez em 
quando), os mp3/4 players, os games portáteis, etc. 
 
Telas coletivas: os monitores em locais públicos (aeroportos, lojas, etc), o 
aparelho de televisão da sala de casa, telas de computadores de família, telas 
de computadores de lan houses e escolas, etc. 
 
*** 
 
Essa classificação (como todas classificações) não é perfeita. É preciso levar 
em consideração o lugar dos aparelhos e o tipo de usuário. Um aparelho de 
televisão no quarto de um apaixonado por games é uma tela íntima. Um 
celular em uma periferia de um país africano pode ser uma tela coletiva. Um 
tablet usado para um jogo entre amigos pode transformar uma tela íntima 
em coletiva durante algumas horas. Não é possível classificar definitivamente 
os aparelhos do ponto de vista dos aparelhos. Mas dá pra tentar por 
aproximação e pela maior frequência de tipo de uso. 
 
Então, voltando ao início. Se quisermos compreender os futuros formatos de 
TV digital, vamos ter que esquecer uma boa parte do que aprendemos com a 
TV e lembrar que ela não é mais UMA tela com UM tipo de comportamento 
em frente a ela. Em alguns casos, a TV vai se comportar no âmbito da tela 
móvel, sendo acessada de telefones celulares ou notebooks. Em outros, ela 
vai se comportar como uma tela coletiva, caso esteja sendo consumida em 
um aparelho de grande porte pra uso em grupo. No caso do uso em tela 
 
 
 
 
coletiva, a comunicação one-to-one vendida em muitas interações digitais vai 
pro saco. Quem quer ligar a TV da sala com suas preferências regist 
 
Provavelmente, viveremos um bom tempo de transição tosca, como a que 
estamos vivendo nos sites de compartilhamento de vídeo. Os velhos 
formatos interruptivos (links dentro do vídeo, banner transparente sobre o 
vídeo) ou coercivos (comerciais que precisam ser assistidos pra liberar o 
conteúdo) vão conviver com as frequentes tentativas de branded content 
(atrações com conteúdo patrocinado e ligados a marcas). Também 
certamente veremos a escalada do product placement (aqui chamado de 
merchandising) e, no caso de vingar o video-on-demand na TV aberta digital 
brasileira, algum tipo de patrocínio de marca pra conteúdo sob demanda. 
Publicidade é publicidade. E sempre vai ser publicidade, não importa os 
disfarces que ela use. 
 
Mas, como eu disse pra moça da Unisinos, vocês não deviam confiar em mim. 
Deviam perguntar ao William que estudou isso na Inglaterra, país onde essa 
discussão está bem mais avançada. 
 
 
O autor: 
Gustavo Mini é publicitário. Apresenta o programa Minimalismo na OI FM 
Blog: Conector 
twitter: @conector 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 TTTEEELLLEEEJJJOOORRRNNNAAALLLIIISSSMMMOOO 
 EEE IIINNNTTTEEERRRNNNEEETTT 
 
 
 Por Alexandre Petillo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 tags: novas mídias, jornalismo digital 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A gente precisa usar a internet como aliada. Falar é fácil. Mas é isso que eu 
ouço há, sei lá, pelo menos 13 anos. E nessa mais de meia década não tive 
nenhuma idéia revolucionária ou pelo menos razoavelmente boa e 
transformadora capaz de aliar o que eu estivesse fazendo no momento com a 
rede – e ainda conseguir ser ao mesmo tempo novidadeiro e rentável. O que 
me consola é que poucos realmente conseguiram. 
 
Hoje eu trabalho com telejornalismo. E, confesso, ainda não convivemos com 
a sombra