Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147
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Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147


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ou menos a influencia do direito romano. Com 
quanto regulem o processo penal, contêm tambem 
disposições sobre o direito penal material. 
Mencionaremos (cons. sobretudo Stobbe, Ge-
schichte der deutschen Rechtsquellen, 2,° 237) : 1.° o 
Landbuch do Appenzel de 1409; 2.° a Reformation des 
Zentgerichtè de Wurzburg de 1447 ; 3.° as Ilalsge-
richtsordnungen de Nuremberg «desde o começo do 
século XIV, especialmente as de 1481 e 1526 ; 4.° o 
Gestreng Recht de Altorf e 5.° uma Blutgerichtsord-nung 
de Zurich, ambas do século XV ; 6.° a Mále-fizordnung 
do Tyrol de 30 de Novembro de 1499 (imitada em 
Radolphzell em 1506 e em Laibach em 1514) ; 7.° a 
Landgerichtsordnung da baixa Áustria de 21 de Agosto 
de 1514 (reformada em 1540) ; 8.° a Landtaiding de 
Salzburg do século XV ; 9.° a Halsgerichtsordnung de 
Witzenhaus do século XV ou XVI; 10.° o «Formulário 
bavaro para o defensor juramentado» de 1518 \u2022 ao 
mesmo grupo pertencem tambem 11.° a 
Churgeríchtsordnung reformada de Aix-la-Ohapelle de 
1577, e 12.° a Halsgericht criminal {H. Hõxter de 1605. 
Muito acima dessas tentativas legislativas, aliás 
em parte realmente hábeis, eleva-se pelo solido 
 
36 TBATADO DE DIBEITO PENAL 
____________________________ ,i \u2014\u2014\u2014\u2014\u2014 5|8| 
conhecimento e clara exposição de materia- tão j vasta e 
árida, bem como pela simplicidade e justeza 1 das ideias 
fundamentaes, um outro trabalho que seijm m em todos os 
tempos glorioso documento da vocação j dos Allemães para 
a legislação \u2014 a Constituição da | justiça criminal de 
Bamberg de 1507 (mater Caro- § fina), introduzida com 
pequenas alterações nos priug,-cipados brandeburguenses de 
Ansbach e Bayreuth em 1516 (soror Carolina?). (3) 
O autor da constituição bamberguense foi ol barão 
Johann von Schwarzenberg e Hohenlandsberg(4):i 
Nascido em 1463, dotado de uma força physica , quasi 
fabulosa, passou a sua mocidade, segundo os costumes 
cavalheirescos do tempo, a lançar os dados e em 
beberronias nas cortes senhoriaes do Rheno, até que uma 
carta paterna fel-o mudar de hábitos. Ligou-se a 
Maximiliano I e tomou parte gloriosa j em suas 
expedições militares (1485-1486). Logo depois entrou no 
serviço do visinho bispo de Bani-berg, e de 1501 até 1522 
ahi se conservou, durante os governos de cintíb bispos, 
como mordomo e presidente do tribunal senhorial que se 
compunha de juristas. Em 1521 tomou parte na dieta de 
Worms, onde, como membro da regência imperial (1521 a 
1524) e transitoriamente (1522) como representante do 
JStatkouder imperial fez notável figura. \u2014 Nesse ínterim 
as cousas tinham mudado em Bamberg. Desde 1522 
governava o bispo Weigand, partidário do papa, 
(') Sobre as edições da Bamberguense ver Leitscbub no Re-
pertorium fúr Kunsiwisscnschafi, v. 9.°, 1886 (tambem publicado sem 
data). Frauenstãdt mostrou na Z, 10.°, 8, que os tribunaes de Breslau 
julgavam tambem segundo a Bamberguense. 
(*) Falta uma biographia completa. A obra principal é a de E. 
Hermann, Johann Fr. tu Schwarzenberg, 1741. Ver tambem o belío4 
resumo apud Stintzing, Qeschichte der d. Rechtsioissenschafi, 1.°, 612 
e seg. 
v 
o 
INTRODUCçlo 37 
[»e ScEwarzenberg, quê por palavras e por actos se 
pronunciara pela reforma teve de entrar, em 1524, como 
mordomo, no serviço dos marcgraves de Bran-denburg. 
Morreu em Nuremberg.a 21 de outubro de 1528, 
geralmente lamentado, e ainda annos depois era 
elogiado por Luthero. \u2014 Schwarzenberg exerceu 
tambem a sua actividade com ardor e successo, como 
escriptor popular; pelas suas poesias simples, mesmo 
sóbrias, mas profundamente repassadas do sentimento 
do dever, pelas suas polemicas contra os máos costumes 
do tempo, pelas suas traducções de Cicero (a)| e 
pamphletos anti-papaes, elle procurou modificar toda a 
vida moral contemporânea. Não era jurisconsulto nem 
mesmo erudito o homem a quem deve-se o primeiro 
codigo do Imperio da Allemanha; era porém um 
verdadeiro allemão, dotado de um espirito perfeitamente 
são, notável como guerreiro e estadista, como poeta e 
campeão da reforma. 
No desempenho de sua tarefa Schwarzenberg 
utilisou-se das seguintes fontes: 1.° o direito pátrio de 
Bamberg; 2.° a praxe da Allemanha meridional, 
especialmente a de Nuremberg; 3.° a reforma de Worms 
de 1498, talvez ainda uma ou outra das legislações da 
Allemanha meridional; 4.° a littera-tura jurídica popular 
e portanto mediatamente os escriptos dos Italianos (é 
indubitável que utilisou-se do Klagspiegel; é provável 
que tenha consultado a Summa Angélica ou alguma de 
suas antecessoras); 5.° algumas leis imperiaes, como a 
lei sobre a paz publica de 1455. (5) 
(\u2022) ÍTÕtêíê-quê^Scíãwãrãêiãbêrg não conhecia a língua latina. N. do 
trad. 
(') Brunnenmeister, Die Quellen der Bambergensis, 1879, esforça-se| 
Ipo. demonstrar individualmente a proposição já avançada por Stobbe, 
cing e outros, que Schwarzenberg consultara directamente os es- 
iãs Italianos. Mais importante é affirmar que a substancia das 
v£5_ 
 
38 TRATADO DE DIREITO PENAL 
IV. \u2014 Em consequência das representações do 
tribunal da Camará Imperial(6>, já em 1498 a dietí? de 
Friburgo tomara a resolução de «promover uma reforma 
ou constituição geral para o Imperio sobre jj o modo de 
proceder in criminalibus ; » mas essa reso-1 lução não 
teve seguimento, e só em 1521 a dieta de Worms voltou 
de novo ao assumpto. A elaboração do projecto foi 
incumbida a uma com missão; esta tomou para base do 
seu trabalho a constituição bam-berguense, que no 
entretanto, e principalmente pelo Layempiegel (1509) de 
Ulr. Teugler (f 1510), tinha tido larga vulgarisação, mas 
utilisou-se tambem do chamado correctorium 
bamberguense, collecção das ordenanças complementares 
da Bamberguense decreta- < das de 1507 a 1516. 
Surgiram novos embaraços. I Por três vezes foi revisto o 
(1.°) projecto de Worms \u2014 nas dietas de Nuremberg 
(1524, 2.° projecto), j de Spira (1520, 3.° projecto) e de 
Augsburgo (1530, | 4.° projecto). Desde 1529 fizeram-
se sentir as ten-4 dencias particularistas em manifesta 
opposição á geral 1 aspiração da unidade da legislação, e 
nomeadamente em 1530 a Saxonia eleitoral, o Palatinado 
Rhenano e o Brandeburgo eleitoral apresentaram os seus 
pro-vj testos contra o cerceamento dos respectivos direitos 
senhoriaes reconhecidos por títulos au th en ticos. Quando 
em 1532 o projecto foi afinal convertido em lei na dieta 
de Regensburgo, fez-se mister inserir no prefacio a 
denominada clausula salvatoria: «Nós por esta graciosa 
lembrança em nada queremos coartar os usos e costumes 
antigos, tradicionaes, legitimos 
theses jurídicas de Schwarzenberg, apezar da vestimenta á romana, 6fl quasi sem 
excepção puramente allemã. 
(\u2022) Cons. a p. 17 \u2014 Malblanc, Qeschichie der peinlichen Qsnshia-ordnung 
KarU V, 1783; Gúterbock, EnUtehungageachichU der Karof 1876; Stintzing, 1, 
607. 
INTEODUCÇlo 
e razoáveis dos eleitores, dos príncipes e das ordens 
» (7). 
V. \u2014 A Carolina, como as constituições sobre a 
justiça criminal que a precederam e cuja influencia 
evidencia-se ao primeiro exame, toma o processo penal 
para objecto principal da sua regulamentação. Nesta 
parte ella estabelece as regras e princípios que, apezar 
de desviarem-se delles em muitos pontos as legislações 
territoriaes, imprimiram ao processo co min um da 
Allemanha o cunho que o caracterisa e que não se pode 
desconhecer. O direito penal material, de que tratam os 
arts. 104 a 208, occupa logar secundário. Em rigor só se 
encontra ahi enunciado um preceito que encerra pura e 
simplesmente direito coercitivo (art. 104) : nenhuma 
acção pôde ser punida com pena criminal, \u2014e portanto 
com a morte ou a mutilação, \u2014 quando o direito romano 
não tenha comminado pena criminal contra a mesma 
acção (ou outra equivalente, \u2014 art. 105) ; o género de 
pena porém pócle ser