Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147
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Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147


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mais decidido hegelianismo. Si-a esta escola 
devemos valiosíssimos contingentes para a analyse 
psychologica do crime, certo é que a dia-2 lecta 
hegeliana, com a qual tudo se pode justificar no passado 
como no presente, turva a lucidez doj espirito, 
difficultando a comprehensao das necessidades 
jurídicas da vida pratica e das exigências da politica 
criminal. 
A' sciencia, que guardara e augmentára o thesouro 
das convicções communs nos tempos assigna-llados pelo 
particularismo do direito, estava reservada a triste sorte, 
em parte devida á própria culpa, de j sentir-se sem apoio e 
sem forças, quando surgio o | dia, desde muito desejado, 
da promulgação de um § codigo penal commum ás raças 
allemSes já unidas 1 no campo de batalha! 
§ 10. \u2014 Origem e desenvolvimento do Codigo penal do 
Imperio 
!\u2022 \u2014 Os esforços tendentes a dotar a Allemanha i com 
um codigo penal commum remontam a muitos annos 
atraz; mas as circumstancias politicas fizeram com que se 
mallograssem todas as tentativas. Os | diversos 
projectos elaborados por particulares (K. S. Zachariâ, 
1826, v. Strombeck, 1829, Krug, 1857, j v. Kr&wel, 
1862) não mereceram muita attenção. Os acontecimentos 
do anno de 1848 foram além da iniciativa que o 
Wurttemberg tomara em 1847. O jart. 64 da 
Constituição do Imperio de 28 de Março 
INTEODUCÇlO 77 
de 1849 (a) deu logar a que o ministério da justiça 
prussiana organisasse o projecto de um codigo (1849); 
mas esse projecto, vietima das circumstancias do tempo 
que tão depressa mudaram, não se publicou e, com 
excepção de alguns poucos exemplares, foi levado ao 
pilão. A proposta que a Baviera, de ac-bcordo com outros 
governos, apresentou á dieta federal \u2022em 1859 para ser 
examinada a possibilidade e a futilidade de codigos 
communs no eivei e no crime, não teve outro resultado 
senão o parecer da com-Imissão datado de 12 de Agosto 
de 1861, o qual (punha em duvida ser « muito imperiosa » 
a necessi-Pdade de um codigo penal commum. . Pouco 
mais ou rmenos pelo mesmo tempo Krãwel propunha ao 
pri-Imeiro congresso de juristas allemães (1860) que elle 
1 se pronunciasse sobre a urgência de uma lei penal 8 
commum; a proposta foi unanimemente approvada, imas 
não despertou muito interesse. 
II. \u2014 Parece que o mesmo sentimento predo-| 
minava, ainda nos circulos directores, quando se re-I 
digio o projecto da constituição federal da Allemanha 
\u25a0do Norte. O art. 4.° n. 3, incluindo na competência 
\u25a0legislativa do Imperio o processo civil, a fallencia, lo 
direito cambial e o direito commercial, deixou de 
\u25a0mencionar o direito penal. Prestou Lasker o inol-
Ividavel serviço de ter dado causa a que o direito jpenal 
fosse incluido na competência da legislação commum, 
apresentando a este respeito a emenda ad-ditiva que, 
apoiada por v. Wâchter e impugnada 
(») A constituição votada pela assembléa nacional e publicada a 28 
[de Abril de 1849, aegundo a qual a Allemanha passava a ser um Estado 
Ifederativo constitucional, tendo por chefe um imperador hereditário com 
I ministros responsáveis, e por orgãos uma camara representante dos 
[ Estados e uma outra representante do povo. Esta bella construcção 
aluio-se com a simples recusa por parte de Frederico Guilherme IV", 
rei da Prússia, de aceitar a coroa imperial. N. do trad. ft/ 
 
 
 
78 TRATADO DE DIREITO PENAL 
por v. Schwarze, obteve a approvação do Reichstag. 
(Art. 4.°, n. 13 da Const. fed. de 26 de Julho de 1867). 
Em breve tratou-se de realisar este desideratum. 
Em virtude da proposta apresentada a 30 de Março de 
1868 pelos deputados Wagner e Planck, o Reichstag 
resolveu a 18 de Abril «convidar o Chanceller fe--deral a 
elaborar e apresentar-lhe com a possivel brevidade os 
projectos de um codigo penal e de um codigo do 
processo penal communs, e o projecto de uma lei de 
organisação judiciaria de accordo com ditos codigos». 
Approvada esta resolução a 5 de Junho pelo Bundesrat, 
o chanceller federal, por acto de 17 de Junho de 1868, 
incumbio o ministro da justiça prussiano, Dr. Leonhardt, 
de promover a confecção do projecto do codigo penal. 
1.° \u2014 O trabalho foi confiado ao (então) con-
selheiro intimo da justiça superior Dr. Friedberg, tendo 
por auxiliares o assessor Dr. Rubo e o juiz de circulo 
Rudorflf. Friedberg desenvolveu o pro-gramma em uma 
memoria datada de 21 de Novembro de 1868 que 
apresentou ao Bundesrat. Já em 31 de Julho de 1869 o 
projecto (1.° projecto) era apresentado ao chanceller 
federal e dado ao mesmo tempo á publicidade. 
Acompanhavam-n'o uma minuciosa justificação e 
quatro appensos (confronto das disposições penaes das 
legislações allemães e das estrangeiras, questão da 
pena* de morte, questões sobre materias de medicina 
legal, duração máxima da pena de reclusão). O projecto 
cingia-se ao codigo prussiano de 1851 que tomara para 
modelo, mas corrigia-o em pontos importantes. 
2.° \u2014 A 3 de Julho de 1869 o Bundesrat elegeu 
uma commissão de sete membros para o exame do 
projecto, a qual reunio-se em Berlin no 1.° de Outubro. 
Os membros eram o Dr. Leonhardt, como presidente, o 
Dr. Friedberg, como relator, o procurador geral Dr. von 
Schwarze (de Dresda), como 
INTRODUOÇÃO 79 
[ vice-presidente, o senador Dr. Donandt (de Bremen), o 
advogado e conselheiro de justiça Dr. Dorn (de Berlin), 
o ministro do tribunal de appellação Bur-gers (de 
Colónia), o ministro do tribunal superior de appellação 
Dr. Budde (de Rostock). O Dr. Rubo e RiidorfF serviam 
de secretários. 
Os theoricos \u2014 nenhum dos quaes fora eleito 
membro da commissão \u2014 tomaram parte na obra 
naqional por meio dos trabalhos manuscriptos ou im-
pressos que offereceram; assim o fizeram Auschiitz, 
Beseler (trabalhos manuscriptos), Berner, Binding, 
Geyer, Hâberlin, Hálschner, Heinze, H. Meyer (re-
latórios impressos), Merkel, Gessler, Seeger (discussões 
do 9.° congresso dos juristas allemães). John 
f já anteriormente tinha publicado, como sua vigorosa 
contribuição, o «Projecto motivado de um Codigo penal 
para a Federação da Allemanha do Norte», 1868. 
Depois de 43 sessões, a commissão terminou os seus 
trabalhos a 31 de Dezembro de 1869 e no mesmo dia 
entregou ao chanceller federal o projecto impresso (2.° 
projecto, sem motivos). Não foi publicado, mas 
remettido a alguns especialistas. Heinze, Vollert, v. 
Wáchter o discutiram por escripto. 
3.° \u2014 De 4 a 11 de Fevereiro de 1870 o projecto da 
commissão foi sujeito no Bundesrat a uma breve 
discussão, da qual sahio como 3.° projecto, tendo 
recebido poucas modificações, apezar das duvidas 
levantadas pela Saxonia e pelo Mecklenburgo (deu-se 
ao art. 2.° da lei de Introducção a sua actual redacção). 
Foi apresentado a 4 de Fevereiro ao Reichstag 
J acompanhado dos quatro appensos e dos respectivos 
motivos que Friedberg e von Schwarze em parte 
modificaram. Leonhardt e Friedberg receberam dos 
governos a incumbência de defendel-o (b).y& 
(") Isto é, do Bundesrat, como representante dos governos dos Estados. 
Pelo art. 16 da Const. do Imperio da Allemanha o Sun- 
!(P GHfll^^^BIHH^^^HHl 
Teve logar Ifl-* leitura W 22 de Regeitada a proposta 
de v. Schwarze para ser o projecto remettido a uma 
commissão de 21 membros, 1 resolveu-se, sob proposta 
do deputado Albrecht, que ai.* parte (a parte geral) e os 
capítulos 1 a 7 da 2.a parte (contendo principalmente os 
crimes políticos) fossem discutidos em assembléa plena e 
que somente os demais capítulos de 8 a 29 da 2.* parte 
fossem sujeitos ao exame prévio de uma commissão. 
A 28 de Fevereiro começou a 2.a leitura que 
terminou a 8 de Abril e se assignalou pelo impor- \u2022] tante 
debate sobre a pena de morte, cuja abolição passou no 
1.° de Março por 118 votos contra 81. 
Marcara-se o dia 21 de Maio para o começo da 1 3.* 
leitura. Declarou então o