Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147
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Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147


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de Março 
de 1884). 
1888\u201470.\u2014Lei de 22 de Março sobre a protecção 
B dos pássaros. 
71.\u2014Lei de 29 de Março sobre a interpre 
tação do art. 2 da lei de 30 de Agosto 
fl de 1871 concernente á introducção do 
C. p. do Imperio allemão na Alsacia-Lorena. 72.\u2014
Lei de 5 de Abril concernente aos debates judiciários 
em secção secreta. 73.\u2014Regulamento concernente á lei 
sobre á| arqueação de navios de 20 de Junho de 
1888. 1889\u201474.\u2014Lei do 1.° de Maio sobre as 
sociedade* cooperativas de industria e economia.; 
75.\u2014Lei de 22 de Junho sobre o seguro: 
contra .a invalidez e a velhice. 
76.\u2014Ordenança de 15 de Agosto sobre a 
mineração nos paizes do sudoeste da 
Africa sob o protectorado allemão. 
1891\u201477.\u2014Ordenança de 22 de Março concernente 
á introducção das leis imperiaes em 
Helgoland. 
78.\u2014Lei de 7 de Abril sobre patentes de 
B invenção (substitutiva da lei de 25 de 
Maio de 1877). I 
79.\u2014Lei de 13 de Maio concernente á alteração 
de disposições do C. p. 80.\u2014Lei de 19 de Maio 
concernente ao exame 
do fecho das armas de fogo. 81.\u2014Lei de 31 de 
Maio concernente á imposição do assucar. 
INTRODUCÇlo 91 
 [1891\u201482.\u2014Lei do 1." de Junho concernente á alte-
ração da lei sobre a industria. 11892\u201483.\u2014Lei do 1.° 
de Junho sobre a protecção dos modelos de objectos de 
utilidade. 
84.\u2014Lei de 6 de Abril sobre os telegraphos do 
Imperio allemão. 
85.\u2014Lei de 20 de Abril sobre as sociedades de 
responsabilidade limitada. 
86.\u2014Lei de 20 de Abril concernente ao com-
mercio de vinhos e de bebidas vinosas ou 
similares. 
87.\u2014Regulamento de 5 de Julho concernente á 
ordem do serviço nas linhas férreas 
principaes da AHemanha. Regulamento de 
5 de Julho concernente á ordem do serviço 
nas linhas férreas secundarias da 
AHemanha. 
88.\u2014Regulamento concernente ao trafego nas linhas 
férreas da AHemanha de 15 de Novembro. [1893\u2014
89.\u2014Lei de 26 de Março concernente á modificação do 
art. 69 do 0. p. 
90.\u2014Lei de 19 de Junho concernente a dis-
posições complementares sobre a usura. 
91.\u2014Lei de 3 de Julho concernente á revelação 
de segredos militares. 
Além disto, os tratados internacionaes do Imperio 
da AHemanha (relativos á assistencia judiciaria 
internacional, á extradição, á protecção dos direitos de 
autor, os tratados de amizade, commercio e navegação) 
encerram importantes disposições penaes que nos 
devidos logares serão apontadas. ct( 
 
\u25a0 
II. \u2014 Lineamentos de Politica 
criminal 
§ 12. \u2014 O direito penal como protecção de interesses 
LITTERATURA. (tambem e principalmente sobre a idéa 
3õ~ bem jurídico) \u2014 Ahrens, Naturrccht, 19, 338; v. 
thering, Der Zweck im. Recht, 1877 e annos seg.j Binding, fXe Normen unã ihre Uebertretung, 1?, 1872, 29. 1879 (espe-
ialmente o 1? v., 2? ed. de 1890, p. 328 e 338); Binding, 
íanual do Direito penal, 19, 1885; Thon, Rechúnorm unã 
Subjectives Recht, 1878; Kohler, Deutsches Patentrecht, 1878 
[especialmente a p. 500); v. Liszt, Z., 39, 1, 69, 673, 89, p4; 
E. Benedikt, Z., 79, 481; Merkel, Juristische Ency-vUypàãie, 
1885; Gareis, Êticyelopaãie unã Methoãologie der 
Kechtswissenschaft, 1887; Finger, G. S., 409, 39; Ziebartb, 
Worstrecht, p. 1, 321; Merlcel, Tratado, 1889, p. 20; Búnger, 
E., 89, 666; Seuffert, Ghutachten fur ãen 21. ãeutschen Júris-
hntag; trabalhos, 19, 227; Klõppel, Gesetz unã Obrigheit, 
1892. \u2014 Sobre as theorias do Direito penal, cons. as obras 
mencionadas nos §§ 7 e 9. 
I. \u2014 Todo direito existe por amor dos homens |e tem 
por fim proteger interesses da vida humana. |A protecção de 
interesses é a essência do direito, li idéa finalística a força 
que o produz. 
1.° \u2014 Chamamos bens jurídicos os interesses que p 
direito protege. Bem jurídico ê, pois, o interesse 
juridicamente protegido. Todos os bens jurídicos são 
Interesses humanos, ou do individuo ou da çollecti- 
r « 
94 TBATADÇ DE DIBEITO PENAL 
I \u25a0 - ............... \u25a0\u25a0 \u25a0 .................................................\u2014 \u2014 \u25a0 » !\u25a0 ii \u25a0 \u2014 \u25a0 \u25a0 \u25a0 \u25a0 \u25a0 \u25a0 \u25a0 \u2014 \u2014 '\u2014_.\u25a0£ \u2014\u25a0 
vidade. E' a vida, e não o direito, que produz j interesse; 
mas só a protecção jurídica converte I interesse em bem 
jurídico. A liberdade individual, inviolabilidade do 
domicilio, o segredo epistolar erap interesses muito 
antes que as cartas constitucionaei os garantissem 
contra a intervenção arbitraru do poder publico. A 
necessidade origina a protecção e, variando os 
interesses, variam tambem os bem jurídicos quanto ao 
numero e quanto ao género (*) 
(') Bem jurídico não é bem do direito ou ordem jurídica (comi pensa 
Binding e tambem Bosin que o segue, W. V, 2;°, 275), mas uno bem do 
homem que o direito reconhece e protege. \u2014 A idéa do bem jurídico é, ao 
nosso ver, mais ampla do que a do direito subjectivo. Mas, em todo caso, não 
se compadece com o uso da língua falai em direito á vida, á liberdade, á honra, 
efcc, como, por exemplo, « faz B. Lõning ('). 
(") A idéa do bem jurídico é, sem duvida, mais ampla do qttl a do 
direito subjectivo, visto como a ordem jurídica pode proteger* inl tefesses, e 
muitas vezes o faz, sem conferir direitos a determinada! pessoas, individuaes 
ou collectivas. jâ Ihering havia feito está observação no seu Qeiat dea rõm. 
Jtechts (4o, 85). A lei que estabelece impostos protectores de certas industrias, 
dia elle, aproveita aos fabricantes, favorece-os e protege-os na sua exploração 
industrial, mas não lhei confere direito algum. A lei em taes casos é decretada 
no interesse do Estado, e, si aproveita a particulares, é por um efeito reflexo, 
relação esta que, comquanto tenha a maior analogia com o direito subjectivo, 
delle deve-se cuidadosamente distinguir. Basta esta simples consideração para 
mostrar que é inadmissível a concepção de Feuerbach (Tratado, $ 21) seguida 
por muitos criminalistas antigos e ainda hoje defendida na Allemanha e fora 
delia, segundo a qual o crime é offensa do um direito subjectivo. 
Deixando de parte o que ha de incorrecto nesta formula (pois o crime 
prejudica o bera, mas deixa o direito intacto), não é possível, Como pondera 
van Hamel, referir a pessoas determinadas os numerosos interesses que a lei 
penal protege, è que dizem respeito á segurança, ã confiança nas relações 
sociaes, ao sentimento moral e religioso, éfe 
Os defensores da doutrina de Feuerbach alo A Salvam, conver* 
 LINEAMENTOS DE POLITICA CBlMINAL 95 
 Os interesses porém surgem das relações dos 
iindividuos entre si, e dos indivíduos para com o 
FÈstado e a sociedade ou vice-versa. Onde ha vida, lha 
força que tende a manifestar-se, affeiçoar-se e 
desenvolver-se livremente. Era pontos innumeros os : 
círculos da vontade humana se tocam e se cruzam, 
rcollidem as espheras em que os homens exercem a sua 
acção. A essas relações corresponde o interesse ^de cada 
um á acção ou inacção de outrem, quando la acção ou 
inacção tem importancia para a própria efficiencia. O 
locatário quer occupar a casa que alugou, o credor 
quer haver a restituição da cousa emprestada; ninguém 
pode tomar ou prejudicar o que ganhei pelo meu 
trabalho, a minha reputação ê inatacável; o Estado 
exige o imposto e o serviço militar; o cidadão 
reclama a livre manifestação do seu pensamento por 
palavras ou por escripto. Para Que não prorompa a 
guerra de todos contra todos, faz-se mister uma ordem 
ou estado de paz, a cir- 
tendo taes interesses em direitos subjectivos da «sociedade», que é uma 
abstracção sem personalidade. Da mesma doutrina surgem questões 
escusadas, como a de saber sj[ os mortos ou os nascituros têm direitos, 
[si podem ser punidas as sevícias contra animaes, etc. Ainda mais: a 
doutrina é logicamente forçada a admittír que ha direitos subjectivos á 
vida, á personalidade, á honra, these hoje geralmente impugnada (ver