Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147
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CRIMINAL 103 
dos cidadãos, os interesses da administração publica e 
os das sociedades anonymas, a honra da mulher e a 
segurança do commercio, todos os interesses, sem 
nenhuma excepção, podem compartilhar a protecção 
reforçada que a pena dispensa. O direito penal, 
completando e garantindo, accresce a todos os ramos do 
direito (caracter secundário, complementar e 
sanccionador das disposições do direito penal). 
tt. Kriminalrechl, 18(33; Dúhring, Kursus der Philosophie, 1875; E. 
V.Hartmann, Phãnomenologie des sittlichen Bewusstseíns, 1879; Krápelin, 
Abschaffung des Strafmasxes, 1880; Híttelstádt, Gegen die Freiheits-Istrofe, 
1879, e Z., 2.° 419; Janka, Nutstand, 1878, Strafrecht, 1884 (2.» ed., 1890), Die 
Grundlage>i der Strafschuld, 1885; Lammasch, Das Moment objektiver 
Gefahrlichhe.it im Begriffe des Verbrechensver-suehes, 1879, Z. 9,428, e G-. 
S., 44.°, 170; Jellinek, Die social-ethische §BedeiUung oon Recht, Unrecht und 
Stra/e, 1878; Hertz, Das Unrecht] K. die allg. Lehren des Strafrechts, 1880; 
Hrehorowicz, Grundfragen §und Grundbegriffe des Strafrechts, 1882; o 
mesmo, relatórios para o 21.° congresso dos juristas allemães, 1.°, 247; 
Medem, Z., 7.°, 185;| Sichart, Z., 10.°, 401, 11.*, 478 ; o mesmo, Entwurf eines 
Gesetzes úber Iden Vollzug der Freiheitsstrafen, 1892; Klippel, Z., 10.°, 570; 
Lnnter-burg, Die Eidesdelikte, 1886; Krone, 219; Wablberg, H. G., !.\u2022>, 130; 
vou Holtzeudorff, H. G., 1.°, 134; Appelius, Die bedingte Verurtei-§lung, 4 a 
ed., 1891; o mesmo, Z., 12.°, 1; Finger, Begrundung des §StraJrechts vom 
deterministischen Standpunkte, 1887 (cons. tambem Z., 10.°, 706); Thomsen, 
Kriminalistische Bekàmpfungsmethoden, 1893.\u2014 Igualmente os sectários da 
escola sociológica mencionados adiante na nota 5.* ao § 13. 
Entre os autores mencionados acima dá-se em parte, divergência de 
opiniões sobre a questão de saber si se deve ter em vista antes de tudo, como 
quer o Tratado, o effeito da execução penal sobre o criminoso. Contra a nossa 
opinião pronunciam-so principalmente Janka e Lammasch; segundo este 
ultimo, os fins que com segurança devem ser obtidos são os designados acima 
sob III, 1 e 2, por elle denominados constantes em contraposição aos variáveis 
(acima III, 3.) <§1 
f 
1Ô4 TRATADO DE DIKEITO PENAL 
! -------------------------------------------------- \u2014\u2014 -------------------- \u25a0 ~\u2014 ------ &quot;*4 
§ 13. \u2014 As causas da criminalidade e os diversos 
géneros desta. 
I.\u2014A utilisação consciente da pena como arma 
da ordem jurídica na luta contra o delinquente não é* 
possível sem a indagação scientifica do crime na sua 
manifestação exterior material, e nas suas cau? sas 
internas que se inferem dos factos. Para desi-| gnar 
essa «sciencia do crime» (causal, naturalística)! póde-
se empregar a expressão criminologia já introduzida 
tanto na sciencia ingleza como na dos paizes| latinos 
(*) (a). 
(') O defeito da antiga direcção da politica criminal no tcculo 
XVIII (ver acima a p. 58) está em que faltavam firmes aliS cerces ao seu 
magestoso edifício. Mas este defeito só podia ser supprido>J depois que, de um 
lado, as sciencias nnturaes nos ensinaram a conhe- | cer õ homem (anthropologia 
no mais amplo sentido) e, de outro lado, obteve-se um methodo seguro 
para a sciencia social (a estatística). A antiga direcção racionalista da politica 
criminal terminou. 3 com os trabalhos de J. Bentham (f 1832). A doutrina deste 
pensador | ingless foi reduzida a systcma pelo seu amigo e discípulo o gene-
brense Étienne Dumont, e traduzida em allemão por Bcneke (Grund*§ sãtze der 
Zivil- und Strafgcsctzgéb-mg aus den Handschriften 3. B, | 2 v-, 1830). Ed. 
das obras completas por Bowring, 11 v., 1843. | Desde então esta sciencia, 
comquanto tenha sido cultivada por alguns; (como Bérenger e Bonneville de 
Marsanay em França, Osted nâ-3 Dinamarca, Mittermaier e v. Holtzendorff 
na Allemanba), foi impei- | lida para a penumbra tanto pelas fantasias da 
escola philosophicâs | como pela sufiiciencia da escola histórica. 
(*) As sciencias que sob pontos de vista diversos têm por objecto') 
e crime e a pena são: jl 
1? o direito penal, sciencia systematica e pratica, baseada sobre a lei 
penal ; 
2? a sociologia criminal (criminalogia e penalogia ), scienci» j 
meramente especulativa, que estuda o crime e a pena, como factos J soeiaes, 
mediante a applicação dos methodos das scienciaes naturaes; 
LINEAMENTOS DE POLITICA CRIMINAL 105 
Poderíamos ser levados a dividir a criminologia, 
como sciencia do crime, em biologia (ou anthro-jpologia) 
criminal e em sociologia criminal. Aquella \u2022descreveria o 
crime como phenomeno que se pro-duz na vida do 
individuo, e estudaria o penchant au wcrime na sua 
conformação e nas suas condições in-Idividuaes. A 
biologia ou anthropologia criminal se isubdividiria em 
dois ramos, a somatohgia criminal 
3? a politica criminal, sciencia crítica dominada pela iãêajina-listica ou 
teleológica. 
O direito penal e a politica criminal são sciencias do jurísconA §aulto. 
Eia como o autor se pronunciara a este respeito na 5* ed. doj [ seu tratado em 
um trecho que não reproduzio na 6a ed. « Só pela união [ e mutua influencia do 
direito penal e da politica criminal completa-se [ a idéa da sciencia do direito 
penal (das sciences pênales, como dizem os Francezes ) Oríal-as, desenvolvcl-
as, transmiltil-as, é a missão [ do criminalista, não é missão do medico, do 
sociólogo, do estatisc-ista. Desde que não actue o pensamento de que o direito 
penal e a politica criminal são dous ramos do'mesmo tronco, duas partes do 
mesmo todo, que se tocam, se cruzam e se frutificam, e que, sem esta relação de 
mutua dependência, se desnaturam, é inevitável a decadencia do direito penal. 
Sera o perfeito conhecimento do direito vigente em todas as suas ramificações, 
sem completa posse da technica da legislação, sem o rigoroso freio do raciocínio 
logico-juridico, a politica criminal degenera em um racionalismo estéril a 
fiuctuar desorientado sobre as ondas. Por outro lado o direito penal perde-so em 
um formalismo infecundo e estranho á vida, si não for penetrado e guiado pela 
convicção de que o crime não é somente um idéa, mas um facto do mundo dos 
sentidos, um facto gravíssimo na vida assim do individuo como da sociedade; 
que a pena não existe por amor delia mesma, mas tem o seu fundamento e o seu 
objectivo na protecção de interesses humanos. Sem uma sciencia do direito 
penal voltada para a vida e ao mesmo tempo adstricta ao rigor das formas, a 
legislação penal converte-se em um jogo das opiniões do dia não apuradas, e a 
administração da justiça em um oficio exercido com tédio. E somente da 
sciencia que o direito penal e a administração da justiça recebem a força vivifi-
cadora 1» N. do trad. *f ^ 
106 TRATADO DE DIREITO PENAL 
(anatomia e physiologia) e a psi/chologia criminal. 
A sociologia criminal teria por objecto descrever o' 
crime como phenomeno que se produz na vida social 
e o estudaria na sua conformação e nas suas condi 
ções sociaes. I 
Mas semelhante distincçâo só é admissível, sa-t 
tisfazendo-se estes dois requisitos. l.° Deve-se ter* 
clara consciencia de que o objecto da indagação é um 
só e que apenas o methodo é que differe: allí em-|i 
prega-se a observação individual systematica, e aqui 
a systematica observação de massas (a estatís 
tica ); pois o crime, como phenonemo social-patho- 
logico, compõe-se de um certo numero de crimes 
individuaes, e cada um destes é apenas um elemento 
de um facto social. 2o Não se deve esquecer que so- 1 
mente com a união dos dois methodos, de modo a 
verificar e a completar os resultados de cada um 
delles pelo do outro, pode-se chegar ao conhecimento 
exacto do crime (2). 
(2) Por não terem sido ai tendi das as considerações