Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147
563 pág.

Direito Penal Allemão Dr. FRANZ VON LISZT TOMO I 1899 - bd000147


DisciplinaDireito Penal I69.131 materiais1.130.075 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de ObrikJ 
Z , 14°, 76 (extr. de um trabalho de maior vulto em dinamarquez). 
Desenvolvemos a doutrina exposta no texto no relatório que dirigimos 
ao congresso de anthropologia criminal de Bruxellas de 1892. 
110 TRATADO DE DIREITO PENAL 
trata-se somente do crime por estado, no qual a occasião 
çxterna representa um papel completamente secundário, 
poder-se-hia suppor a existência de um typo que se 
desvia do normal. Mas a indagação rigorosamente 
scientifica, com quanto tenha até aqui encontrado nos 
criminosos por estado numerosas) atypias (desvios do 
typo normal), sobretudo nos que o são por herança, 
ainda não descobrio o typoj do criminoso por estado. 
Desfarte desmorona-se a doutrina de Lombroso e dos 
seus partidários. (*) 
(*) Já definimos a nossa nttitude em face de Lombroso na Z., 9*, 462. Os 
trabalhos mais recentes têm confirmado a exactidão da nossa concepção. Cons. 
de preferencia a todas as outras a obra de Bãr mencionada acima na nota 1?. 
No congresso de Bruxellas de 1892 o 1ypo§ áo delinquente não encontrou um 
só defensor. (*) 
(») Concluindo o seu livro baseado sobre as observações que durante 
longos arinos fizera, como medico das prisões, o Dr. A. Bar pergunta : 
«Pode-se nestas condições aflirmar seriamente a existência de uma 
coincidência regular, de um nexo causal entre a conformação craneana e a 
moralidade, entro a deformidade craneana e o crime? Resolutamente negamos 
essa connexação, bem como toda dependência entre' a disposição craneana e a 
criminalidade. Pela organisaçSo do seu cra-neo o homem não se converte em 
criminoso. Onde se mostra uma relação de causalidade, a organisação não é 
physiologica, mas effecti-vamente pathologica, o individuo não é são de 
espirito, e as suas acções 
são as do louco ................................... O crime não é a consequência de 
uma organisação especial do criminoso, de uma organisação que lhe seja 
peculiar e que o leve a praticar actos delictuosos. O criminoso, aquelle que o é 
por profissão e que apparentemente nasceu com s disposições, traz em si 
muitos signaes de uma má conformação physica e mental, mas nem no seu 
conjunto nem individualmente considerados esses signaes têm um cunho tão 
especial e determinado que nssignalem o delinquente como typo, e o 
distingam dos seus contemporâneos e compatriotas. O criminoso traz os 
vestígios da degeneração que appa-recém frequentemente nas baixas classes 
populares, donde ás mais das vexes saem, e que, adquiridas e transmiltidas 
pelas condições de vida 
J0 6 I 
LINEAMENTOS DE POLITICA OBIMINAL 111 
IV.\u2014Mas a influencia dos factores sociaes só [se 
manifesta sob a sua verdadeira luz, quando se [considera 
que a natureza do delinquente dada no [momento do 
facto desenvolvera-se de disposições Hnnatas e fora 
determinada pelas relações exteriores [que o 
circumdaram desde o nascimento. O conheci-I mento 
deste facto torna possirel actuar, posto que Ide um 
modo limitado (por meio da educação moral, | mental e 
especialmente physioá), sobre as inclinações 
[\u2022criminosas acaso adormecidas no individuo em via Ide 
crescimento. Ainda mais: justamente a doutrina [tão 
exagerada na poesia como na sciencía do ónus 
Wiereãitario, dos peccados dos pães transmittidos aos 
fcfilhos, nos descortina um futuro melhor. Si pães a 
[quem o meio social exgotara a vitalidade e a força [de 
procreação, legam aos filhos, como uma herança 
[maldita, a «inferioridade psychopathica», a enfra-
[quecida força de resistência na luta pela vida, [podemos 
então nutrir a convicção scientificamente [íundada de 
que todas as nossas medidas politico-I sociaes 
aproveitarão aos vindouros com dobrada força. [Em 
muito maior escala e de um modo muito mais [seguro 
do que a pena e qualquer medida análoga, |a politica 
social actuará como meio para combater |o crime, já que 
este, assim como o suicídio, a mor-I talidade das 
creanças e todos os oujfcros phenomenos 
Social, ás vezes se manifestam sob forma accentuada. Quem quizer remover o 
crime, deve remover os males, onde o crime tem as suas raízes e pelos quaes 
elle se propaga, deve na escolha dos géneros de pena e na execução da pena 
ter mais em attcnção a individualidade 'fio criminoso do que a categoria do 
crime » O Dr. Bár reconhece porém o grande merecimento da escola de 
Lombroso, á qual se deve ter tirado da apathia e da iinmobilidade as antigas 
intuições sobre o criminoso, «tel-o posto na sua individualidade e nas suas 
qualidades no centro da observação, attrahindo a indagação antes para o 
agente do que para o facto». Der Verbrecher etc, p. 408. N. do trad. 
112 TRATADO DE DIREITO PENAL 
pathologico-sociaes, têm as suas mais profundas raízes 
nas relações do passado e do presente, cujas influencias 
se exercem sobro as gerações successivas. (6) 
§ 14.\u2014 As exigências da Politica criminal* 
LITTERATURA. \u2014 Os «Boletins » da União interna-
nacional de direito penal (até o presente 4 volumes); os 
trabalhos do grupo norueguense da União, 1892-93. Quanto ao mais tambem aqui nos reportamos a 25.\u2014 Aceres-
centemse Friedinann, Zur Reform ães õsterr. Strafrechtêt 
1891; Thomsen, Kriminalpolitische 
Békàmpfung8methoãen»§ 
I. \u2014 Ao passo que á politica 'social toca suppri-mir 
ou limitar as condições sociaes do crime, a po- I lítica 
criminal só tem que ver com o delinquente/ 
individualmente considerado. 
(') Esta concepção sociológica do crime, em opposição á concepção' 
puramente biológica, tem a pouco e pouco prevalecido, principalmente no 
estrangeiro. A grande massa dos escriptores aliem ães ainda boje não a 
entende e não pode comprehender sequer (como mostram os trabalhos de 
Mericei e Mittelstãdt mencionados no g 15) o alcance o a opposição 
fundamental das duas escolas. Cons. N. Colajani, Socialismo e sociologia 
criminale, 1884 e see. ; Prins, Crimiminalité et répression, 1886; o 
mesmo, Criminalité et VEtat social, 1890; v.--' Uezt, Kriminalpolitische 
Au/gaben (Z. 9? 452, 787,10?, 51, 12?, 161) M Fninck, Naturrecht, 
geschichtlisches Recht und sozialcs Recht, 1891 ; Tallak, Penological and 
preventive principies, 1889; W. D. Morrisson, I Crime and iis causes, 1891; 
Tarde, Criminalité comparée, 1886; Joly, La France criminelle, 1889; o 
mesmo, Le combat conUe le * crime; Hymans, La. lute contre le crime, 
1892; Garraud, Le pro-blème de la criminalité, 1889; Krobne, 204; Puhr, 
StrafreehUpJlegt -; und Soziapolitik, 1892. Também Bâr, Oauckler, Zúrcher, 
Foinilzkl, Drill e outros pertencem a esta escola. A União internacional de 
direito penal fundada em 1889 por v. LUzt, Prins e vsm Hamel <J tambem 
dominada por esta concepção fundamental. Cons. Z. 9?, 308,1 e os «boletins» 
que a sociedade publica desde 1889. 
LINEAMENTOS DE POLITICA CRIMINAL 113 
W A politica criminal exige, em geral, que a pena, 
como meio, seja adequada ao fim (§ 12), isto é, seja 
determinada quanto ao género e á medida segundo a 
natureza do delinquente, a quem inflige um mal (lesa 
nos seus bens jurídicos\u2014a vida, a liberdade, a honra e o 
patrimonio) para impedir que no futuro elle commetta 
novos crimes. Nesta exigência encontra-se, de um lado,, 
o seguro critério para a crítica do direito vigente, e, do 
outro lado, o ponto de partida para o desenvolvimento 
do programma da legislação futura. 
II. \u2014 E' natural que a crítica do direito vigente se 
iniciasse de um modo negativo. O começo do 
movimento reformista assignalou-se pela luta contra as 
pequenas penas de prisão que predominam na nossa 
administração da justiça. Como são actualmente 
applicadas, ellas não corrigem, não intimidam nem 
põem o delinquente fora do estado de prejudicar, e pelo 
contrario muitas vezes encaminham definitivamente 
para o crime o delinquente novel. D'ahi resulta a 
exigência de que o legislador