TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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359, Hãlschner, 2.°, 81 Olsbausen, § 221, 18. A questão tem 
importância na desistência da tentativa. Consequências especiaes resultam de 
que o art. 217, admitte circumstancias attenu-antes, mas não o art. 221, ai. 3. 
(c) O direito allemão trata a exposição como crime que consiste em pôr em 
perigo a vida ou a saúde de uma pessoa incapaz de valer-se; no mesmo sentido 
o direito francez, o belga, o austríaco, o brasileiro\u2014com reslricção aos menores 
de 7 annos. D'ahi segue-se que para a existencia do crime, é necessário, mas 
basta, o dolo concernente ao perigo, isto é, basta que o agente tenha a 
consciência de que a pessoa incapaz corre perigo quanto á vida ou a integridade 
do corpo. Si 
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III. \u2014 Penas: a exposição é regularmente adicto. 
A pena que a lei commina é encarceramento de 3 mezes 
até 5 annos; e quando o filho é abandonado pelos pães 
(legítimos ou naturaes) (*) encarceramento por tempo 
não inferior a 6 mezes. A gravidade do resultado (ainda 
quando não tenha sido produzido dolosa ou 
culposamente) é que converte a exposição em crime. 
Quando a pessoa exposta ao abandono soffre uma grave 
ofiensa physica, a pena é reclusão até 10 annos e no 
caso de morte, reclusão de 3 até 15. annos. 
A tentativa só é punível quando a exposição é 
crime, e é possivel, quando a acção tentada accarretar 
um dos resultados graves (§ 45, nota 8). 
§ 90. \u2014 Do envenenamento 
LITTERATURA.\u2014 Gengler, Yerbrechen der Vergiftung, 
1842; Mittermaier, O A, 4 e 5; Berner, G S., 19?, 7 ; Geyer, 
HH, 39,557, Hálschner, 2?, 103. 
I. \u2014 Historia. \u2014 Só o direito moderno, consi-
derando o envenenamento como perigo para o 
a intenção do agente é matar o exposto, e si este morre, dá-se infanticídio ou 
homicídio commum, conforme forem as circumstancias do caso. Quid júris, si o 
agente desistir da tentativa de homicídio?| Dá-se em todo caso o crime de 
exposição. Tal é a solução do autor fundada em que o dolo concernente ao 
homicídio 6 compatível com o dolo (eventual) concernente ao perigo. Binding, 
1. c. e com elle Olshausen, 1. c, entendem pelo contrario que o dolo concernente 
ao homicídio exclue o dolo concernente ao perigo, pelo que não admittem a 
concurrencia dos crimes de exposição e homicidio. O proj. hraz., art. 309 e seg. 
cinge-se ao G. hol. e ao cod. ital. que tratam a exposição como ofiensa do dever 
jurídico relativo á guarda da pessoa incapaz de valer-se. K". do trad. 
(*) B não o sogro e a sogra, os padrastos, os pães adoptivos e os avós. 
ÍERlCLITAÇlo DA TIDA 43 
jcorpo ou para a vida, provocado intencionalmente pelo 
emprego de certos meios, o converteu em crime pui generís. 
A legislação de Sylla, isto é, a lei Cor-nclia de sicuriis et 
veneficiis, qualificou como crime a 
\u25a0propinação, o preparo, a compra ou venda de ve-neno, mas 
os imperadores romanos, sob a influencia 
fde intuições da egreja, puzeram em intima contacto 
b envenenamento como maleficium com a magia íc. 
9, 12). Assim procedeu também a edade média palleinE; 
neste sentido o Esp. da Sax., 2,° 13, 7, que por isso punia 
o envenenamento com a morte] fpelo fogo. A Carolina, art. 
130, comminava a pena ida roda contra aquelle que «por 
meio de veneno \u25a0lesasse outrem no corpo e na vida »; o 
legislador presuppunha a intenção de homicídio e a morte 
\u25a0 como resultado, mas não exigia taes requisitos ; o I 
envenenamento era, pois, reconhecido como crime I 
independente. O direito commum e a legislação que lo seguia, 
cingindo-se ás constituições saxonias, 4, |18, 
indívidualisaram o envenenamento de fontes e^ I prados 
como crime de perigo commum; mas as mais das vezes 
o envenenamento era considerado I (não pelo direito 
austríaco de 1656 até 1768, ' mas jpelo mesmo direito de 1787 
a 1803, bem como pelo I Allg. Landrecht prussiano) como 
caso de assassinato I á falsa e fé desfarte perdeu a sua 
independência I como crime especial. Seguindo os 
escriptores do I direito commum posterior (Grolmann, 
Feuerbach, I Martin e outros), o cod. prussiano de 1851 
con-I verteu de novo a envenenamento em crime inde-
pendente e o imita o C. p. imp., que rigorosamente I distingue 
o perigo individual e o commum (envenenamento de fontes, 
etc). 
II.\u2014 Conceito.\u2014 Segundo o art. 229 da C. p., 
I são estes os caracteres do crime de envenenamento.1 
l.°, Como meio a lei exige ou o veneno, isto é, 
uma substancia apropriada, ainda quando adminis- 
 
m 
Í 
44 TEATADO DE DIBKITO PENAL 
 
trada em pequenas doses, a destruir a saúde por acção 
chimica, ou outras substancias apropriadas a destruir a 
saúde quer chimica quer mechanicamente (por ex., 
vidro pulverisado),\u2014 e portanto, substan-j cias que, 
segundo a expressão do art. 301 do C. p. i francez, 
produzem a morte mais ou menos rapidamente. Na idéa 
do veneno também se comprehendem as matérias 
contagiosas que podem ser transferidas de corpo a 
corpo, como o virus do cb?lera, da sy-philes, da 
tuberculose, etc. 
2.°, A acção consiste na propinação de ditas 
substancias, isto é, no emprego do veneno em sentido 
próprio, na sua introducção no organismo, e portanto 
no sangue do offendido. Si o veneno é propinado por 
meio «de violência ou de engano, si a sua in-troducção 
no organismo se opera pelos órgãos digestivos ou pelos 
órgãos da respiração (narcotisação), por injecção 
subcutânea ou por qualquer outro modo, é 
absolutamente indifferéhte. 
Com a propinação do veneno o crime consum-
nia-se; a eventual âpplicação de contra-venenos não 
exclue as penas do art. 229 do C. p. A punibilidade da 
tentativa impossível (assucar em logar de arsénico) 
rege-se pelos principios geraes já examinados no §47. 
«- È.\ O dolo deve comprehender a representação 
de que as substancias propinadas são próprias para 
destruir \u25a0 a saúde. A representação de que a acção 
destruirá a saúde não é necessária ; basta pois o dolo 
quanto ao perigo. Deve accrescer mais, como motivo 
da acção, a intenção de prejudicar a saúde de outrem 
(§ 86, II). O envenenamento é consequentemente 
crime que consiste em pôr em perigo, na intenção de 
causar uma offensa. Si o dolo do agente vae até a 
morte pelo veneno, dá-se um concurso ideal dos arts. 
211 e seguintes de um lado, e do art. 229 do outro, 
porquanto o dolo relativo á 
 
PERICLITAÇAO DA VIDA 45 
Joffensa bem pôde incluir o dolo relativo ao perigo 
[(alternativa ou eventualmente) (l) ('). 
(') Egualmento v. Meyer, 438 Herzog, Vermeh, 235; contra, Binding, 
Normen, 20,520, Hãlschnor, 2.°, 101, Olshnusen, § 229, 9. tPóde dar-se, pois, 
se o agente desiste da tentativa de homicídio, envenenamento punivel. 
(*) O art. 229 do 0. p. allemão diz: «nquello que na intenção de prejudicar 
a saúde de outrem, administrnr-lhe veneno ou outra substancia prop*isia a 
destruir a saúde, será punido etc.» O crime de envenenamento exige pois da 
parte do agente a i o tenção de prejudicar a saúde de outrem, mas não suppõe 
para a sua consummuçSo a pro-ãucçâo de um resultado qualquer; a cominação 
do art. 229 dirige-se contra a tentativa de uma offensa physica dolosa, em tanto 
quanto o meio empregado é o veneno ou nutra substancia própria- a destruir a 
saúde. Esta é a doutrina corrente (Olsh. J 229, n. 1). "Binding, porém, (Nortnen, 
2.°, p. 519) caracterísa o crime de envenenamento, 
[não como offensa physica, e sim como mero «crime de peri cl i tacão » 
(Qtfàhrdungsverbrechen). O veneflcio, diz elle, ó crime consumado, desde que 
alguém na intenção de prejudicar a saúdo de outrem pro-pina-lhe veneno, 
embora este por qualquer eventualidade não produza o seu effeito. O veneflcio 
só se apresenta pois sob a sua verdadeira luz, quando o consideramos como 
crime que consiste em por em perigo; «6 crime de periclitaçã>>
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