TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
661 pág.

TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


DisciplinaDireito Penal I67.972 materiais1.101.064 seguidores
Pré-visualização50 páginas
um acto illegal ou mesmo punivel. 
Assim, segundo H. Meyer, é constrangimento punivel impedir por 
meio de violência que alguém se suicide. Em semelhantes casos porém, 
observa Olshausen (g 240, 11 e 12), faltará frequentemente a con-
sciência da illegalidade, que é necessária para a existencia do dolo no 
delicto em questão.\u2014So nosso direito (art. 180 do C. p.) ambas as ques-
tões encontram fácil solução na clausula \u2014«jé impedindo de fazer o que 
a lei permitte, já obrigando a fazer o que «Wa não manda». N. do trad. 
| 
i» 
^ 
I 
104 TRATADO DE DIREITO PENAL 
punível, e começa com o emprego da violência ou da 
ameaça, como meio para obrigar á pratica da acção, á 
abstenção ou á tolerância. 
Penas: encarceramento até um anno ou multa até 
600 marcos. 
V.\u2014 A liberdade de trabalho, como faculdade 
de concluir ou desfazer contractos livremente em 
matéria de trabalho, envolve a liberdade de coneerA 
tarem-se os indivíduos entre si para pmcederem em\ 
commum de certo modo. De accordo com este prin-f 
cipio a legislação da segunda metade do século XIX (lei 
sobre a industria, art. 152) reconheceu a liberdade de 
coalisão e abolio as penas que anteriormente tinham 
sido comminadas contra taes concertos; sujeitou, 
porém, a penas especiaes a coacção para obrigar 
alguém a tomar parte em uma coalisão (mas não 
para obstar que alguém nella tome parte), bem como a 
coacção para impedir que alguém saia da coalisão (mas 
não para obrigar a que nella permaneça) . 
O art. 153 da lei sobre a industria dispõe: c quem, 
por coacção á pessoa, por ameaças, injurias (C. p., art. 
185 a 187) ou declaração de interdicção, determinar ou 
tentar determinar outrem a tomar parte em coalisões 
ou a prestar obediência a coalisões, que tenham por 
fim a obtenção de maior salário ou de melhores 
condições de trabalho, prin-cipalmente mediante a 
suspensão do trabalho ou a despedida de 
trabalhadores, ou quem por eguaes meios impedir ou 
tentar impedir que alguém se retire de taes coalisões, 
será punido com a pena de encarceramento até 3 
mezes, si a lei penal ordinária não comminar pena 
mais grave». 
Gomo se vê, a lei trata formalmente em pé de 
egualdade os patrões e os operários. E' necessário que 
a coacção seja feita á pessoa, não bastam violências 
contra as cousas, como a destruição de 
 
CRIMES E DELICTOS CONTRA A LIBERDADE 105 
instrumentos, o entulhamento de poços. A lei amplia - os 
meios adequados á pratica do constrangimento ; mas 
neste numero não entram os meios que tenham sido 
ajustados pelos interessados, como multas, perda da 
qualidade de sócio etc. A pena da tentativa é ' a 
mesma do crime consumado. O Reichstag rejeitou I com 
razão as comminações penaes do proj. de 1890, que eram 
muito mais rigorosas e sem imparcialidade recahiajn 
somente sobre os operários. 
§ 100. \u2014 Da sequestração da liberdade 
LITTERATURA. \u2014 Geyer, HEL 39, 587: Hàlschner. 
29, 133. 
I. \u2014 Sequestração da liberdade é a suppressão 
completa, comquanto transitória, da liberdade de 
locomoção, e portanto da faculdade de escolher o logar 
de residência, o que presuppõe a possibilidade de 
movimento (§ 97). Distingue-se do constrangimento 
em que não é coacção para a pratica de uma acção 
determinada, ou para uma determinada abstenção ou 
tolerância (a). 
(\u25a0) Não se pôde pois reduzir o facto constitutivo deste delicto á 
prisão ou detenção illegal de uma pessoa em um logar dado. O interesse 
que o direito nesta parte protege é o «da livre locomoção e livre escolha 
da residência»: tão punivel é, sob este ponto de vista, a detenção de um 
individuo em um logar determinado, quanto, por exemplo, a sua 
remoção forçada de um logar para outro e qualquer outro attentado 
contra a livre disposição da pessoa no concernente á sua locomoção e 
residência. Assim o art. 239 do G. p. ali., depois de mencionar o 
encarceramento, acerescenta a clausula geral \u2014ou privar alguém por 
outro modo da liberdade individual.\u2014 Não pertencem porém a esta 
categoria de deliotos os actos que, como bem observa Merkel, excluem, 
não uma determinada manifestação da vontade naquelle sentido, mas a 
liberdade mesma de deliberar \u2014 por exemplo, causar a embriaguez 
completa de alguém. N. do trad. 
\u2022 
106 TRATADO DE DIREITO Í>ENAÍ 
De accordo com o desenvolvimento histórico do 
crime, a lei (art. 239 do C. p.) individualisa como caso 
principal a prisão, isto é, a detenção em um recinto, 
seja por meios mechanicos, seja mediante suscitação 
ou utilisação de idéas que tolham a locomoção (medo, 
vergonha, sugestão hypnotica). Não importa que o 
logar tenha uma ou mais sabidas, si estas (como o 
agente sabe) são desconhecidas ao preso ou acham-se 
guardadas pelo aggnte ou pelos seus auxiliares. Como 
casos de sequestração da liberdade podem ser 
apontados: a detenção em um hospicio de alienados, 
em um claustro, em um bordel, o facto de amarrar e de 
encadear, de tirar a escada por onde álguem desceu a 
Um poço pro-| fundo, de pôr em estado de torpor ou 
em estado hypnotico. Também é circumstancia 
constitutiva deste crime a illegalidade ; é pois 
necessário que o agente tenha consciência de que o 
acto é illegal (§ 49, nota 4."). 
II. \u2014 O C. p. não enumera no art. 239, como fez 
na definição do constrangimento, os meios aderj 
quados á pratica do crime em questão. D'ahi se-| gue-se 
que não só a violência ou a ameaça de um crime ou 
delicto, senão também todos os meios em geral 
apropriados a influir sobre a liberdade de acção de 
outrem, são adequados para a sequestração da 
liberdade. Isto é especialmente verdade a respeito do 
artificio (§ 97). Somente quando o procedimento do 
individuo privado de liberdade apre-senta-se como acto 
seu, livre e doloso, é claro que não se trata mais de um 
crime. 
O crime consuma-se com a suppressão da liber-
dade, A sequestração prolongada e crime continuo. A 
prescripção não pôde pois começar a correr senão 
depois que tal situação tenha cessado (§ 77, nota 4.*). 
CRIMES E DELICTOS CONTRA A LIBERDADE 107 
\u25a0 III. \u2014 Penas: 
a) no caso simples, encarceramento de um dia até 
5 annos; 
b) si a sequestração prolongou-se por mais de 
uma semana, ou si do facto mesmo da sequestração ou 
do tratamento dado á victima durante essa situação, 
resultou uma grave offensa physica, reclusão até 10 
annos; occorrendo circumstancias attenuantes, 
encarceramento por tempo não inferior a um mez; 
c) si das circumstancias mencionadas sob b 
resultou a morte do offendido, reclusão por tempo não 
inferior a 3 annos; occorrendo circumstancias 
attenuantes, encarceramento não inferior a 3 mezes. 
Nos casos mencionados sob as lettras b e c a 
tentativa é punivel, quando o resultado (morte ou 
offensa physica) proveio da acção tentada (§ 45, nota 
8.*). 
§ 101. \u2014 III. Do rapto de homem 
LITTERATURA. \u2014 Dobbelmann, De crimine plagii, 1866; 
HálBChner, 2.% 137 ; Knitschky, G S., 44.°, 249. 
I. \u2014 Rapto de homem é a usurpação de poder 
physico immediato sobre um homem. No facto de 
apoderar-se o agente de um homem está a diffe-rença 
entre o rapto de homem e a exposição (§ 91); o 
primeiro delictò é offensa da liberdade, o segundo 
periclitação da vida. O crime em questão compre-
hende dois casos: 1.°, o rapto de homem propriamente 
dito; 2.°, o rapto de menor ('). 
(") Menschenraub, crime correspondente ao plagium dos Roma-
nos (D. 48, 15, C. 9, 20), que consistia na reducção de pessoa livre á 
escravidão e no furto de escravo. Sendo inapplicaveis as novas rela-
ções as disposições do direito romano sobre o plagiwm, Jeuerbacb, 
baseando.se no recessum imperii de 1612, ampliou o conceito deste 
108 TRATADO DE DIEEITO PENAL 
II. \u2014 Dá-se o rapto de homem propriamente 
dito (art. 234), quando alguém, por violência, ameaça
Estudante
Estudante fez um comentário
obrigada
0 aprovações
Carregar mais