TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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especial clareza, 
passaram com insignificantes modificações para o 
direito imperial e tem dado occasião % uma série de 
questões diflicilimas. O projecto de 1892 somente em 
parte as evitava. O chamado trafico de rapar rigas, 
considerado em si, não é sujeito a penas (b). II.\u2014 
Conceito. Segundo o art. 180 do 0. p., lenocinio é a 
assistência prestada por quem serve de intermediário, dá 
ou procura occasião para fins libidi-\ nosos. A 
libidinagem,, de que fala a lei, comprehende não só a 
copula fora do casamento, senão também a lascívia 
contra a natureza punível entre pessoas do sexo 
masculino (x). 
inflingindo mesmo a pena de morte, o que foi confirmado pela Ord. 
AfF., 1. 5, t. 1.6, fonte das compilações posteriores (Man., t. 29, Phil., t. 
82). Segundo este ultimo cod., incorreria em pena de morte e na perda 
dos bens o que alcovitasse mulher casada, a filha ou irmã daquelle com 
quem vivesse ou de quem recebesse bem fazer, ou alguma christã para 
mouro, judeu ou outro infiel; os pães que alcovitassem as próprias 
filhas eram punidos com acoutes e degredo para o Brazil e perda dos 
bens; e consentindo o marido que sua mulher lhe fizesse adultério, 
«seriam elle e ella açoutados com senhas capellas de cornos e 
degradados para o Brazil» (t. 25, \ 9). Este crime era mi generis, mas 
punido com penas mais brandas, quando a alcovitaria não produzisse o 
effeito intencionado (t. 32, | 7). N. do trad. 
(b) Só o é como um acto de proxenetismo. O «trafico de 
mulheres brancas» é uma figura criminal que deve ser especialmente 
prevista pela lei penal. Assim faz o projecto suisso (art. 10'4; ver o 
commentario de Stooss). N. do trad. 
(i) Em sentido contrario a opinião coram um (nomeadamente 
flãlschner, 2.", 687, v. Meyer, 1008, Olshausen, f 180, 2, e a dec. 
CRIMES E DELICTOS GONTRA A LIBERDADE 136 
De accordo com a doutrina presentemente cor-
rente, o lenocínio não deve ser considerado como 
cumplicidade no sentido do direito penal, mas como 
crime independente. 
I D'ahi seguem-se as seguintes conclusões : 
1.°\u2014O lenocínio não suppõe uma acção punível a 
que preste assistência, e até justamente observa-se que 
na grande maioria dos casos o lenocínio facilita a 
copula iliegitima simples e isenta de pena. Quando a 
assistência è prestada á libidinagem punível, a regra do 
art. 73 do C. p. decide si se trata de lenocínio ou de 
cumplicidade em um outro crime (c). 
2.°\u2014Ainda quando o acto libidinoso favorecido 
incorra em sancção penal, a punibilidade do lenocínio 
é completamente independente da existencia de culpa 
por parte daquelles que praticaram esse acto. 
3.°\u2014Nem toda prestação de assistência (de facto 
dada, e não simples proporcionamento intencional de 
condições mais favoráveis para a libidi- 
do Trib. do Imp. de 29 de Maio de 84) estende o conceito d* libidi-
nagem a outros actos impudicos, embora não puníveis.\u2014 Além do 
lenocínio, a cumplicidade em crime contra a moralidade é punível 
segundo os princípios gcraes. 
(") Sendo o lenocínio ura delicto especial e não ura simples acto 
de cumplicidade, pôde dar-se, ainda quando a libidinagem favorecida 
pelo proxeneta não seja punível. Assim a opinião commum e a 
jurisprudência dos tribunaes têm entendido que, qualquer que seja o 
acto de libidinagem,\u2014 ou conforme á natureza e não punível em 
virtude do art. 361, n. 6, do C. p., ou contra a natureza e não punível 
ex-m do art. 175 \u2014 a prestação de assistência pôde ser considerada 
como lenocínio punivel nos termos do art. 180. Divergem desta 
doutrina Merkel e o autor; segundo aquelle, a lei só se refere á copula 
fora do casamento e a actos análogos á copula, e segundo este, além da 
copula, a lei só se refere á libidinagem contra a natureza que sujeitou a 
penas. 3ÈT. do trad. 
\u2022 
136 TRATADO DE DIREITO PENAL 
nagem) (d) é lenocínio, e sim somente: a) a interme-
diação, isto é, a aproximação de pessoas (indicação ue 
casa, levar raparigas a bordeis ou tel-as prestes em 
bordeis etc.), e b) o facto de dar ou procurar! occasião, 
isto é, local para a pratica da libidinagem. 
Consequentemente o lenocínio pôde consistir na 
locação de casa á prostituta (e), e também no facto de 
não denunciar-se a terminação do respectivo contracto 
(a), de não impedir, de não vigjar, quando occorrem os 
requisitos geraes da punibilidade da omissão (§ 29) (3), 
e indubitavelmente consiste também no facto de ter 
bordel, ainda que consentido pela policia (*). 
(d) O autor allude á jurisprudência do Tiib. do Imp., segundo a 
qual a prestação de assistência é \u25a0 a disposição objectivamente mais 
favorável das condições da libidinagem como tal, não bastando a pura 
intenção manifestada de favorecel-a», isto é, faz-se mister que pela 
assistência as condições da libidinagem tenham sido de facto favore-
cidas. Ver Olshausen, § 180, 8. N. do trad. 
(\u2022) A jurisprudência do Trib. do Imp. e dos tribunaes superiores 
vâ na locação de casa á prostituta para o exercício da prosti-1 tuição 
uma prestação de assistência immediata á libidinagem por « 
offerecimento de local», e uma assistência mediata na locação de casa a 
quem quer convertel-a em bordel. Mas a simples locação de habitação á 
prostituta sem aquelle fim não é considerada como lenocínio, poisque a 
não locação neste caso já não seria somente deixar de favorecer a 
libidinagem, senão perseguil-a, o que a lei não exige. Como o lenocínio 
pode ser também praticado por omissão, considera-se lenocínio a 
abstenção, por parte do locador de habitação á prostituta, de denunciar a 
terminação da locação ou de propor a acção de despejo, quando o possa 
fazer segundo a lei e segundo o contracto, depois que souber que a 
locatária scrve-se da casa para a prostituição. Ver Olshausen, 1. c. N. do 
trad. 
(') Ver a dec. do Trib. do Imp. de 8 de Maio de 93, 24a, 166. 
(*) Incorre, portanto, em pena o marido que não impede; dec. 
do Trib. do Imp. de 9 de JPev. de 92, 22.°, 282. 
(*J O material concernente a esta questão que hoje não é mais 
CRIMES B DELICTOS CONTRA A LIBERDADE 137 
'4.°\u2014 0 facto de facilitar ao mesmo tempo a libi-
dinagem de varias pessoas não constitue mais do que 
uma acção e portanto não constitue mais do do que um 
crime. Facilitar varias vezes a libidinagem das mesmas 
pessoas pôde constituir um crime continuado. 
5.° \u2014 As pessoas, cuja libidinagem é facilitada, 
não se fazem culpadas de instigação ou de cumpli-
cidade no leiaoeinio, segundo a regra estabelecida no 
§ 52, V (6). 
discutida (especialmente os dez pareceres de faculdades jurídicas da 
Allemanha) encontra-se na obra Doa deutsche StQB. und die polizeilich 
konzessionierten Bordelle, 1877; accrescente-se O. Meyer, W V, 2.°, 456. 
Nesta, como em outras matérias, não tem importância a falta de consciência da 
ilegalidade. Si o rufião limita-se a proteger e acompanhar a prostituta, sem 
levar-lhe freguezes, não é proxeneta. Em sentido contrario a dec. do Trib. do 
Imp. de 17 de Out. de 84, 11.°, 149, bem como Olshausen, j 180, 7 ('). 
(') A instituição de bordeis está comprehendida na disposição do art. 
180 do O. p. ali.; os emprezarios incorrem nas penas do lenocínio. O facto de 
ter sido concedida uma autorísação policial nada faz ao caso, pois a polícia não 
pôde dispensar na lei penal; tal autorísação é illegal e nulla. Neste sentido 
julgou o Trib. do Imp. e se têm pronunciado geralmente os escriptores de 
direito administrativo e os criminalistas, e assim opinaram dez das faculdades 
jurídicas da Allemanha.\u2014 Entretanto, observa v. Meyer (W V, 1. c), a policia 
procede como si tivesse a faculdade de conceder taes autorisações. Somente 
persegue os que abrem bordeis sem a sua permissão; respeita pelo contrario a 
autorísação concedida, como si fora efficaz e regular, uma vez que o 
emprezario se sujeite á sua inspecção e observe as suas prescripções. A menor 
falta de
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