TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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docilidade pôde dar occasião a que a autoridade policial use do meio 
coercitivo de que dispõe \u2014 a lei penal em estado de infracção continua. «A 
policia acha-se assim na situação do credor que fez o seu devedor passar uma 
letra falsa para tel-o nas mãos incondicionalmente ». N. do trad. 
(*) Egualmente a opinião commum. Ver Olshausen, § 180, 14. Contra, 
a dec. do Trib. do Imp. de 13 de Abril de 92, 23.°, 69. 
138 TRATADO DE DIREITO PENAL 
III. \u2014 EspeciesJ 
A lei não commina penas contra o simples favo 
recimento da libidinagem de outrem, mas somente 
contra certos casos graves de lenocínio. Esses casos 
são: 
1.° \u2014 O lenocínio habitual (§ 55, III, 3) ou 
exercido por amor do lucro (C. p., art. 180). Á\ 
expressão \u2014 por amor do lucro \u2014 designa a intenção 
de lucro, isto é, a intenção de objer para si ou para 
outrem um proveito patrimonial illegal (cens. sobre 
esta idéa o § 138, II, a respeito da burla). Não bastam, 
pois, vantagens de outra natureza, como seja prevenir 
ou obstar uma denuncia criminal, a promessa de 
casamento ou copula, um bródio etc. (6). O delicto 
consuma-se com a prestação da assistência, sem que 
seja necessária a pratica da libidinagem. 
Penas : encarceramento; podem ser pronunciadas 
a perda de direitos cívicos e a sujeição á vigilância 
policial. 
2.° \u2014 O lenocínio qualificado (art. 181), a saber: 
a) o emprego de manobras fraudulentas ten-
dentes a favorecer a libidinagem, (7) e portanto o susci-
tar ou alimentar um erro por meio da simulação de 
factos, ou pela suppressão ou alteração de factos 
verdadeiros: por exemplo, o facto de embriagar, de 
attrahir uma mulher sob o pretexto de proporcio-nar-
lhe uma collocação ou emprego. O crime conf suma-se 
com a prestação da assistência (ás mais das vezes com 
o emprego do artificio). 
b) O lenocínio dos pães para com os filhos, dos 
(\u2022) De accordo Benner, 485, nota 1?, Hâlschner, 2.°, 690, nota 
2?; contra, Geyer, 2.°, 86, v. Meyer, 1002, nota 93, Olshausen, g 180, 
11, dec. do Trib. do Imp. de 8 de Maio de 87, 16, 56. Cons. também] 
Simonson, Der Begriff de» Vorieils und seme Sttllung im deuischtn 
Strafrecht, 1889. 
(T) Ver o J 97, nota 3. 
CRIMES B DELICTOS CONTRA A LIBERDADE 139 
tutores para com os tutelados, dos ecclesiasticos, 
professores e educadores para com as pessoas a quem 
instruem ou educam. Como pães consideram-se tam-
bém os adoptivos e os de criação, bem como os 
padrastos, mas não os avós e o sogro e a sogra. M« Si 
os filhos figuram activa ou passivamente, si exercem a 
libidinagem « com outros ou outros com elles », é 
circumstancia tão indiflferente como o respectivo 
sexo.g Apartando-se do direito commum, a lei não 
individualisou o lenocinio do marido em relação á 
mulher. A consuminaçâo só se dá com a pratica da 
libidinagem (« pessoas, diz a lei, com as quaes os actos 
de libidinagem foram praticados »). O dolo do agente 
deve envolver também a consciência da relação em 
que elle se acha para a pessoa a quem corrompe. 
B Penas: reclusão até 5 annos; por excepção a 
privação dos direitos cívicos é aqui prescripta obri-
gatoriamente; o juiz pôde autorisar a sujeição do 
condemnado á vigilância policial. 
§ 108. \u2014 VI. Causar escândalo publico e 
distribuir escriptos obscenos 
LITTERATURA. \u2014Hálsçlmer, 29, 694 ; as monographias de 
Binding, Kõhler, Schauer mencionadas no § 102; Reiffel, G A-, 
299, 1 e 39?, 6; Scholl, 55., 139, 279. \u2014 Ao n. III, 
especialmente os commentarios da lei por Klein-feller, Klemm, 
1888. (Z., 9?, 563); ahi, como na Z., 89. 376 e 385, encontram-
se outras indicações sobre a litteratura. 
I. \u2014 De accordo com o art. 330 do C. p. francez 
e com o art. 150 do Cod. prussiano, o C. p. imp. no 
art. 183 pune « quem por um acto impudico der 
publicamente escândalo». A expressão !« acto 
impudico » deve ser tomada em sentido amplo (§ 
102); tal seria a copula entre cônjuges consum- 
140 TRATADO DE DIREITO PENAL 
mada de publico. Consideram-se como actos não ffi as 
manifestações verbaes, senão também as omissões ('). 
Escândalo é a offensa do sentimento moral (2). O 
escândalo deve resultar do acto (e, na verdade, do acto 
mesmo, e não da circumstancia de se tornar publico), 
isto é, deve alguém, de facto, ter-se escandalisado, 
ainda que fosse somente a pessoa contra quem o acto 
impudico se dirigia; não basta, pois, que o acto seja 
próprio & causar escândalo, embora de facto não o 
tenha causado. Não se faz mister um escândalo publico, 
mas sim que o escândalo seja publicamente dado; o 
acto impudico deve portanto ser publico, isto é, 
praticado de modo que possa ser observado 
indeterminadamente por muitas pessoas, e não somente 
por um circulo limitado de determinadas pessoas (). 
Penas: encarceramento até 2 annos ou multa até 
COO marcos; conjunctamente com o encarceramento 
pode ser infligida a perda dos direitos cívicos. 
II. \u2014 A divulgação de escriptos, figuras e repre- | 
tentações obscenas (art. 184); delicto este com o qual 
muitas vezes se oceupara a legislação do período do 
direito commum. São isentos de pena o preparo, o 
annuncio e o facto de ter á venda. A divulgação, de que 
são casos, como a lei especialisa, a venda e a 
distribuído, suppõe (não assim a communicação) que o 
objecto se fez accessivel ao publico, e portanto a | um 
circulo não limitado de pessoas determinadas (*). 
(') De aecordo presentemente a opinião commum; em especial 
Olshausen, § 183, 2. Contra, v. Meyer, 1000. 
(') Não o perigo ou o damno moral. Não assim Berner o ScholL 
(*) Não estão portanto neste caso os actos praticados no com-
partimento de um trem em viagem (e corridas as cortinas das janellas). 
(*) Demonstra-o a contraposição estabelecida no mesmo art. 184 
com a exposição em «logares que são accessiveis ao publico». Ver # 
desenvolvimento no PressreeM de v. Liszt, £ 42. Muito incerta a júris- 
CRIMES E DELICT0S CONTE A A LIBERDADE 141 
Divulgado é o escripto, desde que facilita-se o tomar 
conhecimento delle; ainda não se divulgou, quando 
apenas está em preparo ou quando apenas está pre-
parado. E' o escripto mesmo (a figura, a representação) 
que deve ser divulgado, isto é, a obra impressa, a 
representação figurativa, como taes, devem tor-nar-se 
accessiveis; não basta ler perante outrem, contar etc. A 
lei equipara á divulgação o facto de expor ou afn$ar 
em logares, que são « accessiveis ao publico ». Quem 
pinta ou desenha uma figura em uma parede, a expõe. 
Mas em todo caso o conteúdo do escripto, da 
representação etc. deve ser accessivel á observação do 
publico; não basta, por exemplo, que o livreiro 
exponha no seu mostrador um livro obsceno fechado, 
de modo que só se possa ler o titulo! Obsceno é o 
escripto, quando a matéria que delle faz objecto é 
tratada de modo a offender gravemente o decoro no 
ponto de vista das relações sexuaes. Uma obra 
puramente scientifica ou artística, considerada em si, 
não incide nunca nesta idéa (5). 
Penas : multa até 300 marcos ou encarceramento 
até 6 mezes. 
5 ni. \u2014 O art. 4 da lei de 5 de Abril de 1888 
sobre os debates judiciários em sessão secreta ac- 
crescentou o seguinte alínea 2.° ao art. 184 do C. p.: 
« Incorre na mesma pena aquelle que fizer pu- 
prudencia do Trib. do Imp. De um lado muitas decisões accentuam que 
a lei não exige uma divulgação feita de publico, e de outro lado o Trib. 
exclue as communicações confidenciaea e quer uma divulgação «sobre 
base mais larga». Oons. também o § 118, nota 2? Olshausen, { 110, 
acompanha o Trib. 
(*) Como 6 difficil traçar a linha divisória, faz-se mister uraal 
redacção muito cautelosa da lei. O mais acertado seria sujeitar á pena 
somente quem tratasse da vida sexual por amor do lucro. É digno de 
critica o projecto de 1892. 
142 TBATADO DE DIREITO PENAL 
blicamente communicações próprias a causar escân-
dalo a respeito
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