TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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a 
honra não é um bem sujeito á livre disposição do individuo. N. do trad. 
(*) Portanto o divorcio em razão de um adultério importa a impunidade 
de todos os outros. Produz o mesmo effeito a impossibilidade jurídica do 
divorcio, v. g., por compensação no adultério, segundo o direito ecclesiastico 
commum.\u2014 O divorcio é condição de punibilidade ; ver o \ 112, nota 2? E' 
completamente arbitraria a distincção que faz Stein, Doa private Wissen des 
Richters, 1893, nota 8?\u2014 Surgem dificuldades, quando dá-se «adultério duplo 
ou simultâneo». Neste caso o co-delinquente casado pôde ser punido, embora 
seu casamento não seja dissolvido e o seu cônjuge não dè queixa (d). 
(*) Só o adultério, sobre que se baseou a sentença de divorcio, pôde ser 
objecto de procedimento criminal; todos os outros ficam pois 
\u2022 
CEIMES OONTEA OS DIEEITOS DE FAMÍLIA 163 
se com o ajuntamento das partes genitaes; não é 
necessário o derramamento de sémen. I 
I O processo depende de queixa, cujo prazo começa a 
correr desde o transito em julgado da sentença de 
divorcio (§ 43, nota 6.'), ao passo que a prescripção da 
acção já começa a correr, segundo à regra geral, desde 
a pratica do adultério; mas, em virtude do disposto no 
art. 67 do C. p., a prescripção lnterrompe-se durante o 
curso do processo de divorcio. A pena do adultério é 
encarceramento até 6 mezes. 
impunes.\u2014 O art. 172 do C. p. ali. dispõe que, decretado o divorcio, 
podem ser punidos pelo adultério o cônjuge culpado e o seu cúmplice. 
D'ahi conclue-se que, no adultério simultâneo, basta ter sido decretada 
I a dissolução de uma das duas sociedades conjugaes para que o co- 
I delinquente no adultério possa ser punido, embora o seu cônjuge não 
tenha pedido o divorcio nem dado queixa. N. do trad. 
V. \u2014DEUCTOS CONTRA A LIBERDADE DE 
RELIGIÃO E O SENTIMENTO RELIGIOSO 
§ 115. \u2014 Historia e conceito 
LITTEBATURA. \u2014 Wahlberg, H H, 39, Villnow, G S, 
319, 509, 579; Hager, Beitràge zur Lehre von den Reli-
gionsvergehen, 1874; Bott, Zur Lehre von den Religions-
vergehen, diss., 1890 ; Kõhler, 19, 160 : Fuld, G A, 39, 142, 
Wach, Deutsche Zntsehrift fur Éirchenrecht, 29, 2, 261. 
Crusen, Der atrafrechtliche Schutz ães Rechtsgutes der 
JPietãt, 1890 (monographias do Kriminálist. Seminar, 2, 1); 
Stooss, Grundziige, 29, 182 ; Hinsehius, Éirchenrecht, 49, 
790: Th. Moininsen, tia Èistorische ZeiUchrift de Sybel, 
449, 389. 
I. \u2014 Poucos crimes ofíerecem maiores dificul 
dades do que os delictos contra a religião quanto 
a uma concepção verdadeira e fundada em princi- 
pios, bem como quanto a sua classificação no systema, 
aliás dependente daquella concepção; poucos crimes 
têm passado por transformações mais frequentes e 
mais rápidas no concernente a sua natureza, extensão 
e conteúdo. fl 
1.°\u2014Das doutrinas do judaismo deriva a concepção 
de que a ordem civil tem a missão de proteger a divindade 
vingadora contra a injuria impia. 
DBLIOTOS CONTRA A LIBERDADE RELIGIOSA 165 
Destfarte Deus foi rebaixado á condição de homem, e em 
torno da blasphemia agruparam-se outros crimes de 
religião com o caracter de crimen loesce magestatis 
divince, que é o primeiro e o mais grave de todos e se 
modela nas suas circumstancias constitutivas pelo crime de 
lesa magestade humana, assim como a idéa do soberano 
divino se modela pela do soberano terrestre. 
Tal fdl o ponto de vista do direito romano 
ulterior, quando na Nov. 77 decretou contra a blasphemia a 
pena de morte pelo fogo afim de que não recahisse sobre o 
império a cólera da divindade não aplacada. Sobre esta 
novela assenta o recessus im-perii da dieta de Worms de 
1495, o qual, por sua vez, sérvio de fundamento ao art. 
106 da Carolina. Este cod. comminou penas corporaes \u2014 
pena capital ou de perda de membros (perda dos dentes, 
segundo as constituições saxonias, 4.°, 1, e a 
Josephina de 1707; cons. Gunther, 2.°, 62, e também a 
Z, 9.°, 210), contra aquelle que «attribuisse a Deus o que a 
Deus não convém, ou por palavras negasse a Deus o que 
a Deus compete, e offendesse a omnipotência divina ou a 
virgem Maria, Santa Mãe de Deus.» No direito commum 
notam-se muitas vacil-lações. A's mais das vezes 
distinguiam-se a blasphemia directa e a indirecta e punia-
se a primeira com a morte. Encontram-se também, 
principalmente nas constituições criminaes do Império 
de 1548 a 1577 numerosas disposições contra o 
«jurar e rogar pragas.» Era egualmente punida a falta de 
denunciação. Embalde os escriptores do período 
philosophico (Montesquieu, Quístorp e outros) pleitearam 
a causa da impunidade. José 2.° decretou em 1787 
(posteriormente proposta Martini) a prisão no hospicio dos 
loucos. Só no Allg. Landrecht prussiano, art. 217 
(«quem der occasião a escândalo vociferando de 
publico grosseiras injurias ») 
WM 
166 TBATADO DE DIREITO PENAL 
encontramos um ponto de vista novo e aprove^ 
tavel('). 
2.°\u2014O Christianismo,. tendo sido elevado no Império 
romano á religião de Estado, foi protegido por diversas 
disposições penaes. A apostasia e a heresia figuraram 
como crimes politicos, bem como desde 425 (Valentiniano 
3.°) , a confissão de paganismo. 
Na edade média allemã a heresia «pertencia á júris 
dicção ecclesiastica, e nos textos civis é ás mais das vezes 
comminada contra ella a pena de morte pelo fogo (Esp. da 
Saxonia, 2.°, 13,7). Em território allemão a primeira 
queima de herege teve logar em 1229 (Osenbriiggen, 90). 
E' também este o ponto de vista da Bamberguense, art. 130. 
O silencio da Carolina deixou os movimentos livres á 
legislação territorial. O Brandenburgo em 1582, as 
ordenanças tyrolenses e numerosas ordenanças austríacas 
do XVI e XVII séculos mantiveram a pena de morte. 
Carpsov, porém, pedia o banimento. Já em 1697 
Thomasius impugnava a criminalidade da heresia. Mas 
ambos os crimes encontram-se ainda no direito bavaro de 
1751 e no austríaco de 1768. Também os escriptores do 
período philosophico, embora sob um outro ponto de vista, 
mantiveram esta concepção. Ao seu ver, a religião é que 
ministra as rédeas, com que o Estado governa os súbditos 
(Sonnenfels). Em 1787 a Áustria sujeitou a penas a 
propagação de doutrinas erróneas e a seducção 
(") Em Portugal uma lei de D. Diniz de 7 de Junho de 1368 mandou 
arrancar a língua ao blasphemo e queimai-o vivo, rigor que os eod. posteriores 
(Aff., 1.1, t. 99, Man., t. 34, Phil., t. 2) modificaram, impondo pena pecuniária 
e a de degredo (bem como a de açoutes no caso de ser peão o delinquente). M. 
Freire, I. J. Orim., 1. 2, t. 16. N. do trad. 
PELIOTOS COlfIBA A LIBEEDADE RELIGIOSA 167 
para a apostasia enrista, e a Prússia em 1794 a fundação de 
seitas. Ainda presentemente Portugal protege a religião do 
Estado. 
Na Áustria só se operou mudança na legislação pela 
lei de 25 de Maio de 1868 ; mas os novos projectos 
austríacos coinminam também penas contra aquelles que 
tentarem publicamente destruir a fé em Deus. 
A meswa concepção, com quanto modificada na 
forma, reapparece em nossos dias nos escriptos dos 
criminalistas, segundo os quaes a religião, «sendo 
por si um dos fundamentos da nossa vida nacional », 
deve ser posta sob a protecção do direito penal 
(Wahlberg, Kòhler, Bott e outros) ("). 1 
3.°\u2014 A verdadeira concepção assenta sobre o 
principio de que o Estudo deve limitar a sua missão nesta 
matéria a proteger a liberdade da fé religiosa contra a 
ofiensa injuridica. Desfarte a perturbação do culto 
religioso, a turbatio sacrarum, já re]» rim ida com pena 
capital no direito de Justiniano (Nov. 123, cap. 31) vem a 
ser o ponto essencial nos crimes de religião. O AUg. 
Landrecht adoptava em parte o mesmo principio que é 
resolutamente observado pelo cod. francez. Na legislação
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