TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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que entre a 
resolução e a execução deve medear, no caso de assassinato, um certo espaço de 
tempo mais ou menos longo. Com effeito, cara-cterisar a resolução calma e 
reflectida pelo decurso do tempo, como faz o nosso C. p., art. 39, | 2, é facultar 
aos peiores assassinos, aquelles que são capazes de conceber e de executar 
immediatamente o crime a sangue frio, uma causa de attenuação de pena. N. do 
trad. H (>) O Cod. prussiano diz no art. 176: «quem mata dolosamente e com 
reflexão»... e do mesmo modo a maior parte dos coda. allemães. Que a redacção 
do C. p. imp. não expressa uma alteração real é contestado pelo Trib. do imp. e 
pela opinião commum. Correcto é especialmente Hãlschner, 2.°, 52, nota 1?\u2014 
Mas é inútil dizer que a letra do O. p. é que regula quanto a formulação dos 
quesitos no processo perante o jury e em geral quanto ás circumstancias que 
devem ser declaradas na sentença. 
 
o 
16 TRATADO DE DIREITO PENAL 
gação ao assassinato pôde ser punível como homicidio] 
simples e vice-versa (2). 
II. \u2014 O homicidio é punido com pena maisl 
branda (C. p., art. 213), quando o agente, excitado 
por violências ou injurias graves dirigidas contra a 
sua pessoa ou contra a pessoa de algum dos seus 
parentes, ás quaes não deu causa, é levado imme- 
diatainente a praticar o facto, ou quando se dão 
outras circumstancias attenuantes. e 
m Pena: encarceramento por tempo não inferior 
a seis mezes. Também aqui o homicidio conserva o 
caracter de crime; a tentativa é pois punível 
(§ 25, IV). § 
« Violências e injurias graves »: estas expressões 
não devem ser tomadas no sentido technico, nellas se 
comprehende também, por ex., o adultério.\u2014 O 
adverbio «immediatamente» não se deve entender com 
relação ao logar e ao tempo, significa a continuação da 
emoção violenta que a a Afronta provocara.\u2014 O art. 
213 do C. p. imp. deriva do art. 231 do C. p. francez. O 
mínimo excessivamente brando de seis mezes de 
encarceramento só foi admittido durante a discussão 
parlamentar do cod., resultando d'ahi uma insolúvel 
contradicçSo com os arts. 216 e 217, que fixam 
máximos superiores 
III. \u2014 Casos punidos com maior rigor (excluída 
a attenuação do art. 213): I 
1.°, o homicidio commettido para que o agente 
remova o obstáculo que se oppõe á execução da 
infracção emprehendida, ou para que evite ser sur-
prendido em flagrante (C. p., art. 214). 
2.°, O homicidio commettido na pessoa de um 
ascendente (C. p. art. 215). 
(*) Egualmente Berner, 280 e 603, Hãlsctaner, 1? 489, v. Moyer, 
281. Contra, Geyer, H H, 4?, 162, Merkel, 807, Olshausen, \ 60, 6. 
DO HOMICÍDIO 17 
Ambas estas disposições derivam do C. p. fran-cez 
(art. 304 e 302). \u2014 A pena ê reclusão de 10 a 15 annos 
ou reclusão perpetua. O cod. prussiano de 1851 infligia 
a pena de morte. \u2014 O emprehendi-mento coruprehende 
também os actos preparatórios (§ 47, nota 2.") (3). \u2014 A 
acção emprehendida deve ser punivel segundo o direito 
allemão, embora não o seja segundo o direito imperial. 
\u2014 A proposição \para designa a intenção como 
motivo. \u2014 A pena grave do art. 215 não recae sobre o 
co-autor ou cúmplice que não é parente da victima. 
§ 83. \u2014 Do infanticídio 
LlTTEttATURA. \u2014 Jordan, Bigriff und Sfrafp âea Kin-
Idmmordcs, 1844; Knntze, Der Kindesmord, 1 860; v. Kleisr, 
Das Yerhrecheu der Khiâexlotunfl, 1862; v. Fabrico, Lehre von 
der Kindesabtreibung ioid wrm Kindeiemovd, 1868; Welirli. \Der 
Kindesmord, 1889; Clolsmann, Die Kindestòlimg, 1889 (sem 
importância). \u2014 Cons. Dõrfler nas BHittern fur ge-íriehfíiehe 
Medizin de Friedreioh, 44.", 269. 
B I. \u2014 O infanticídio, que o direito romano não 
especializou em nenhum dos seus períodos, converteu-
se no direito allemão sob a influencia da Egreja em 
crime distincto, mas em contraste com as disposições 
brandas dos penitenciaes (que já indicavam a vergonha 
como o movei da mãe iIlegítima e contemplavam o 
infanticídio entre os crimes da carne), era punido com 
a pena de morte (enterrar a ré viva e empalar). Tal é 
também o ponto de vista da Carolina, cujo artigo 131 
assim se expressa: «as mulheres que matam secreta, 
voluntária e perversamente os filhos, que delia 
receberam vida e membros, são 
(*) Egualmente Geyer, 2.°, 6, Hiilschncr, 2.°, 45, v. Holtzen- 
dorff, H H., 3 °, 441, Olshausen, { 214, 2. Conirà, v. lleyer, 518 
e outros. 
T. ii ai 
18 TRATADO DE DIREITO PENAL 
enterradas vivas e empaladas segundo o costume. | 
Para que se evite o desespero, sejam essas malfei- j toras 
afogadas, quando no logar do julgamento houver j para 
isso commodidade d'agua. Onde, porém, taés crimes se 
dão frequentemente, permittimos, para maior terror de 
taes mulheres perversas, que se observe o dito 
costume de enterrar e empalar, ou que, antes da 
submersão, a malfeitora seja dilacerada com tenazes 
ardentes ». Na alta Aliem?nha (onde, como na Áustria, 
em geral não era costume a sub- | mersao) a praxe 
contentava-se ás mais das vezes | com a decapitação; 
em outros logares, como em j Breslau (Z., 10.°, 13), 
executou-se o empalamento | de facto até o século XVII 
e depois simbolicamente (GHinther, 1.°, 262, 2.°, 68). A 
Saxonia fazia uso do culeus (cont. sax., 4.°, 3). Esta 
pratica foi introduzida na Prússia em 1714, mas abolida 
em 1740. Cedo (já no começo do século XVIII) (*) a 
litteratura do direito natural apoderou-se da questão | do 
infanticídio e assignalou a serie de circumstancias 
attenuantes que tornam patente a injustiça da pena de 
morte; segundo a opinião desses escriptores, o que 
sobretudo importa são as medidas preventivas. Não 
tardou que a legislação os seguisse. O edicto prussiano 
de 1765 restringio a applicação da pena 
(*) Já nas Meditationen de Leyser. Servin e outros entendiam 
mesmo que o facto devia ficar completamente impune. A questão posta 
a concurso em 1780 por Dálberg e Michaelis sobre os melhores meios 
para a prevenção do infanticídio provocou uma alluvião de escriptos 
mais ou menos frívolos. Veja-se especialmente o trabalho de Pestalozzi 
publicado em 1783 sem o nome do autor : Ueber Gesetzgébung und Kin-
desmord. W uma mescla de verdades e de phantasias, de investigações e 
de figuras. \u2014 O infanticídio é ao mesmo tempo o assumpto favorito da 
litteratura amena do tempo. Sobre o decenmo de 1770 a 1780 (espe-
cialmente o Kindesmòrderin de Schiller) cons. Max Koch, Helftrwh 
Peter Sfurz, 1879, p. 210. Do lado opposto estava J. Mõser (Abeken 1.°, 
868, 2.°, 164), que censurava a brandura da nova legislação, 
DO HOMICÍDIO 
de morte, e a Theresina de 1768, comquanto ainda 
prescrevesse o empalamento do cadáver, Agava sobre-
tudo importância á prevenção do infanticídio. Muito 
frisante é o direito commum prussiano de 1794 (2.°, 20, 
902) que obriga a mãe a instruir a filha de 14 annos 
sobre os signaes da gravidez e o modo de atar o cordão 
umbilical. Nada obstante, encontramos sempre a pena 
de morte, que pela primeira vez a Áustria em 1803» e a 
Baviera em 1813 aboliram. Desde Ientão o infanticídio 
tem conservado na legislação allemã (não assim na 
Inglaterra e na França) a sua posição privilegiada, 
accrescendo que só a minoria das legislações (inclusive 
o cod. austríaco e o hol-landez, bem como os Cod. da 
Suissa franceza) equipara em these a mãe legitima á 
illegitima. 
II. \u2014 Infanticídio é o homicídio doloso (com ou 
sem reflexão) do filho illegitimo pela mãe durante o 
parto ou immediatamente após o parto (C. p., art. 217). 
A expressão infanticídio comprehende, pois, tanto o 
assassinato como o homicídio simples do recem-
nascido. O infanticídio culposo deve ser punido 
segundo o art. 222. 
Hl. \u2014 Objecto do infanticídio é o filho, e não o 
feto (§ 80, nota 1.*), e, na verdade, o filho na occasião 
do parto, isto é, desde a cessação da respiração 
placentaría
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