TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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de ado-| ração». Assim o Trib. do Imp. 
julgou que naquelle artigo não está comprehendida a offenea a dogmas. N. 
do trad. 
172 TRATADO DE DIREITO PENAL 
IV.\u2014 Perturbação do culto (obstar ou perturbar) 
alguém, mediante vias de facto (aqui a expressão é 
synonyma de violências, § 97) ou ameaças, no 
exercício do culto (adoração em com-mum) de uma 
sociedade religiosa estabelecida no Estado (no 
território federal). O facto de coagir ao exercício do 
culto só é punível como constrangimento. 
2.°\u2014 O facto de impedir ou perturbar dolosa-
mente o culto ou actos do culto de uma sociedade 
religiosa, causando arruido ou desordem em uma 
egreja ou em outro logar destinado a assembléas 
religiosas. 
Prevalecem com relação á exclusão da ille-
galidade os principios geraes. E' pois admissível a 
legitima defesa da honra contra manifestações inju-
riosas por parte de um ministro do culto (s) (c). 
Penas : encarceramento até 3 annos. 
V.\u2014 A perturbação do repouso dos mortos e da 
paz das sepulturas. 
Crime punido na infância dos povos com especial 
rigor. O direito romano converteu a sepulchri violatio 
em crime sui generis (D. -17, 12, C. 9, 19). Numerosos 
textos das leis barbaras da Allemanha occuparam-se 
com a perturbação do repouso dos mortos; o direito 
franco comminava contra quem profanava um 
cadáver a privação da paz fwargus 
(*) Dec. do Trib. do Imp. de 24 de Nov. de 90, 21.°, 168. Ver porém o 
$ 32, nota 6. 
(°) Um certo cura de Neuenweg, discorrendo em uma predica sobre a 
situação da communa, usou de expressões um tanto vigorosas que offenderam 
o burgo-mcstre; este, não podendo mais conter-se, exclamou: \u2014 basta, bastai e 
abandonou a egreja. Accusado como incurso no art. 167 do O. p., o burgo-
mestre foi absolvido graças á hábil defesa do seu advogado que demonstrou ter 
applicação ao caso a idéa da legitima defesa. Neste sentido julgou o Trib. do 
Imp. N. do trad. 
DELICTOS CONTRA A UBERDADE RELIGIOSA 173 
sit; acima § 4, nota 2). Na edade média posterior encontra-
se mensão especial do esbulho de cadáver freraub, reroupj. 
O direito commum manteve, apezar do silencio da 
Carolina, a concepção allemã e em certas circumstancias 
impunha mesmo a pena de morte (o direito prussiano de 
1620). A nova legislação colloca «a perturbação do 
repouso dos mortos» (dec. do Trib. do Imp. de 12 de 
Março de 85, 12.°, 168) entre os#delictos de religião. Com 
effeito, of-fende-se o sentimento religioso (de que é uma 
espécie a piedade), e não simplesmente o dos parentes do 
defunto. É' pois indifferente a consagração religiosa da 
sepultura. Além disso, os cemitérios são protegidos pelo 
art. 166 e 167 do C. p. 
No art. 168 o C. p. qualifica: 
1.° \u2014 A tirada illegal de um cadáver da custodia de 
quem está autorisado a guardal-o (8). 
Cadáver é o corpo humano privado de vida, 
emquanto a connexão das partes não cessa de todo ; é 
portanto a múmia, mas não o são as cinzas resultantes da 
cremação do corpo. O feto nunca é corpo humano (§ 80, 
nota 1). Quando o cadáver, por venda a um amphitheatro 
de anatomia, torna-se objecto de commercio, converte-se 
em cousa, que é susceptível de furto, desvio, damno, mas 
não mais do crime de que trata o art. 168. 
O cadáver deve ser tirado (7) da custodia de quem* 
está autorisado a guardal-o; si falta este requisito, i como 
acontece com relação a cadáveres que se decompõem 
no campo insepultos ou que o 
(*) Ver o art. 867, n. 1, segundo o qual incorre em multa até 
160 marcos ou em detenção quem, sem sciencia da autoridade, enterra 
ou supprime um cadáver, ou indevidamente tira uma parte de um 
cadáver da custodia da pessoa autorizada a guardal-o. 
(') Somente é punível a tirada do cadáver, e não o insulto, a 
offcnsa. 
174 TRATADO DE DIREITO PENAL 
rio comsigo trouxe, ou que foram encontrados em tumuli e 
necrotérios antigos, não se pôde dar o crime em questão. 
Quem é apenas co-detentor (por exemplo, o coveiro) pôde 
usurpar a detenção exclusiva e portanto tirar (§ 125, III). 
2.° \u2014 A indevida destruição ou damnificação de 
sepulturas, isto é, daquelles Ioga res em que de um modo 
característico o cadáver é inhumado. Gomo sepultura 
considera-se o montículo áê terra que se eleva sobre a cova, 
o cercado, a plantação (8) (não as grinaldas depositadas 
sobre a sepultura), o ataúde com o corpo, e também os 
túmulos ou mausoléos; mas o damno feito a estes é punível, 
segundo o art. 304 do C. p. 
3.°\u2014 O desacato praticado {ver acima o n. III\u2014 
para com (e não necessariamente 8Óbre)uma sepultura 
(esta deve ser o objecto do attentado). 
Penas \u25a0: encarceramento até 2 annos ; facultati-
vamente perda dos direitos cívicos. 
(e) O facto de colher flores só como damnificação das plantas é 
também damnificação da sepultura. 
VI.-VIOLAÇÃO DO DOMICILIO E VIOLAÇÃO DE , 
SEGREDOS ALHEIOS 
§ 117.\u2014 I. Da violação do domicilio 
LITTEEATUEA. \u2014Brunner, 2.°, 653; Osenbrúggen, Die 
Lehre vom Hnusfrieãen, 1857; Jãger, Der Hausfriãejisbmeh, 
diss., 1885; Glaser, monographias, 1858; John, H H., 3.°, 
254; Hãlschner, 2.° 144. 
I. \u2014 Direito domestico ou domiciliário ê o, interesse 
juridicamente protegido da livre manifestação da própria 
vontade na própria casa, do livre governo do lar domestico 
; bem juridico aparentado com a liberdade individual, mas 
de natureza especial (1). i» O direito romano não qualificou 
a violação do domicilio como crime sui generis, 
comquanto nas leis romanas se notem multíplices 
tendências a assignalar este delicto. 
Assim a pretendida lei Cornélia (acima, § 3) ineluio 
entre as iryurioe atroces, ao lado do puhare e do 
verberare, o domum vi introire, e o direito posterior 
qualificou o delicto especial dos directarii, «qui 
*'í|| 
(') De accordo Olshausen, $ 128, 2. Análoga é a pat campestre (C. p-, art. 
868, n. 9, lei policial da Prússia sobre os campos e as florestas, art. 9). 
176 TRATADO DE DIREITO PENAL 
in aliena ccenacula se dirigunt», sem, todavia, formar uma 
concepção clara e precisa desta tentativa de furto 
especialmente aggravada. 
Nas fontes da edade média, pelo contrario, a 
perturbação da paz do burgo e da casa (a hérnia-suchung) 
teve desde o começo o caracter de um crime absolutamente 
especial, dirigido contra um bem jurídico independente. 
Quer se especialise, como no direito primitivo, o assalto 
violente com séquito armado {hariraido), quer, como na 
edade média posterior, a invasão por parte de um 
individuo, é sempre a autoridade sobre o lar que figura 
como objecto do delicto. «Queremos, lê-se em numerosos 
direitos muniçipaes, que cada burguez tenha em sua casa a 
sua fortaleza». O direito bavaro de 1616 fala (como o Esp. 
da Suabia) em guarda da «honra domestica». Entretanto a 
violação do domicilio, quando não se dava uma aggravação 
especial, só era punida civilmente e entrava na competência 
da baixa justiça. Tem pois explicação o silencio da 
Carolina. No direito commum a violação do domicilio 
passou para o segundo plano, sem, todavia, desapparecer 
de todo. A's mais das vezes concebia-se a violatio 
securitatis ãomesticce como caso nomeado da vis publica 
(Koch, Engau e outros; Theresiana). O art. 525 do Allg. 
Landrecht prussiano occupa-se com a violarão do 
domicilio em seguida á legitima defesa e ao desforço por 
autoridade própria ("). A legislação e a sciencia a 
classificam já entre os crimes contra a 
o) A violação do domicilio com séquito armado (o denominado crime de 
assuada) ou sem elle acha-se qualificado no Cod. Man., 1. ,&>' t. 61, e no 
Phil., t. 46, como crime sui-generis (ver também o Cod. Aff., t. 78). «Qui, diz 
M. Freire (I. J. Crim., t. 4, ? 13), unius-cujusque domui, qua nihil sanctius, nec 
omni religione munitius, vim fecerit, vel fores nocendi animo effregerit, ia 
Brasil iam perpetuo, nullo licet damno dato, relegatur». N.
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