TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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de 22 de Out. de SÕ, 18.", 60, Binding, L% 626, Meikel, SSO, 
OUheusen, | SOO, 11 <«). 
I*) Ofendida é somente a pessoa, cuja confiança foi illadida pela 
revelação do segredo, o que não exclue que mais de uma pessoa' tenha o direito 
de queixa, por exemplo, o chefe e o respectivo membro da âunilia 
relativamente ao medico (Trib. do Imp, Binding. Mcrkel, Sefcwaxtze, 
Olahausen). H. do trad. 
 
VIOLAÇlo DO DOMICILIO &0. 185 
IV.\u2014 O art. 300 do C. p. regulou a matéria em 
questão de um modo que inhibe a acção do legislador 
estadual. A legislação estadual não pôde pois sujeitar a 
penas o facto de serem utilisados segredos alheios ou a 
violação de um dever publico e legalmente reconhecido de 
guardar segredo (por exemplo, o dever dos corretores, dos 
inspectores de fabrica etc.) (*). A nova legislação imperial 
accres-centou apenas uma clausula ao art. 300 do C. p. 
relativa a segredos de fabricação. A lei de 6 de Julho de 
1884 concernente ao seguro contra acci-dentes distingue 
um caso simples e um caso qualificado de violação de 
segredos alheios por parte dos membros das directorias das 
associações, dos seus delegados (art. 82 e 83) e dos peritos 
nomeados nos termos do art. 83. No mesmo sentido as leis 
de 6 de Maio de 1886 (art. 127 e 128) e 11 de Julho de 
1887 (art. 49), bem como a lei de 22 de Junho de 1889 (art. 
152 e 153). 
I a) Caso simples (art. 107). As mencionadas pessoas 
incorrem em multa até 1.500 marcos ou encarceramento 
até 3 mezes, quando, sem autorisação, revelarem segredos 
de fabricação, de que tenham conhecimento em razão de 
suas funcções ou mandato. O dolo é necessário (6). O 
processo só pôde ser iniciado em virtude de queixa do 
emprezario industrial. 
\u25a0 b) Caso qualificado (§ 108). A lei commina a pena de 
encarceramento, á qual pôde accrescer, como pena 
accessoria, a perda dos direitos cívicos, 
(*) Egualmente Hãlschner, 2.°, 217. Não se pôde pois considerar 
subsistente o art. 418 do G. p. francez relativo a esta matéria. B' outra a 
doutrina do Trib. do Imp. na decisão de 3 de Jan. de 87, 16.°, 141, bem como 
a de Olshausen, J 800, 1. 
(») Contra, Appellius, N. Q., 916 (osquece-se de que é idêntica a 
redacção do art. 300 do C. p.)- 
186 TUATAHO PE gqatpo natal. 
quando as ditas pessoas intencionalmente (equivaleste 
a dolosamente) e em prejuízo dos indostriaes- rere-l 
larem segredos de fabricação, de gãe tenham eonhe- 
cimenio em razão de suas funcções on mandato, ©a 
quando imitarem imstallações oa meíhod&s de fabri 
cação conservados secretos, àe que tenha» conheci- 
mento em razão de suas funccões ou mandato, em 
quanto esses processos conservarem o caracter de 
segredos de fabricação. Si assim proiederem para 
obter para si ou para proporcionar a outrem um 
lucro pecuniário (não necessariamente Alegai), poderá, 
além da pena de encarceramento, ser imposta uma 
multa até 3.000 marcos. I 
VII\u2014CRIMES E DELICTOS CONTRA A PAZ 
JURÍDICA 
§ 119.\u2014 Considerações geraes 
LITTEBATURA . \u2014 John, Lanâzwang unã wiãerrechtliche 
Dróhungen, 1852; Glaser, Monographias, 1858; Geyer, H H, 
39, 582; Bruck, Verbrechen gegen ãie WiUensfreiheit, 1875; 
Hálschner, 29, 129, 487, 
I.\u2014 Paz jurídica é a consciência da seguridade 
do direito, a confiança no poder protector da ordem 
jurídica. Ella é oíTendida, quando essa confiança é 
perturbada, embora transitoriamente, pelo receio de 
violências contrarias ao direito; é compromettída, 
quando dá-se a possibilidade immediata de ser essa 
confiança perturbada. Sem duvida póde-se contrapor á 
paz do individuo a paz ou tranquilidade publica, como 
consciência inherente á sociedade da seguridade do 
direito, bem como póde-se distinguir a ameaça ao 
individuo da perturbação da tranquillidade publica; mas 
esta distincção não é necessária nem conveniente. O 
objecto do interesse juridicamente protegido é o 
mesmo aqui como alli, porquanto a sociedade em 
contraposição á collectividade politicamente organisada 
não é mais do que uma pluralidade indeterminada de 
indivíduos. 
II.\u2014 No direito romano o crimen vis, apezar da 
distincção sempre duvidosa e vacillante entre a vis 
publica e a vis privata, tem em todas as suas 
188 TRATADO DE DIREITO PENAL 
fórmas o caracter de perturbação da tranquillidade publica. 
E' esta idéa fundamental do legislador que liga os casos tão 
diversos comprehendidos no crimen vis: o porte de armas, o 
tumulto e a sedição, o saque de casas, a invasão da 
propriedade immovel, o stuprum violento, o cárcere 
privado, a extorsão, o rapto, o abuso de poder por parte do 
funccionario publico, o perturbar a administração da justiça. 
O sJcopelismus (1. 9, D., 47. 11), anaiogo á coacção 
publica do direito commum, tinha somente importância 
local. 
Este amplo e obscuro conceito corresponde ás 
perturbações da paz da edade média allemã, á violação da 
paz pactuada ou legal (§ 4, nota 14), da paz da cidade, da 
justiça, do exercito, das egrejas, do mercado, da « paz 
promettida e ordenada » (que ainda hoje tem certa 
importância nos cantões da Suissa). 
Como delictos da mesma natureza e designados com 
denominações próprias, individualisaram-se o fiirwarten ou 
espera (o verwegwarten do direito municipal de Frankfort 
de 1578) punido somente com pena arbitraria, e o 
Wegelagerung ou emboscada (via lacina no direito franco, 
a obsessio viarum, segundo Engau e Bõhmer) punido com a 
decapitação, um e outro conservados no direito commum. 
No art. 128 a Carolina comminou a pena de decapitação 
contra a coacção publica, as ameaças de indivíduos crimi-
nosos e fugitivos do logar natal, crime que se relacionava 
com o roubo, a extorsão e a imposição de contribuições, 
bem como decretou no art. 129 a mesma pena contra a 
diffidatio (ainda neste sentido o direito austríaco de 1768). 
Além disso, a legislação imperial do século XVI (a paz 
publica de 1548, o recessus imperíi de 1594) occupou-se 
ainda com a violação da paz publica, em que se compre-
hendia também a paz religiosa e comminou a pena de 
banimento do Império. Debalde o direito com- 
CBIMES E DELIOTOS CONTRA A PAZ JUBIDICA 189 
mum tentou definir a idéa geral da VÍB, e ao lado desta 
idéa, que só tinha appli cação subsidiariamente, 
especialisou uma serie de «casos nomeados» de 
violência publica (como ainda faz o direito austríaco 
vigente). Successívamente discriminaram-se os crimes 
que não se dirigem contra os indivíduos, mas contra o 
poder publico. No tocante á ameaça feita a um 
individuo por parte de pessoas, «de quem se devesse 
esperar» malfeitoria ou delicto por causas conhecidas 
», a Carolina só prescrevia medidas de segurança (' 
dràvbúrgen, secwity for keeping the peace, caução), e 
não comminava penas (do mesmo modo o Allg. 
Landrecht prussiano, art. 44) (*). 
Também a legislação moderna não conseguio 
formar idéas claras e precisas e vê-se forçada a supprir 
as lacunas do direito commum com disposições 
excepcionaes de valor duvidoso para logo abo-lil-as 
como inefficazes (*). 
§ 120. \u2014 Da ameaça 
Pondo-se de parte as limitações estabelecidas 
pelo direito positivo, a ameaça apresenta-se como 
(\u2022) No direito portuguez encontram-se, como medidas correspondentes, 
as «seguranças reaes» concedidas pelo juiz ou mesmo immediatamente pelo 
príncipe aos que se temessem e receiassem de que outrem o queria offender 
nas suas pessoas (Ord. Man., 1. 5, t. 60, Phil., t. 128.; os «termos de 
segurança» do nosso direito;, o que não se deve confundir com as «cartas de 
seguro» (Ord. Aff., 1. 5, t. 57, Man., t. 49, Phil., t. 129). N. do trad. 
(') Não foi renovada a lei imperial de 21 de Outubro de 1878 contra os 
esforços dos demoeratico-socialistas e dos socialistas ou com-rounistas, 
tendentes á destruição da ordem politica ou social existente. Da copiosa 
litteratura sobre a questão ver especialmente Kulemann, Die Sozialdemocratie
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