TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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«propriedade litteraria», querem 
200 TRATADO DE DIREITO PENAL 
A lei de 11 de Junho de 1870, concernente aos 
direitos de autor sobre escriptos, desenhos, com-
posições musicaes e obras dramáticas (cujo modelo foi 
a lei prussiana de 11 de Junho de 1837) tem applicaçâo 
(art. 61): 1.° a todas as obras de autores nacionaes, 
quer appareçam no paiz, quer no estrangeiro, ou 
mesmo não tenham sido ainda publicadas; 2.° ás obras 
de autores estrangeiros, quando edictadas 
somente designar a utilidade ou o proveito patrimonial resultante da 
reproducção mecânica da obra, o que ao autor pertence illimitada e 
exclusivamente (Jolly, Klostermann, v. WãchterJ. Klostermann vê 
nesse direito patrimonial um direito real (Homeyer o designa como 
«direito real de prohibir»), ao passo que Maudry não o contempla entre 
os direitos reaes nem entre os direitos de credito, mas forma uma classe 
especial para o direito de autor e para outros (direito á firma, á patente), 
que se assignalam como «direitos patrímoniaes de caracter absoluto sem 
base material». Outros jurisconsultos (Neustetel, Heffter, Bluntschli, 
Lewis) consideram o direito de autor como um direito pessoal (isto é, 
um attributo da personalidade), e ainda outros (Beseler, Harum) o 
caracterisam como um direito pessoal (direito de prohibir a publicação da 
producção) ligado a um direito patrimonial (direito de reproduzir a obra 
e de distribuir os exemplares). B' também defendida a doutrina de que o 
alludido direito patrimonial não se classifica como direito patrimonial 
nem como direito de personalidade, e sim como um elemento 
inteiramente novo do direito privado (Spondilin, Stobbe). Também ha 
quem negue que o direito de autor seja um direito subjectivo a uma 
obra litteraria (Oerber, Neuman, Laband). «O direito de autor, diz 
Laband, é somente o reflexo de uma limitação da liberdade de 
industria*. Gareis denomina os direitos de autor «direitos individuação 
(attenta a individualidade e originalidade da producção), denominação 
que v. Liszt adopta e recommenda como própria para designar o grupo 
de interesses juridicamente protegidos que se interpõe entra os bens 
incorpóreos e os direitos patrímoniaes, servindo de transição entre uns e 
outros. Vè-se puis que a theoria do Auiorrecht é ainda presentemente 
uma das mais controvertidas, pelo menos, quanto a natureza do direito 
de que se trata (cons. Lewis, UR., 8.°, 967, Stobbe, Handb. des d. 
Priuatr., 3.°, \ 167 o seg.) N. do trad. 
DELICTOS CONTBA. 08 DIREITOS DE AUTOB 201 
por quem tenha o seu estabelecimento commercial no 
território do Império da Allemanha. Apparecer equivale a 
publicar-se (1). 
II.\u2014 Contrafacção propriamente dita. l.°\u2014 Contrafacção é 
a reprodueção mecha/nica a) de um escripto, b) de 
desenhos e figuras de geographia, topographia, sciencias 
naturaes, archi-tectura, artes technicas e outras 
semelhantes que, segundo o se» fim principal, não devam 
ser consideradas como obras d'arte, c) de composições 
musi-caes \u2014 quando a reprodueção é feita sem o consen-
timento do titular do direito e na intenção (equivalente a 
motivo) de serem distribuídos os exemplares 
contrafeitos dentro ou fora do Império (art. 4 a 7, 43 e 
seg., 45 e seg. da lei). Dados certos requisitos, a traducção 
constituo também contrafacção; quando a traducção porém 
é regularmente feita, gosa ella de protecção egual a que 
é concedida ao original. Também constituem contrafacção 
as transformações, como a dramatisação de um romance, o 
arranjo de uma musica para um outro instrumento, uma 
vez que não se opere uma nova creação. Sobre o que seja 
distribuição ver o § 108, nota 4.a 
A' contrafacção equipara-se a representação ou a 
execução publica (isto é, perante um auditório não 
particular) e não autorisada de uma obra dramática, 
musical ou dramatico-musical, quer se execute a peça 
integralmente, quer com alterações que não sejam 
essenciaes (art. 50 e 54). 
2.°\u2014 B' punível o preparo doloso ou culposo da 
contrafacção, bem como dar causa dolosa ou cul-
posamente a que outrem a prepare (art. 8, 20, 54). O 
preparo equivale á autoria. Regularmente appa-recerá 
como autor do delicto o edictor; só o é o 
(>) Oons, v. Liszt, PressrecM, \ 42, 5 \u2014 Sobre a punibilidade 
dos actos praticados no estrangeiro, ver o § 20. 
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impressor, quando sabia que se tratava de uma 
contrafacção (2). Quanto ao mais têm applicação os 
princípios geraes sobre a autoria e a cumplicidade. Dar 
causa e determinar outrem, portanto equivale no 
essencial á instigação, mas aqui excepcionalmente 
comprenhende-se também a determinação culposa, bem 
como a determinação dolosa para uma acção culposa 
(§ 51, nota 1/) (c). 
3.°\u2014 Penas tanto do preparo cOino da provo-
cação : multa até 3.000 marcos, que no caso de 
insolvabilidade deve ser convertida, de accordo com a 
lei penal ordinária, na correspondente pena de prisão, 
cujo máximo não pôde exceder a 6 mezes. Não se 
admittio a reincidência como causa de ag-gravação 
(art. 23). 
4.°\u2014 O preparador fica isento de pena, quando 
obra de boa fé em razão de um erro excusavel de facto 
ou de direito (art. 18, 2.° ai). Assim a igno- 
(*) Egualmente a opinião com mura. Contra (e com certeza in-
correctamente) Stenglein, N. G., 19, que só quer admittir uma autoria 
material. Oons. o § 60, II. 
(°) Incorrem nas penas da contrafacção tanto o que a prepara 
(VeranaialierJ como o que aoceasiona (VeranlasserJ, quer tenham pro-
cedido dolosamente, quer culposamente. Preparador ê a aquelle que 
fabrica a obra contrafeita para si e por sua conta ou faz outrem fa-| 
brical-a na- intenção de dispor dos exemplares como sua propriedade e 
de distribuil-os». Está neste caso o livreiro que edita a obra. Como 
occasionador considera-se aquelle que determina outrem a preparar a 
contrafacção; está neste caso o escriptor que provocou o livreiro a| 
edictar uma obra alheia. Na discussão da lei no Reichsiag propoz-se 
que somente incorresse em pena a contrafacção dolosa, e não a culposa ;| 
essa emenda, porém, não fui aceita. « Na pratica, diz Dambach, é ex-
tremamente difficil fàzer-se a prova do dolo do contrafactor, ao pnsso 
que quasi sempre pôde elle ser aceusado de que, si tivesse tido o devido 
cuidado, evitaria a offensa aos direitos do autor ou do edictor: si a lei 
punisse somente a contrafacção dolosa, a maior parte dos eontrafa-
ctores ficariam impunes »\u2022 N. do trad. 
DELICT0S CONTRA OS DIREITOS DE AUTOR 203 
rancia da illegalidade, quando provém de um erro 
excusavel, exclue a pena (§ 40, nota 5.*). 
5.°\u2014\u2022 Em vez de indemnisação, pôde, conjuncta-
mente com a pena, ser pronunciada, a requerimento do 
prejudicado e em seu proveito, uma multa privada até 
6.000 marcos. Os condemnados á multa respondem 
solidariamente. A imposição da multa exclue qualquer 
pretenção ulterior á indemnisação (art. 18 e 54% 
I 6.°\u2014 Os exemplares contrafeitos em deposito e os 
instrumentos destinados exclusivamente á contrafacção 
estão sujeitos a confisco (art. 21) e, pronunciado o confisco 
com força de cousa julgada, devem ser destruidos ou 
privados da forma que os torna próprios á pratica do 
delicto e restituídos então ao seu dono. O confisco 
comprehende todos os exemplares e instrumentos que 
pertençam ao preparador da contrafacção, ao impressor, ao 
livreiro-commis-sario, ao distribuidor de profissão e a 
quem deu causa á contrafacção. 
Cabe o confisco ainda no caso em que o preparador 
ou o occasionador da contrafacção não tenha procedido 
dolosa ou culposamente, e também tem logar contra os 
seus herdeiros. 
E' admissível a requisição do confisco em-quanto 
existirem os exemplares contrafeitos e os instrumentos da 
contrafacção. 
7.°\u2014 O delicto consumma se, logo que no território 
do Império da Allemanha ou fora delle é
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