TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899
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TRATADO DE Direito Penal Allemão FRANZ VON LISZT TOMO II 1899


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a destruição 
dos objectos mesmos assim assignalados (art. 19). 
O offendido será também autorisado (art. 19) a 
publicar a condemnação á custa do condemnado (§ 58, 
nota 3). O modo da publicação e o prazo dentro do 
qual ella se fará serão determinados na sentença. 
V.\u2014 Violação da patente de invenção. A pro-
tecção do direito ao invento (3) allia-se á protecção 
m (*) Sem razão affirma Appelius, N G., 128, que o direito resultante 
da patente de invenção é puro direito patrimonial. Bsta asserção 
relaciona-se com a idéa egualmente insustentável de que a patente 
deve proteger, não o (real ou supposto) inventor, mas uquelle que 
primeiro fez a declaração do invento (*). 
(') Segundo as leis allemães de 1877 e de 1891, não é, em 
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do direito de autor em matéria litteraria, artística e 
industrial, bem como a do direito á marca. Reco-
nhecido desde o século passado na maior parte dos 
Estados allema.es, comquanto muitas vezes somente 
protegido pela justiça administrativa, o direito á 
patente de invenção foi garantido pela lei imperial de 
25 de Maio de 1877 (substituída pela lei de 7 de Abril 
de 1891), depois que a larga torrente contraria, oriunda 
das idéas do free-trade, foi suplantada pelo rápido e 
vigoroso reviramento da opinião publica produzido 
desde o começo da sexta década deste século. 
1.°\u2014 A concessão da patente \u2014 tem somente 
logar, segundo o artigo 1.° da lei, nos novos inventos 
susceptíveis de applicação industrial\u2014impede que 
qualquer outra pessoa possa, sem consentimento do 
concessionário da patente, produzir industrialmente, 
pôr em circulação, ter á venda ou empregar o objecto 
da invenção (art. 4). 
Quem utilisa-se scientemente de um invento 
alheio (art. 36), incorre em multa até 5.000 marcos ou 
em encarceramento até um armo. O processo depende 
de queixa, que pôde ser retirada. Sobre a 
these, o inventor quem tem direito á patente, mas a pessoa que primeiro 
faz a declaração do invento.. «A procedência do invento, diz E. Meyer 
(HK, 1, 718) não é oficialmente verificada, e concede-se a patente, 
ainda quando seja fora de duvida que outrem é o autor do invento. Mas 
isto significa somente, continua o mesmo escriptor, que nesta phase do 
processo a autoridade não tem que examinar as relações jurídicas entre o 
inventor e o pretendente á patente; esta não deixa por isso de ser o 
premio destinado ao inventor como tal». Com effeito, si quem faz a 
declaração não é o inventor, este tem o direito de oppor-se, bem como 
pôde, ainda depois da concessão, fazel-a annullar, mostrando que o 
objecto principal da declaração deriva de deseripções, modelos, 
instrumentos ou arranjos que lhe pertencem ou de processos de que faz 
applicação. No nosso direito, como no direito anglo-americano, a 
patente é concedida ao inventor ou a seus legítimos successores (lei n. 
8129 de 1882). N. do trad. 
DELIOTOS CONTRA OS DIREITOS DE AUTOR 218 
punição dos factos praticados no estrangeiro preva-
lecem os princípios geraes. M A condemnação pôde 
ser publicada no caso sob 
0 n. IV. Em logar de indemnisação, pôde ser pro 
nunciada uma multa privada até 10.000 marcos, e 
neste caso é inadmissível qualquer outra pretenção 
á indemnisação. Sendo vários os condemnados, todos 
respondem solidariamente. 
As acções oriundas da violação da patente 
prescrevem (art. 39) em 3 annos relativamente a cada 
um dos factos em que se fundam. 
2.°\u2014 Não como offensa de um direito individual, 
mas como facto que compromette o interesse publico, 
devemos considerar o simulação da existencia de 
patente, infracção de que a lei trata no art. 40 e com 
que aqui nos occupamos somente por con-nexão de 
matéria. Dá-se, quando a) alguém assi-gnala objectos 
ou os respectivos envolucros com distinctivos 
próprios a fazer crer erroneamente que os objectos são 
protegidos por uma patente, ou quando ti), em 
annuncios públicos, taboletas, cartazes ou outros 
meios de publicidade, alguém serve-se de um 
distinctivo próprio a induzir em egual erro (*). 
1 Pena: multa até 1.000 marcos. Para dar-se 
criminalidade basta a culpa (6). 
\u25a0 VI.\u2014 E' calcada sobre a lei relativa ás patentes a 
lei do 1.° de Junho de 1891 concernente á protecção 
dos modelos de utilidade. 
\u25a0 Como modelo de utilidade, em contraposição á 
modelos de gosto (acima III) figuram, segundo o art. 
1 da lei, os modelos (em relevo) de instrumentos de 
trabalho ou de objectos destinados a um uso pratico 
ou das suas partes respectivas, em tanto quanto por 
uma nova configuração, uma nova dis- 
(*) Correctamente v. Meyer, 784. 
(\u2022) Dec. do Trib. do Imp. de 28 de Nov. de 98, 24.», 399. 
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posição ou mechanismo devam servir a algum trabalho 
ou uso pratico (*). 
Quem faz uso scientemente de um modelo de 
utilidade (registrado), isto é, quem reproduz indus-
trialmente o modelo ou introduz no commercio os 
instrumentos ou objectos produzidos pela contrafacção, 
os tem á venda ou delles se utilisa, incorre em multa 
até 5.000 marcos ou em encerramento até um anno 
(art. 10). 
O processo depende de queixa; esta pôde ser 
retirada. 
A sentença condemnatoria deve conferir ao of-
fendido a faculdade de publicar a condemnação á custa 
do condemnado. O modo de publicação e o prazo 
dentro do qual ella deva efíectuar-se são determinados 
na sentença. 
Em vez da indemnisação, pode ser pronunciada 
conjunctamente com a pena, a requerimento do 
offendido e em seu proveito, uma multa privada que 
não excederá a 10.000 marcos. Os condemnados á 
multa respondem solidariamente (art. 11). 
A imposição da multa exclue qualquer outro 
pedido de indemnisação. 
(*) A lei do 1.° de Junho de 1891 completou a legislação anterior 
sobro a protecção dos direitos de autor. Os modelos de utilidade não 
estavam comprehendidos na lei de 11 de Janefro de 1876, que tinha 
somente em vista os «modelos de gosto», e, por serem pequenos in-
ventos, não convinha applicar-lhes a lei sobre as patentes. A nova lei 
resolveu as dificuldades, dispensando, de um lado, o «processo prévio» 
necessário para a concessão da patente e moderando as taxas, e, por 
outro lado, reduzindo o prazo do privilegio e impondo ao privilegiado, 
no caso de contestação, o encargo de provar a existencia dos requisitos 
materiaes para a protecção legal. Desse privilegio, se tem feito o mais 
largo uso; nos 15 mezes decorridos desde a data em que a lei entrou em 
vigor, diz Hauss, fizerem-se 1.600 inscripções, sem se notar uma 
diminuição correspondente no numero dos pedidos relativos a patentes 
de invenção. N. do trad. 
CAPITULO IV Crimes contra 
os direitos patrimoniaes 
l \u2014 CRIMES CONTRA OS DIREITOS REAES 
§ 124. \u2014 I. Do furto. Historia 
| \u2666 LITTEBATUBA. \u2014 Bosenberger, Ueber das furtum nach 
klassischem rômischen JRecM, insbes. vòer ãen animus lucri faeienãi, diss., 1879; Backeni, Unterschieã zwisólien dem furtum da rômischen liechts und dem deuíichen RStGB, 1880 
; Cropp, nos Krimin. Beitrãge de Hudtwalcker e iTrummer, 
2.°, 3, 234 ; Kõstlin, Krit. Uebenchau, 3.', 149, 334, 
Monographias, 1868; Brunner, 2.", 637. 
I. \u2014 No período clássico do direito romano o 
furto não passava de um delicto privado. E' verdade 
que a lei das 12 tábuas, reproduzindo a distracção 
entre o facto flagrante e o não flagrante, punia o 
furtum manifestum com pena capital (*), ao passo que 
comminava somente a perna duplt contra o furtum 
non manifestum. O direito d.e matar que cabia ao 
offendido era absoluto com relação ao ladrão 
(') Sobre o acto religioso aryano da visita domiciliaria {lance et lido 
quoerere, ransake,), (tons. Leist, Gfrãko-italiscTie Recldsgeschischte I 246, 
Schrõder, Deutsche Rechtsgeschichte, 848 
216 TRATADO DE DIREITO PENAL 
nocturno e somente admittido em relação ao diurno, «« telo 
se defendebat». Mas já o direito
Estudante
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