GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.274 materiais530.956 seguidores
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à pessoa nós); 3) infinitivo impessoal \u2013 é o infinitivo 
que não se flexiona de acordo com as pessoas do discurso. Fica sempre do mesmo 
jeito: chorar, amar, sofrer, resistir. 
 
Vejamos alguns casos concretos. 
 
A) Tomemos como exemplo a frase A professora ensinou os alunos a estudarem. 
A Gramática padrão reza que o infinitivo deve ser flexionado. Por quê? É que essa 
frase tem dois verbos (ensinar e estudar), cada um com seu sujeito, que é 
encontrado perguntando-se Quem? ao verbo. Quem ensinou? A professora é 
sujeito; Quem estudar? Os alunos é o sujeito. Viu só? Essa é uma das principais 
regras do infinitivo. Outro exemplo: Ele convidou todos nós para almoçarmos 
(Quem convidou? Ele é o sujeito; quem almoçar? Todos nós é o sujeito). 
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Diferentemente, se os dois verbos possuírem o mesmo sujeito, o infinitivo será 
impessoal: Elas devem repor as energias (quem deve? Elas; quem repor? Elas). 
Ficaria bastante ruim Elas devem \u201creporem\u201d. 
 
B) A professora mandou os alunos estudar ou estudarem? Tanto faz. Pode usar o 
infinitivo pessoal ou impessoal. Atente nos verbos mandar, fazer, sentir, deixar, 
ouvir e ver, quando seguidos de sujeito de um verbo no infinitivo. Nesses casos, 
o infinitivo pode flexionar-se ou não. Veja só: 
 
Você já deixou AS MENINAS brincarem (ou brincar)? Verbo deixar + sujeito (as 
meninas) + verbo no infinitivo (brincar ou brincarem). 
 
Outros exemplos: 
 
Todos os deputados ouviram AQUELAS CRIANÇAS gritarem (ou gritar); 
 
Veja OS BOIS morrerem (ou morrer). 
 
Observação: se o sujeito do verbo no infinitivo for um pronome oblíquo (o, a, 
os, as, me, te, se, nos, vos), o infinitivo obrigatoriamente será impessoal (não 
flexionado). Exemplos: 
 
Eu OS vi morrer (quem morrer? Os \u2013 que substitui os bois \u2013 é o sujeito); 
 
Você já AS deixou brincar? (quem brincar? As \u2013 que substitui algum termo 
feminino \u2013 é o sujeito); 
 
\u201cE não NOS deixeis cair em tentação\u201d (quem cair? Nos \u2013 que substitui \u201cnós\u201d \u2013 é 
o sujeito). 
 
Aconselha-se, no entanto, que o infinitivo seja flexionado quando a ação for 
reflexiva (sai do sujeito e volta a ele), recíproca (troca de ações entre seres) ou 
passiva (o sujeito sofre uma ação): Vi-os ajoelharem-se perante mim (a ação de 
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ajoelhar residiu no próprio sujeito); Deixamos os garotos se olharem (um olhou o 
outro \u2013 troca de ações); Os trabalhos a serem feitos estão na mesa (o sujeito \u201cos 
trabalhos\u201d recebe a ação de ser feito \u2013 voz passiva). 
 
C) Quando se quiser enfatizar que o sujeito da ação é indeterminado (não se sabe 
quem é ou não se quer revelar), o infinitivo será flexionado. Exemplo: Ouvi 
falarem mal de você. 
 
D) É bastante frequente também a construção de locuções com os verbos 
continuar, estar, começar, acabar, tornar + preposição a ou de + verbo no 
infinitivo. Exemplos: Elas começaram a chorar; Nossos primos acabaram de 
chegar; Vocês continuarão a nos provocar? Como se pode observar, o infinitivo 
não é flexionado nesses casos, até porque se trata de verbos que possuem o 
mesmo sujeito. 
 
E) Quando o infinitivo complementar adjetivos, como fácil, difícil, bom, disposto 
e cansado, também não será flexionado. Exemplos: Que exercícios difíceis de 
resolver; Os soldados estão dispostos a morrer pela pátria. 
 
 
Interveio (verbos derivados) 
 
Pensemos na frase \u201cE a polícia interveio nas negociações\u201d. O verbo INTERVIR é 
derivado de vir e deve ser conjugado exatamente como ele. Usando o vir, a frase 
ficaria E a polícia VEIO nas negociações, correto? Ou você diria E a polícia 
\u201cviu\u201d nas negociações? Claro que não, pois assim estaria usando o verbo ver 
(olhar) no lugar de vir. Quando usar o verbo intervir, é só conjugar o primitivo 
(vir) e colocar o INTER na frente. E a polícia interVEIO nas negociações. O 
mesmo acontece com proPOR, comPOR, adVIR, proVIR, reTER, entreter e 
outros verbos derivados, que se conjugam exatamente como os primitivos, que 
lhes dão origem. 
 
 
Ir a, ir para 
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Por incrível que pareça, existe, em tese, diferença de significados entre a e para 
com o verbo ir. Se digo Vou A São Paulo, quero dizer que farei uma breve viagem 
e voltarei à cidade onde moro. Se digo Vou PARA São Paulo, significa que estou 
me mudando para aquela cidade. Ficarei por lá definitivamente. 
 
JJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJJ 
 
Junto a 
 
A locução JUNTO A costuma ser usada em linguagem jurídica como substituta de 
\u201cem\u201d, \u201ccom\u201d e outras preposições, distanciando-se de seu sentido original de 
proximidade física. Segundo a Gramática tradicional, essa prática deve ser 
evitada, mantendo-se, na medida do possível, o mencionado sentido de 
proximidade. Veja alguns exemplos considerados evitáveis: 
 
O autor teve o nome negativado JUNTO Ao Serasa (no Serasa); 
 
Não é a primeira vez em que relata problemas JUNTO Ao fornecedor (com o 
fornecedor); 
 
Ele recorreu JUNTO Ao Tribunal de Justiça (ao Tribunal de Justiça). 
 
O ideal, portanto, é que se reserve o uso dessa locução àqueles casos em que a 
proximidade esteja bem evidenciada, como no exemplo abaixo: 
 
O rapaz permaneceu JUNTO À filha. 
 
LLLLLLLLLLLLLLLLLLL 
 
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Letras maiúsculas 
 
Guarde os seguintes casos de iniciais maiúsculas (exemplos retirados do Acordo 
Ortográfico): 
 
a) Nos antropônimos (nomes de pessoas), reais ou fictícios: Pedro Marques; 
Branca de Neve. 
 
b) Nos topônimos (nomes de lugares), reais ou fictícios: Lisboa; Rio de Janeiro; 
Atlântida. 
 
c) Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor; Netuno. 
 
d) Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias 
da Previdência Social. 
 
e) Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Todos os Santos. 
 
f) Nos títulos de periódicos: O Estado de São Paulo (ou S. Paulo). 
 
g) Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolutamente: 
Nordeste, por nordeste do Brasil; Norte, por norte de Portugal; Ocidente, por 
ocidente europeu. 
 
h) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente 
reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em 
maiúsculas: FAO, NATO, ONU. 
 
i) De forma opcional, em palavras usadas reverencialmente, elogiosamente ou 
hierarquicamente, em início de versos e em categorizações de logradouros 
públicos (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de templos (igreja 
ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista), de edifícios 
(palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha) 
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Letras minúsculas 
 
Atente aos seguintes casos: 
 
1) Nomes dos dias da semana: Viajarei na segunda-feira; Ela estará aqui no 
próximo sábado; 
 
2) Nomes de meses (janeiro, fevereiro, março, etc.); 
 
3) Após dois-pontos (Comprei muitos objetos: discos, roupas, etc.). Obs.: se após 
o sinal de dois-pontos houver citação de início de período, esta se iniciará com a 
letra maiúscula; 
 
4) Em nomes comuns que vêm antes de nomes geográficos (rio Amazonas, 
península Ibérica, lago Igapó); 
 
5) Em nomes profissionais que antecedam nomes próprios (professor Carlos, 
diretor João); 
 
6) Em nomes de atos judiciais, ações ou recursos (embargos à execução, agravo 
de instrumento, sentença, decisão, despacho); 
 
7) Em palavras referentes às partes do processo (autor, réu, requerente, 
requerido, reclamante, reclamado); 
 
8) Em adjetivos que qualificam palavras com inicial maiúscula (egrégio 
tribunal de Justiça, colendo Superior Tribunal de Justiça, douto Promotor de 
Justiça);