GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.331 materiais534.885 seguidores
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O homem que estuda é o 
sujeito; sem vírgula, portanto); 
 
As mulheres choraram; os homens dançaram (quem chorou? As mulheres é o 
sujeito; sem vírgula, portanto; quem dançou? Os homens é o sujeito; sem vírgula, 
é claro). 
 
Vejamos agora alguns exemplos errados (a vírgula separa equivocadamente o 
sujeito, entre colchetes, do resto da oração): 
 
O autor requereu a emenda à inicial à fl. 14. [O réu], manifestou-se às fls. 18/20. 
 
Estiveram presentes à audiência, [o réu, o autor e duas testemunhas]. 
 
Alega [o embargante], que o cálculo elaborado pelo embargado é errôneo. 
 
2) Nunca haverá vírgula entre o sujeito e o verbo? 
 
Em alguns casos, é permitido (mas não obrigatório) usar a vírgula entre o sujeito e 
o verbo. Pensemos neste exemplo: 
 
Colégio XX - quem faz, aprova. 
 
Qual é o sujeito do verbo aprovar? Quem aprova? Quem faz... esse é o sujeito. 
Pela regra, não poderíamos pospor-lhe a vírgula, não é verdade? Porém, ele 
termina em verbo ("Quem faz"), e logo após aparece outro ("aprova"). Nesse 
caso, é permitido o seu uso: "Quem faz, aprova". 
 
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Quando o sujeito for extenso, também será lícita a vírgula. Exemplo: 
 
Aqueles três homens de ternos laranja que se encontram em frente ao mercado da 
esquina, parecem suspeitos. 
 
Qual é o sujeito do verbo parecer? Quem parece suspeito? Aqueles três homens 
de terno laranja que se encontram em frente ao mercado da esquina. Como o 
sujeito é relativamente extenso, poderia ter sido usada a vírgula. Facultativamente. 
 
3) Que preciso saber para virgular bem? 
 
Para nunca errar na virgulação, o ideal mesmo seria uma excelente noção de 
análise sintática. Mas, como não é objetivo deste material o aprofundamento 
teórico, tentaremos, nas próximas linhas, abordar somente os termos estritamente 
necessários para uma boa pontuação. 
 
Para começar, é interessante notar que a ordem direta das orações, geralmente, é 
a seguinte: 
 
A) SUJEITO; B) VERBO; C) COMPLEMENTOS; D) CIRCUNSTÂNCIAS. 
 
Na ordem direta, acima indicada, normalmente não há por que usar vírgula! 
Na dúvida, NÃO a use. 
 
Falemos um pouco sobre cada um dos termos da oração citados. 
 
O sujeito e o verbo você já conhece. 
 
O primeiro é o ser ou a ideia sobre os quais o verbo informa algo. Basta perguntar 
Quem? ou Quê? a cada verbo para encontrar o seu sujeito. 
 
O verbo é palavra de noção intuitiva. Indica fatos e sofre flexões de tempo, modo, 
número e pessoa. 
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E os complementos? Como o próprio nome diz, são os termos que completam 
os verbos e nomes, chamados pela Gramática de objetos direto e indireto e 
complemento nominal. Por exemplo, o verbo amar, na maioria das vezes, não tem 
sentido sem um complemento. Imagine alguém lhe dizendo: "Eu amei...\u201d. Não 
faltou algo? Afinal, quem ama ama alguma coisa ou alguém. Esse alguma coisa, 
ou alguém, seria o complemento do verbo. 
 
Exemplos de complementos verbais (em negrito): 
 
Todos precisam de justiça; (precisar de algo) 
 
A esse testemunho, não dei credibilidade; (dar algo a algo) 
 
Os alunos, bastante quietos, assistiam ao filme. (assistir a algo) 
 
Os complementos, além de verbais, podem ser nominais, quando completam o 
sentido de um nome, como se vê nos seguintes exemplos, nos quais os nomes 
estão sublinhados: Ele tinha necessidade de carinho; O amor à pátria era 
fantástico; Não há necessidade de chorar. 
 
As circunstâncias (expressas pelo que a Gramática chama de advérbios e 
palavras denotativas) são as condições em que o fato indicado pelo verbo ocorre. 
As circunstâncias mais comuns são as de tempo, lugar, modo, intensidade, 
afirmação, negação, dúvida, causa, concessão, finalidade e outras. Exemplos (as 
circunstâncias vêm em destaque): 
 
Os ministros não se encontraram na festa do Presidente da República (lugar); 
 
Os dois se abraçaram agressivamente (modo); 
 
Talvez nos tenha sido melhor essa situação (dúvida). 
 
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Ficando claras essas quatro definições, já podemos começar a entender melhor a 
vírgula. 
 
Primeira regra: a vírgula deve ser usada para separar sujeitos, verbos, 
complementos ou circunstâncias que não estejam ligados por conjunção. 
Exemplos: 
 
Homens, mulheres, animais e crianças se desesperaram (usou-se a vírgula para 
separar os sujeitos homens, mulheres, animais; crianças não foi precedido por 
vírgula porque está acompanhado da conjunção e); 
 
Eles choraram, gritaram, beberam e morreram (usou-se a vírgula para separar os 
verbos choraram, gritaram, beberam; morreram não foi precedido por vírgula 
porque está acompanhado do e); 
 
Todos amam a TV, o rádio, as fofocas e a família (usou-se a vírgula para separar 
os complementos a TV, o rádio, as fofocas; a família não foi precedido por 
vírgula porque está acompanhado do e); 
 
O evento acontecerá no sábado, às 15h, no Hotel Fênix [usou-se a vírgula para 
separar as circunstâncias no sábado (tempo), às 15h (tempo), no Hotel Fênix 
(lugar)]. 
 
Segunda regra: a vírgula marca o deslocamento dos termos na oração. Como 
já vimos, a ordem direta é A B C D (A - sujeito; B - verbo; C - complementos; D - 
circunstâncias). 
 
Veja este exemplo: 
 
[Os funcionários da embaixada] [encontraram] [o presidente] [durante o 
encontro internacional]. 
 
A (sujeito) - Os funcionários da embaixada 
B (verbo) - encontraram 
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C (complemento) - o presidente (quem encontra encontra alguém) 
D (circunstância) - durante o encontro internacional (tempo) 
 
Usar-se-iam duas vírgulas para isolar um elemento deslocado dessa ordem. 
 
Exemplo 1: A B, D, C 
 
Os funcionários da embaixada encontraram, durante o encontro internacional, o 
presidente (a circunstância está isolada entre vírgulas, por estar fora de sua 
posição natural, que seria o final da oração). 
 
Exemplo 2: A, D, B, C 
 
Os funcionários da embaixada, durante o encontro internacional, encontraram o 
presidente. 
 
Exemplo 3: D, A B C 
 
Durante o encontro internacional, os funcionários da embaixada encontraram o 
presidente. 
 
Observação: quando o elemento deslocado está no começo da frase, usa-se, é 
claro, apenas uma vírgula. 
 
4) Então todo elemento deslocado vem com vírgula? 
 
Não! Só a(s) use se os elementos deslocados forem suficientemente extensos para 
\u201catrapalhar\u201d a sequência da frase. Tomemos o exemplo anterior: 
 
Os funcionários da embaixada encontraram o presidente durante o encontro 
internacional. 
 
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Substituamos a circunstância, que é relativamente extensa, por outra, de menor 
tamanho. A palavra hoje, que também indica tempo, serve como exemplo: 
 
Os funcionários da embaixada encontraram o presidente hoje. 
 
Se deslocarmos essa circunstância, não haverá a necessidade da(s) vírgula(s), 
devido ao seu pequeno tamanho: 
 
Os funcionários da embaixada encontraram hoje o presidente. 
 
Entretanto, pode(m)-se usar a(s) vírgula(s) para enfatizar a circunstância: 
 
Os funcionários da embaixada encontraram, hoje, o presidente. 
 
Vale ressaltar: se o elemento estiver intercalado e você decidir pontuá-lo, use 
DUAS VÍRGULAS, e não uma. Assim estaria ERRADA esta forma: 
 
Os funcionários da embaixada encontraram hoje, o presidente. 
 
5) Há outros elementos que interferem na ordem natural da frase? 
 
Sim! Tudo o que está deslocado e interfere na ordem natural da frase é elemento 
interferente. E, se tiver um tamanho considerável, deve vir isolado pela 
pontuação. Para detectar esses elementos, é importante que tenhamos uma visão